A Pandemia somos nós

 A Pandemia somos nós

Faz agora um ano que a Covid 19 entrou nas nossas vidas de uma forma que nenhum de nós imaginaria. Alguns até viram uma excelente oportunidade para a nossa agricultura.

Desconhecido de toda a comunidade científica, foi alvo de todo o tipo de especulações. Gerado por um morcego ou por um laboratório de guerra química, há versões à medida de cada romancista.

A verdade é que contra as previsões iniciais das autoridades de saúde, acaba por se estender a todo o mundo. Pela Europa fustigou especialmente Itália e Espanha. Por cá o vírus foi-se
inicialmente mantendo pelo “Norte mais analfabeto” até se estender em força às gentes “cultas e letradas” da capital.

Os confinamentos e medidas para conter o “bicho”, foram muitas vezes tomados mais ao sabor de compotas do que critérios consensuais e objetivos. Primeiro, foi o país que voluntariamente confinou, o governo dizia que tínhamos que estar ON. Depois o governo manda confinar e até gambuzinos na ponta de uma trela se levam a passear. Por motivos sanitários, diziam-nos os políticos, desconfinaram-se os reclusos. Por motivos sanitários, diziam-nos os mesmos políticos, confinaram-se os pequenos comércios.

Diziam os deputados que o “milagre português” era proporcional ao azar do vírus. Devia-se ao facto de “encontrar pela frente um povo experimentado e um governo capaz”. A sorte era tanta que gozávamos com os Suecos e chamávamos criminosos a Bolsonaro e a Trump. Os agitadores do costume gritavam pela falta de oxigénio em Manaus, mas não viam a sua própria casa a “arder”. Em menos de um ano o “milagre” vira a pesadelo de pior país do mundo.

As forças armadas, chamadas a ajudar, são detidos pela PSP por falta de licença de uso e porte de arma. Nunca Raul Solnado teria pensado em ver a sua rábula feita realidade.

Os “milhões” para combater a pandemia permitem-se a todo o tipo de ajustes diretos. Os Chineses agradecem tamanha “generosidade”.

Chegam as esperadas vacinas. PSP e GNR disputam visibilidade na estrada e entregam as vacinas diretamente aos bandidos. Nunca as sobras de alguma coisa foram tão disputadas. Os casos de compadrio somam-se, propagam-se a um ritmo alucinante. Também, quem é que manda contratar administrativos que confundem domésticas com médicas? O coordenador do plano nacional de vacinação diz que tomar a vacina indevidamente só é imoral para meio milhão de almas. Aos outros nove milhões e meio pede paciência e compreensão, afinal a corrupção e favorecimentos ilegais fazem parte do nosso AND. Felizmente o coordenador vai embora…

Aos profissionais de saúde, sejam médicos, enfermeiros ou todos os outros sempre esquecidos, aos que nos lares da terceira idade continuaram a garantir um fim de vida digno a quem quer viver até ao fim da vida, agradecemos com show de bola, petiscos nas adegas esquemas para ir à praia e…eutanásia.

O vírus pode ter vindo da China, mas a pandemia há muito tempo que está instalada na nossa sociedade.

Para terminar, deixo-vos como reflexão, as palavras de um HOMEM MAIOR em dignidade e carácter, raro exemplo de cidadania, capaz de defender o bem da humanidade mesmo com o sacrifício da sua própria vida.

“Nós, os velhos, vamos ser os primeiros a dar o exemplo. Não saímos de casa, recorremos sistematicamente aos cuidados que nos são indicados e mais, quando chegarmos ao hospital, se necessário oferecemos o nosso ventilador ao homem que tem mulher e filhos”

General Ramalho Eanes, 2/4/2020

João Paulo Marrocano

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