Beira Baixa: Comissão Sub‑Regional aprova Programa de Ação para a Gestão Integrada de Fogos Rurais
Sertã: Prevenção continua a ser a melhor arma contra os incêndios rurais

A prevenção, a preparação das comunidades e a adoção de comportamentos responsáveis são fatores determinantes para reduzir o risco de incêndios rurais. A mensagem foi reforçada nas Sessões de Resiliência ReHubs, realizadas em Cernache do Bonjardim e na Sertã, onde especialistas e responsáveis locais alertaram para a importância da gestão da vegetação, da autoproteção e do envolvimento da população.
As iniciativas, promovidas pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e pela VOST Portugal – Voluntários Digitais em Situações de Emergência –, em parceria com o Município da Sertã, reuniram cidadãos para esclarecer dúvidas sobre prevenção de incêndios e divulgar boas práticas de segurança.
Segundo a informação apresentada durante as sessões, cerca de 98% dos incêndios rurais em Portugal têm origem humana, sendo a maioria provocada por comportamentos negligentes relacionados com o uso do fogo. Por essa razão, os promotores defenderam que a prevenção continua a ser a forma mais eficaz de diminuir o número de ocorrências.
Entre as medidas consideradas essenciais está a gestão da vegetação e a limpeza dos terrenos, obrigatória numa faixa de 50 metros em redor de habitações, armazéns, estaleiros e outras edificações, bem como de 100 metros à volta de aglomerados populacionais e instalações. Sempre que os proprietários de terrenos vizinhos não cumpram essa obrigação, a situação deve ser comunicada ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR), entidade competente para atuar nestes casos.
Durante as sessões foi ainda destacada a necessidade de controlar espécies invasoras, como as acácias, consideradas altamente inflamáveis e responsáveis pelo aumento do risco de propagação dos incêndios, além do impacto negativo que têm na biodiversidade.
Em contrapartida, foi sublinhada a importância da preservação de espécies autóctones, como o sobreiro e a azinheira, árvores mais resistentes ao fogo e que, quando corretamente geridas, podem funcionar como barreiras naturais à propagação das chamas.
Como agir perante um incêndio
Além da prevenção, os participantes receberam orientações sobre a atuação em caso de incêndio.
Jorge Gomes, da VOST Portugal, alertou que os cidadãos não devem tentar combater um incêndio pelos próprios meios.
“Nunca devemos achar que conseguimos dominar um incêndio com os meios que temos em casa.”
O responsável explicou que a primeira ação deve ser contactar o 112, fornecendo, sempre que possível, a localização exata da ocorrência. Caso não seja possível indicar as coordenadas geográficas, devem ser comunicados elementos como o distrito, concelho, freguesia, localidade ou outros pontos de referência, bem como uma descrição da situação observada.
Após o alerta às autoridades, a prioridade deve ser a autoproteção. Os cidadãos devem afastar-se para uma zona segura, evitar aproximar-se das chamas para captar fotografias ou vídeos e retirar as viaturas dos acessos utilizados pelos meios de socorro, facilitando a intervenção das equipas de emergência.
Os promotores salientaram igualmente a importância de cumprir todas as indicações das autoridades de proteção civil.
Comunidade tem papel decisivo
Outro dos temas abordados foi o programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”, criado para aumentar a proteção das populações residentes em zonas rurais sujeitas ao risco de incêndio.
A vereadora da Câmara Municipal da Sertã com os pelouros da Floresta e Proteção Civil, Cristina Nunes, explicou que, apesar das ações de sensibilização desenvolvidas em várias localidades do concelho, apenas a aldeia do Trízio, na União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, integra oficialmente o programa.
Segundo a autarca, a principal dificuldade passa pela inexistência de voluntários para desempenharem a função de Oficial de Segurança Local, elemento responsável por assegurar a ligação entre a população, a junta de freguesia, o município e os agentes de proteção civil.
“Sem esse voluntário, o programa não pode avançar”, afirmou.
Reforçar a cultura de prevenção
As Sessões de Resiliência ReHubs terminaram com um apelo à responsabilidade coletiva, defendendo que a proteção das pessoas começa muito antes da ocorrência de um incêndio.
Os organizadores consideram que a prevenção, o conhecimento do território e a participação ativa das comunidades são fatores essenciais para reduzir o risco de incêndios rurais e aumentar a resiliência das populações.
As sessões integram o Projeto ReHubs, iniciativa europeia que reúne 27 parceiros, entre os quais a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e a VOST Portugal, com o objetivo de promover comunidades mais preparadas para enfrentar situações de emergência.
