Todos vivos, muitos a sofrer

 Todos vivos, muitos a sofrer

Vai chegar o mês de novembro e com ele a Solenidade de Todos os Santos, no dia 1. Logo a seguir, no dia 2, a Comemoração dos Fiéis Defuntos, mês que, na tradição da Igreja, é dedicado à oração pelos defuntos, por aqueles que já partiram deste mundo, como se reza na liturgia, um mês cheio de ensinamentos.

Todos estamos vivos, aqueles que ainda não fizeram a passagem para a vida eterna, a que chamamos morte, outros que já viveram essa passagem para a eternidade. Todos estão vivos. Nascemos para viver. Existimos desde toda a eternidade no pensamento de Deus, somos imortais. Deus partilhou connosco a sua vida e a nossa alma espiritual e imortal, a nossa pessoa, vive para sempre. Na verdade, se tudo acabasse com a morte, não precisávamos de rezar pelos defuntos, nem podíamos venerar os santos, porque já não existiam. Mas todos, crentes e não crentes, toda a pessoa humana, nascemos imortais, vivemos para sempre. Com a morte, a vida não acaba, apenas se transforma.

Os defuntos que não estavam preparados e purificados para passar à comunhão plena com Deus, continuando vivos, precisam da nossa oração e da nossa caridade fraterna. Em comunhão com eles, rezamos para que a posse plena de Deus, a participação plena da festa que nunca mais terá fim seja rápida.

Chamamos purgatório a esse estado de purificação em que os defuntos se vão preparando para possuir a glória e participar de um modo pleno da Vida e da Ressurreição de Jesus, da comunhão com Deus. É um dever fraterno rezar pelos que já partiram, pois, estando vivos e em estado de purificação, necessitam da nossa ajuda e caridade, da nossa oração, dos nossos sufrágios. O seu estado é de sofrimento por não poderem estar plena e gozosamente com Deus e estarem a purificar-se das suas culpas e fragilidades.

Além disso, muitos homens e mulheres já sofreram, neste mundo, o seu purgatório, ou pelo menos parte dele, com tanto sofrimento, tanta dor, doenças incuráveis, fome e sede, perseguição e cadeia, calúnias e todo o tipo de maus tratos. Purgatório que é também o seu sofrimento interior, a sua luta pela santidade, o peso diário da sua cruz e do seu trabalho, a vivencia em desertos sem amor, sem fé, sem esperança e sem Deus. Devemos ter consciência que parte do purgatório e, porventura, a participação dos sofrimentos de Cristo se vive aqui e agora, consoante a vida e circunstancias sociais e familiares de cada pessoa que sabe sofrer unida a Jesus.

Oferecer pelos nossos defuntos este nosso “purgatório” de vida, este vale de lágrimas, é um enorme acto de caridade e de comunhão que ajuda a libertar das penas do purgatório. Mais do que oferecer flores nas campas, os nossos queridos defuntos merecem e precisam das nossas orações, das missas oferecidas, dos nossos actos de caridade, da nossa comunhão com eles. A Igreja reza cada dia pelos defuntos ao recordá-los em cada Eucaristia, onde o amor de Deus e o Sangue Precioso de Jesus a todos vai purificando.

*Padre Luís Manuel Bairrada

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