Temos de Acreditar

Temos de Acreditar
Maria Helena Paes

Devo ter tido um sonho menos bom porque acordei imbuída da vontade de ir fazer mais uma caminhada à beira-rio. Ver as suas águas azuis. O céu igualmente azul. A natureza em todo o seu esplendor. O sol que aquece o coração e nos faz sentir a presença de Deus, nosso Pai do Céu. As gaivotas a esvoaçar, algum barco ou navio a cruzarem o rio… Como é bom e reconfortante sentir a brisa do rio que se junta à que vem do mar transportadora de um cheiro intenso a maresia. Surgem os sonhos, a vontade de narrar. Tudo nos parece mais claro e situado no tempo. As férias na praia tinham sido adiadas por tempo indeterminado. Sentia muita necessidade de usufruir do sol. Logo, logo, não tarda o outono a chegar… O melhor mesmo é aproveitar o tempo presente face à imprevisibilidade do futuro. Também é muito bom juntar as nossas lágrimas invisíveis, bem escondidas no recôndito do nosso coração, às águas do rio que irão desaguar no oceano levando as nossas dores e penas.

O Papa Francisco recentemente referiu:

“Só Ele alimenta as nossas almas, só Ele nos perdoa daquele mal que nós próprios não podemos vencer, só Ele nos faz sentir amados… só Ele dá ao coração a paz que busca, só Ele nos dá a vida eterna quando a vida aqui terminar”.

E na verdade tudo tem o seu tempo. Saí de casa sem rumo, sabendo unicamente que queria ir à beira-rio. De repente, lembrei-me que alguém me falara de uma nova zona pedonal, na denominada Doca da Marinha, inaugurada recentemente, situada entre a Estação de Santa Apolónia, e o Terreiro do Paço. Apanhei o Metro e aí vou eu. Deparei-me com um espaço muito amplo, mesmo ao lado do Rio Tejo, com uma vista fantástica sobre a velha e radiosa Alfama de um lado e no lado oposto o majestoso Rio Tejo. Dei por mim encantada, a sentir o calor do sol e a brisa do mar, sentada numa cadeira existente quase em cima do rio, sem ninguém ao meu redor. Que bom, que momento de felicidade, de bem-estar. A imaginação já fluía a rodos. Em frente, o rio Tejo, do outro lado, um cais com alguns barcos. Um deles, com um nome gravado muito curioso: “Sejas Feliz!” E estava mesmo a ser, ainda que fosse só por alguns momentos. Regressei ao caminho pedonal face ao calor que se fazia sentir. As árvores recentemente plantadas já davam alguma sombra. Também existia um caminho para as bicicletas, com esplanadas, um restaurante ainda em construção. Gostei muito. Correspondia ao que me tinham referido. Unicamente com muito pouco movimento. Não havia navios atracados, nem turistas, apenas algumas pessoas a fazer desporto. Cheguei ao Terreiro do Paço, ao Cais das Colunas, o meu espaço preferido de Lisboa, que me causa uma sensação de liberdade ímpar, com a visualização do Cristo-Rei que abençoa a cidade de Lisboa e a todos nós, e a ponte 25 de Abril. Já havia aqui mais movimento, alguns estrangeiros de diferentes nacionalidades e também portugueses em férias. Decidi fazer uma curta paragem para tomar um café na esplanada do Restaurante Martinho da Arcada, talvez pela sua história, palco outrora de tertúlias e da frequência de ilustres escritores e poetas. Fiquei feliz por sentir alguma retoma ainda que envergonhada. Confirmei junto do empregado que serviu o café e que se mostrava esperançoso e positivo referindo: “Temos de acreditar!”.

Regressei a casa mais relaxada com o que me foi dado a observar. Mais um espaço com qualidade para se usufruir perto do rio Tejo.

Por ironia do destino recebo um e-mail da Chiado Books a convidar-me para participar com um conto ou um verso numa Antologia da Literatura Contemporânea, que a editora tenciona lançar ainda durante o mês de Agosto, denominada “Alma de Mar”, reconhecendo que o mar, juntamente com a língua portuguesas são dos maiores valores que Portugal possui. De bom grado aceitei o desafio tendo optado por enviar um conto, que já fora analisado e aceite, fazendo parte, se Deus quiser, dessa Antologia. O Papa Francisco fala muito de esperança, estimulando-nos a olhar com novos olhos para a nossa existência, principalmente agora que estamos submetidos a uma dura prova, e fitá-la através dos olhos de Jesus, o “autor da esperança”. Na realidade, a verdade suprema é o amor do Pai, luz de esperança, que nos concede as forças necessárias para ir superando as diferentes crises que se nos apresentam.

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