“Ver as Albertas com outra luz é precisamente o que se pretende a partir de 2020”.

 “Ver as Albertas com outra luz é precisamente o que se pretende a partir de 2020”.

Capela das Albertas é o nome dado à antiga Igreja do Convento de Santo Alberto, primeira casa da Ordem das Carmelitas Descalças em Portugal, fundada em 1585. Ao seu lado foi construído no final do século XVII, o Palácio dos Condes de Alvor o qual se instalou o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa.

Dada a degradação em que se encontrava, foi noticiado no final da década passada a sua restauração, mantendo a decisão de a manter como parte integrante do Museu. Este projecto foi assumido com muito empenho, pelo que era então previsto “se tudo corresse bem”, reabrir a Capela em pleno até ao final de 2020. A ideia era começar e não parar, e a Capela das Albertas, uma caixa dourada, voltaria a brilhar.

Agora que a pandemia começa a aligeirar e o bom tempo ousa ficar, um amigo decide rumar a Lisboa, às Janelas Verdes, para poder desfrutar dum espaço interior e exterior tão aprazível, tão rico, e claro, contemplar da beleza da restauração prometida daquele “bijoux barroco”.

Eis senão quando verifica que o prometido não foi cumprido. O Ministério da Cultura decidiu inutilizar a Capela. À sua entrada estão colocados dois taipais que ocultam o esplendor da capela, o qual está ocultado pela escuridão, e dois taipais transmitem uma exposição virtual temporária sobre dança, que de barroco não terá muito e que está descontextualizada naquele lugar e desconectada do restante Museu em termos de conceito…

O argumento usado parece ser que aquele espaço está dessacralizado, quer dizer, deixou de possuir o carácter sagrado, místico, divino, inviolável.

Encerrada ao público em 2007, devido ao mau estado de conservação, anunciado a sua restauração com promessa de abrir em pleno até final de 2020, foi dessacralizada por despacho laicista, dum mistério educativo!

A Capela das Albertas, hoje fechada na penumbra, é de facto uma “caixa dourada” e continua à espera de voltar a brilhar.

*Artur Pereira dos Santos – Professor Jubilado

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