O yoga será neutro?

O yoga será neutro?
Joëlle Belloir, Pedagoga

O yoga tornou-se uma prática popular que se desenvolveu em todo o mundo e mais recentemente na Europa. Graças a movimentos específicos, combinados com a meditação, o yoga é considerado um meio “neutro” de relaxamento, uma forma de exercício para libertar tensões ou uma espécie de atividade desportiva. Conquistou não só o meio académico, mas também ginásios, empresas e até escolas.

Há também um interesse crescente, mesmo entre os cristãos que, movidos por um desejo genuíno de oração, buscam respostas nas técnicas de meditação oriental. Esse interesse estendeu-se a outras práticas esotéricas do New Age, o Reiki, a reencarnação, a reflexologia, etc.

Como não se sentir atraído, ou interessado, numa prática que se apresenta como pacífica e pacificadora? Yoga significa “jugo” ou unir, reunir, fundir, colocado em uníssono. Esta palavra e filosofia inerente foram codificadas entre os séculos V e II aC.

O yoga será neutro? Yoga é tudo menos neutro. É uma disciplina espiritual extremamente rigorosa. Não é inteiramente uma disciplina de saúde nem inteiramente espiritual, mas às vezes uma ou outra e frequentemente uma mistura das duas. O yoga é até considerado por alguns como uma ciência quando absolutamente não o é.

Na verdade, o yoga está intrinsecamente ligada a uma religião: o hinduísmo. No antigo hinduísmo, a meditação era particularmente importante para o bem-estar espiritual, mental e físico. O objetivo era alcançar o atman. De acordo com o hinduísmo, atman é a nossa alma, o nosso eu interior. Estar em sintonia com o atman conduz ao moksha que liberta do ciclo da reencarnação. Durante a meditação, o mantra, uma frase com um significado particular, pode ajudar a concentrar a mente. “Om” é um dos mantras mais importantes porque se diz que é a expressão oral do “fluxo divino” ou a vibração do som cósmico. O mantra é um símbolo que ajuda a focar a mente no atman.

Através de um ascetismo extremamente estudado e forçado, auxiliado por “estações” físicas, o yoga – pelo jogo dos músculos e das várias posições dos membros correspondentes a certos pontos determinados do corpo, chamados chakras – conduz a seiva vital através da coluna até ao cimo do corpo humano, localizado na cabeça, denominado Kundallini. Sussuma é o canal condutor dessas forças sexuais que serpenteia ao longo da coluna vertebral, desde o órgão sexual até ao cimo da cabeça, ao Kundalini. Este fluxo é representado por uma cobra, que trabalha os sentidos. Neste processo dá-se uma espécie de inversão do ser físico e psíquico, completamente revolucionado, atingindo estados supranaturais, mas onde a ordem original é totalmente invertida. Assim, um por um, os 7 chakras podem ser desbloqueados.

O yoga, meditação transcendental, técnicas de meditação zen – oriental são muito atraentes. Neles como nas orações cristãs, busca-se uma grande sede do Absoluto e de Paz. Mas, os caminhos divergem: nas técnicas orientais, trata-se de entrar cada vez mais em si mesmo, pela própria força, até atingir uma espécie de fusão no Todo, um sentimento muito intenso de existir; nessa experiência, não há lugar para o outro, enquanto o relacionamento com Deus no cristianismo é uma comunhão, não uma fusão.

As técnicas que são naturalmente místicas – como a meditação oriental – podem levar a experiências muito poderosas, mas será que elas oferecem paz e serenidade? Existe o grande risco de confundir a serenidade produzida por certos exercícios respiratórios, certas posturas, com uma paz autêntica. Os estados alterados de consciência são obtidos, como o nome sugere, por técnicas que atuam tanto no corpo – drogas alucinogénias, mas também por posturas de ioga, exercícios de controlo da respiração – seja no psiquismo – técnicas de concentração – e induzindo alterações no estado usual de consciência. A descrição desses estados é sempre feita como uma experiência de fusão do sujeito no Todo. Estas são técnicas que podem diluir a consciência pessoal, um meio de introspeção e não uma experiência interpessoal, são experiências psíquicas e não espirituais. Claro que o yoga é panteísta (Deus é tudo e tudo é Deus).

A iniciação provoca a famosa iluminação, essa falsa luz que atravessa todo o ser e o transforma noutro ser cada vez mais incapaz de compreender o amor em Deus e se encontrar impelido para um mundo escuro, onde se torna o joguete de forças das trevas.

O yoga (como o Zen e a meditação transcendental) pode parecer inofensivo se não for usado para a transmissão de uma influência espiritual equívoca, como a de um todo iniciático. O mantra é a pequena fórmula secreta que o mestre comunica oralmente na privacidade de uma cerimónia iniciática destinada a fazer de nós uma extensão de si mesmo, permitindo-lhe aceder aos nossos tesouros espirituais, pois uma extensão de nosso organismo, estará sempre, sutilmente ligado a ele por elos invisíveis, mas reais.

O poder do mestre ou guru é o resultado da eficácia de uma iniciação superior, numa participação em troca de uma entrega da alma. Provocado o vazio, a alma afasta-se do tempo, o yoga recusa o tempo, porque é o sinal da Criação Divina. O misticismo cristão faz do tempo um meio privilegiado de progresso em direção a Deus.

Já vi cristãos fazerem sessões de yoga e acreditar que estão a melhorar as suas vidas, concentrando as suas “energias vitais” nos chakras e pedras como cristais durante as meditações para ter “boas vibrações” e ter uma renovação de energia. Porém, a realização dessas práticas espirituais orientais coloca as pessoas que as praticam em contato com o mundo das trevas, convidam seres demoníacos para as habitar. Isto pode causar danos significativos ao físico e também à vida espiritual. Integrando essas práticas na vida, também estamos a convidar essas entidades demoníacas para a nossa casa e para a nossa família. Os demónios usam a energia como uma das maneiras de se moverem de um lugar para outro, para se transferirem de pessoa para pessoa. Não será prudente concluir que, embora essas energias naturais não sejam aparentemente más, elas podem ser manipuladas por entidades espirituais com as quais é melhor não nos associarmos? Joseph-Marie Verlinde, Doutor em Ciências Físicas e pesquisador do F.N.R.S. (Fundo Nacional de Pesquisa Científica, Bélgica), desistiu de tudo para se tornar discípulo de um grande guru hindu Maharashi Manesh Yogi (o guru dos famosos Beatles). Foi um seguidor do New Age através das meditações orientais (“transcendentais”). Permaneceu durante três anos como secretário particular do guru, porém abandonou-o ao tomar conhecimento de uma “sutil alienação das práticas ocultas”. No seu livro “A Experiência Proibida” ele conta duma forma exemplar toda experiência por que passou.

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