Gestão de investimentos: Constituição e repartição do nosso património financeiro
Gestão de investimentos: Constituição e repartição do nosso património financeiro

Estimado Leitor,
Nos dois últimos artigos entrámos na área da gestão de poupanças e investimentos. Em primeiro lugar, identificámos os “protagonistas” (tipos de perfis de investidor) e, de seguida, apontámos o “terreno” em que os mesmos se movimentam (riscos financeiros associados aos produtos subscritos).
Na presente publicação, e ainda antes de iniciarmos a abordagem aos diversos produtos financeiros disponíveis no mercado (modo de funcionamento, especificidades, riscos associados, … ), vamos fornecer algumas instruções práticas (“dicas”) sobre a forma de gerir e repartir o nosso património financeiro, numa ótica de curto, médio e longo prazo.
Neste âmbito não existem receitas “mágicas”, nem metodologias perfeitas, os tópicos a seguir apresentados pretendem apenas funcionar como linha de orientação e/ou recomendações, a utilizar nos momentos em que constituirmos ou reforçarmos, de forma gradual, a nossa carteira de poupanças e investimentos.
Efetuada esta introdução, em linhas gerais, consideramos importante destacar que o nosso património financeiro deve ser constituído por três componentes principais:
- Fundo de emergência (Proteção a curto prazo)
- Investimentos (numa ótica de médio/longo prazo)
- Poupanças (numa ótica de longo prazo, com principal destaque para a Reforma)
1. FUNDO DE EMERGÊNCIA (PROTEÇÃO A CURTO PRAZO)
O que significa? Como deve ser constituído? Aspetos a ter em consideração?
O Fundo de Emergência representa uma reserva financeira destinada a suportar despesas inesperadas (saúde, acidente, obras, desemprego, avaria, … ), tendo como principais objetivos evitar endividamento com recurso a crédito (com juros elevados) bem como garantir estabilidade e segurança em momentos de crise.
Este Fundo deverá representar um suporte financeiro para 3 (mínimo), 6 ou 12 (idealmente) meses (ou seja, deverá significar 3, 6 ou 12 meses de despesas do agregado familiar ou do seu rendimento habitual).
Um princípio ponderado revela que a sua constituição deverá ter como base títulos de curto / médio prazo, com baixo risco financeiro, segurança e elevada liquidez, o que se traduzirá necessariamente numa rentabilidade pouco ambiciosa.
Com base nestes pressupostos, os produtos adequados para o efeito deverão passar, essencialmente, por Depósitos Bancários e Certificados de Aforro.
Peso desta 1ª componente: X%
2. INVESTIMENTOS (NUMA ÓTICA DE MÉDIO/LONGO PRAZO)
Após a prévia e necessária constituição do Fundo de Emergência, devemos entrar noutra área, projetando investimentos numa ótica de maior prazo.
A que produtos, características e especificidades nos estamos a referir?
Os produtos a subscrever deverão apontar para Ações, Obrigações, ETF, …, e outros de risco e funcionamento similar.
A ótica com que contratamos estes ativos deve visar o Médio / Longo Prazo.
Ao nível das características desta componente da carteira, devemos destacar risco financeiro médio, liquidez variável e maior expetativa de rentabilidade, numa ótica de médio e longo prazo, sabendo que a volatilidade ao longo desse período poderá ter algum significado.
Peso desta 2ª componente: Y%
3. POUPANÇAS A LONGO PRAZO (COM DESTAQUE PARA A SITUAÇÃO DE REFORMA)
Projetando agora o nosso futuro a Longo Prazo, com particular destaque para a Reforma, vamos fornecer algumas instruções sobre os produtos adequados, riscos associados, rentabilidade, …
Neste âmbito, seria importante destacar:
– Os produtos a subscrever poderão apontar para PPR (Planos Poupança Reforma), Fundos de Pensões, Seguros de Poupança, …
– Estamos a tratar de ativos que deverão ser contratados numa ótica de Longo Prazo, reconhecendo a sua limitada liquidez a curto e médio prazo.
– Subscrevendo estas soluções, poderemos beneficiar de algumas vantagens fiscais (quer à entrada – subscrição, quer à saída – reembolso).
– Ao nível do risco e rentabilidade, diríamos que estamos perante um risco controlado (se apostarmos nalguma diversificação) e uma rentabilidade variável (dependente do nível de risco assumido).
– Costuma afirmar-se que, em produtos para a reforma, não se deve assumir grande risco (“não devemos brincar com as nossas reformas e com o nosso futuro”), mas também é verdade que assumir algum risco poderá potenciar uma reforma mais digna e confortável (o “segredo” está em encontrar o ponto de equilíbrio adequado).
Peso desta 3ª componente: Z%
Efetuada a abordagem às 3 componentes que devemos ter em mente, quando constituímos o nosso Património Financeiro, a questão que certamente se coloca agora é a seguinte:
– Quais os valores adequados para X, Y e Z? Ou seja, quais os “pesos” corretos para cada uma das 3 componentes da nossa carteira de poupanças e investimentos?
– Não existe uma resposta exata. A solução final poderá depender de variados fatores, tais como:
a) Dimensão do património financeiro:
Se o valor for reduzido, poderá apenas suportar o Fundo de Emergência, e ainda não existir “margem” para pensar nos passos seguintes.
b) Perfil de risco de investidor:
Um investidor com perfil conservador, mesmo após a constituição do Fundo de Emergência, continuará a “refugiar-se” em títulos de baixo risco financeiro. Um investidor mais arrojado segue logo para outro tipo de investimentos, para tentar obter ganhos reais (superiores à inflação) a médio prazo.
c) Fase do ciclo de vida:
As necessidades são muito diferentes tal como as perspetivas a médio / longo prazo.
d) Contexto do mercado financeiro:
Em momentos de forte instabilidade, como o que vivemos atualmente, poderá haver tendência para alguma retração ou prudência. Ou … até arriscar mais, numa ótica de futuro a médio / longo prazo.
Hoje ficaremos por aqui, o presente artigo já vai extenso. Esperamos que o mesmo, apesar de simples, tenha sido do vosso agrado e possa ter alguma utilidade, quando tiverem este tema “em cima da mesa”, seja no início da vossa “aventura financeira”, seja nas naturais reformulações que vão ocorrendo ao longo da nossa vida.
Na próxima publicação iniciaremos a abordagem aos produtos financeiros disponíveis no mercado, começando pelo mais conhecido, comum e tradicional. Estamos a referir-nos aos Depósitos Bancários.
Boa análise e até breve

