Hérnia Discal – O Diagnóstico que nem sempre significa doença

 Hérnia Discal – O Diagnóstico que nem sempre significa doença

Imagem IA

Soraia Fernandes
Fisioterapeuta
FisioNova

Recebeu um diagnóstico de hérnia discal? Respire fundo, antes de entrar em pânico precisa de ler isto! Pode mudar completamente a forma como vê sua coluna. Primeiro é mais comum do que pensa, ter uma hérnia ou “degeneração discal” é muito comum, na verdade muitas pessoas têm estas alterações e não sentem qualquer dor. Tal como as rugas na pele estas mudanças fazem parte do envelhecimento normal, uma alteração no exame de imagem não significa automaticamente que encontrou a causa da sua dor.

Mas o que dizem afinal os estudos? Um grande estudo publicado na vista científica American Journal of Neuroradiology analisou pessoas SEM dor e os resultados surpreendem:  aos 20 anos 37% das pessoas avaliadas tinham degeneração discal e 30% tem abaulamento do disco, de entre as pessoas com 50 anos avaliadas, 80% tinha degeneração discal e 60% abaulamento do disco, e de entre as pessoas com 80 anos, 96% das pessoas  tinham degeneração discal e 84% tinham abaulamento do disco. Impressionante não é? E relembro que nenhuma das pessoas avaliadas tinha dor.

Ou seja, estes achados são comuns e esperados pela idade e nem sempre representam doença ou lesão. A boa notícia é que o corpo sabe o que deve fazer, a ideia de que a hérnia é para sempre é um mito. Cerca de 66% de das hérnias regridem espontaneamente geralmente entre 3 meses a 1 ano. O corpo tem mecanismos naturais de reparação e absorção. O seu corpo não está estragado, está a adaptar-se! Parece estranho mas é verdade, quanto maior a hérnia maior a probabilidade de regressão ou seja nem sempre “maior” significa “pior prognóstico”. A dor lombar não depende apenas de um disco, ela é influenciada por vários fatores nomeadamente fatores físicos, stress, falta de sono, as próprias emoções da pessoa e o medo movimento, chamamos a isto modelo Biopsicossocial e a imagem é apenas uma peça do puzzle não é o puzzle inteiro.

A mensagem que quero deixar é que cerca de 97% dos casos melhoram com tratamento de conservador ou seja fisioterapia, por isso movimento é recuperação e confiança. Se tem dor lombar a fisioterapia construirá   um plano adaptado a si. Não se esqueça: a sua coluna é forte e o seu corpo é resiliente.

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