Quaresma tempo de deserto e confinamento

 Quaresma tempo de deserto e confinamento

Se bem se lembram, o ano passado fomos apanhados a meio da quaresma no primeiro confinamento. Na altura estávamos no terceiro domingo da quaresma. Foram suspensas as celebrações presenciais nas comunidades cristãs. Este primeiro confinamento durou até ao fim de Maio, retomando as celebrações no Domingo de Pentecostes.

Na altura a surpresa causou medo; o medo gerou suspeita; a suspeita provocou dúvida; a dúvida fez mudar os comportamentos; estas mudanças trouxeram novas formas de estar em sociedade e na Igreja; por sua vez, estas formas foram fechando as pessoas, que se vêm tornando mais egoístas, desconfiadas e, até mesmo, interesseiras, quer para com as outras quer para com Deus. Basta ver a “guerra” da vacinação.

Foi assim que há um ano atras, entramos neste longo “deserto” a que estamos confinados por obrigação sanitária e sentido cívico.

Passado um ano e “tendo consciência da extrema gravidade da situação pandémica que estamos a viver no nosso País”, os nossos Bispos Portugueses consideram “que é imperativo moral para todos os cidadãos, e particularmente para os cristãos, ter o máximo de precauções sanitárias para evitar contágios, contribuindo para ultrapassar esta situação”. Foi nesse sentido que no passado 23 de janeiro, “embora lamentando fazê-lo”, a Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP) suspendeu, novamente, as celebrações presenciais da Eucaristia, a catequese e outras actividades pastorais que impliquem contacto.

Felizmente, o confinamento está a dar resultado positivo. Portugal registou esta segunda feira (22 de Fev.) o número mais baixo de vítimas mortais desde 28 de dezembro passado e o número de novos casos é o mais reduzido desde 6 de outubro passado. Boas notícias!…

Os Bispos Portuguese estão a analisar o regresso das celebrações presenciais em Portugal Continental. “Acompanhamos atentamente a situação da pandemia e confinamento geral, esperando que continue a evoluir favoravelmente para que seja possível retomar as celebrações presenciais nas comunidades cristãs”. No próximo dia 9 de março, o Conselho Permanente da CEP “voltará a reunir, e nessa altura contamos tomar orientações, em diálogo com as autoridades de saúde e de governo”.

Na nossa diocese, o Seminário de Alcains abriu as portas para que a população local pudesse ser vacinada contra a Covid-19. “A Igreja está atenta às necessidades da sociedade e é uma forma de ajudar a superar a pandemia”. Neste “tempo favorável” deixemo-nos contagiar pela Palavra de Deus e pelo vírus do Seu Amor. Cuidemos da oração pessoal e familiar. Estamos confinados fisicamente, mas não nos deixemos condicionar espiritualmente. Deus cuida sempre de nós. Cuidemos uns dos outros, em sociedade e Igreja. Aqui está nossa esperança.

P. Luís Manuel Bairrada

Para si... Sugerimos também...

Subscreva a nossa newsletter