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Opinião: Batalha perdida ao pequeno-almoço


Caros leitores, depois deste curto interregno, devidamente justificado com o período eleitoral que decorreu, regresso com uma história verídica. História esta passada naquela que foi a minha melhor universidade e onde “estudei” durante 4 anos. Serve a mesma também para explicar o que leva ás vezes, a bons ou maus resultados das campanhas eleitorais, tanta vez mais dependentes da gestão de pequenos grandes erros que propriamente do conteúdo e qualidade das listas apresentadas a escrutínio.
Corria o ano de 1994 quando num quartel deste país, cerca de 300 homens e mulheres, entre soldados recrutas e instrutores, tiveram a desagradável experiência de não ter direito a pequeno-almoço. Após a formatura matinal, rapidamente se aperceberam que as luzes da cantina estavam apagadas e sem o normal movimento para que a primeira refeição do dia fosse servida. Como a “guerra” não para, nem tão pouco se suspende em função de um estômago devidamente acautelado ou vazio, soldados recrutas e respetivos instrutores lá seguiram a instrução tal como programada.
O oficial de dia, homem experiente e recto, rapidamente assumiu perante o comando da unidade a responsabilidade de tal falha. Ainda assim, foi averiguar o que tinha falhado para que tal sucedesse, rapidamente verificando que o cozinheiro de serviço se havia deixado dormir.
Para descanso do cozinheiro de serviço, na optica do oficial de dia, a responsabilidade pela falha no despertar não era totalmente sua. Chamado o cabo de dia à companhia, era sim deste a responsabilidade maior. O cabo de dia, um jovem de 18 anos mal feitos, estava dessa vez a efectuar a sua primeira escala em tais funções, condição que serviu de atenuante para que a pena aplicada se ficasse apenas por uma valente lição de MCM (moral cívico-militar).
Ao jovem cabo foi repetidamente explicado, com voz firme e inequívoca, que era da sua responsabilidade garantir que o soldado cozinheiro se levantava a horas suficientes para que o rancho matinal estivesse pronto a servir pela hora da alvorada. Foi também devidamente explicado que a guerra não é compatível com aqueles pequenos grandes erros e que aqueles homens mandados para a frente de batalha com o estomago vazio, representavam mais perigo para nós próprios que para o inimigo. A falta de tal refeição, ainda que pequena, além da falta que fazia ao corpo humano, levava a um desmoralizar geral das tropas. E tropas desmoralizadas são tropas perigosas, por um lado são presa fácil dos exércitos inimigos, por outro, são um perigo eminente para os seus próprios comandantes pois podem levar a rebeliões.
Curiosamente, o oficial de dia desse dia, actalmente oficial superior na reserva, foi nestas eleições reconduzido como presidente de uma das maiores uniões de freguesias deste país. O jovem cabo de 18 anos mal feitos, era eu.
