Proença-a-Nova: Unidade Móvel de Saúde partilhou boas práticas
Sinodalizar é tarefa quotidiana e respeitosa

Dom Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco
A JMJ, segundo o meu entendimento e nestes tempos mais chegados, foi um exemplo magnífico de sinodalidade, desde as cúpulas mais altas da organização – civis, religiosas, militares, sociais e académicas -, às bases mais básicas, incluindo os jovens, as famílias, as instituições, os movimentos e as comunidades paroquiais, unindo vontades, competências e sinergias.
Todos se escutavam para discernir o melhor e, com imensa alegria e empenho, se meter as mãos à obra, em busca dum resultado conjunto e belo.
Em janeiro deste ano, em Fátima, decorreu o primeiro Encontro Sinodal Nacional, com cerca de 300 participantes, gente empenhada de todas as dioceses portuguesas.
O propósito deste encontro foi o de, tendo como base o Documento Final do Sínodo, discernir e inserir, nas Igrejas locais, a transformação sinodal proposta para toda a Igreja.
Não sendo uma opção, mas uma caraterística essencial da Igreja, a sinodalidade não só implica uma mudança de mentalidade e de ação, como também implica uma espiritualidade que leve à ação, à compaixão e à solidariedade, sem descurar a formação contínua em chave missionária, com abertura à sociedade e ao diálogo com a cultura, nomeadamente com as periferias, em especial com os migrantes, sem medo da novidade e de arriscar em busca de novas formas de agir, aprofundando a espiritualidade batismal e potenciando a escuta e a conversação no Espírito.
Já neste mês de junho, mais uma vez em Fátima, decorreram as Jornadas Pastorais do Episcopado com a participação de representantes das equipas sinodais diocesanas, dos órgãos nacionais da Conferência Episcopal Portuguesa, bem como com membros dos Movimentos e dos Institutos Religiosos e Seculares.
Como lemos no Comunicado Final, mais do que um encontro de balanço, estas jornadas procuraram ser um verdadeiro exercício de sinodalidade, onde, cada voz, a partir do seu Batismo, foi chamada a contribuir para a construção de uma Igreja que caminha junta, em permanente conversão e aberta ao Espírito.
A partilha revelou a riqueza do sensus fidei do Povo de Deus, manifestando um autêntico desejo de se aprofundar e alargar os horizontes do caminho sinodal.
Identificaram-se e destacaram-se dimensões importantes, sem esquecer a “dimensão pastoral, que apela à ousadia missionária; a fraterna e comunitária, que exige a reconciliação e o cuidado nas relações; a ontológica, que reconhece a necessidade de autoconhecimento para a verdadeira entrega; a formativa, que aponta a urgência de formar para a sinodalidade; a ministerial, que valoriza os diversos carismas e vocações na Igreja; a histórica, que convida a ler com sabedoria os sinais dos tempos; e a contemplativa, que recorda que a oração partilhada é o coração do discernimento comum”.
Sem pretensão de esgotar a riqueza do tema, estas dimensões apontam para uma espiritualidade encarnada, dialogante e atenta à realidade concreta das comunidades.
Foi bom constatar que todas as Dioceses estão envolvidas neste caminho sinodal, com ritmos e metodologias próprias, na certeza de que o caminho se faz caminhando, o qual não é isento de alguns solavancos como as resistências culturais, a falta de tempo e de meios, as dificuldades de comunicação, o cansaço institucional ou pessoal.
A atualização e o funcionamento das estruturas; uma comunicação mais atenta e presente; uma maior transparência na prestação de contas em todos os âmbitos do fazer; uma maior articulação entre as estruturas nacionais, diocesanas e outras; a revisão de estatutos que conjuguem diversas vocações, experiências e saberes da vida eclesial, valorizando tanto as competências técnicas como a maturidade espiritual; o delinear, a nível nacional, algumas linhas programáticas comuns para a ação pastoral da Igreja em Portugal; a partilha de boas práticas entre todas as instâncias; a construção conjunta de projetos pastorais, reunindo sinergias, convergências e espírito de unidade, sem sufocar a legítima diversidade; e a cultura de avaliar para crescer, de escutar para corrigir, de discernir para decidir em comunhão também foram questões em cima da mesa.
Olhamos estas Jornadas num horizonte de esperança e de compromisso renovado, pois, a sinodalidade, segundo o Papa Leão XIV “deve-se tornar mentalidade, no coração, nos processos de decisão e nos modos de agir”.
Caminhar juntos, escutar com mais profundidade, discernir com o coração e decidir com humildade é o desafio que brota do Evangelho e do sopro do Espírito, exigindo coragem, conversão e perseverança.
*Dom Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco, 20-06-2025
