Reduzir para a sustentabilidade: Alimentação

 Reduzir para a sustentabilidade: Alimentação

(Imagem do Google)

Olá a todos! Depois de termos falado do primeiro R – Recusar. Iremos começar a jornada do segundo “R”: Reduzir. E quando falamos de reduzir referimo-nos à redução do consumo na generalidade. Parece uma atitude simples mas alerto já o leitor de que há uma imensidão de coisas onde podemos reduzir o consumo.

Assim, convido-vos a começar nesta edição, por um dos sectores onde devemos reduzir: a alimentação.

Atualmente temos capacidade e recursos para alimentar condignamente todas as pessoas no globo, mas não da forma como estamos a consumir. Quando falo em alimentar condignamente refiro-me em alimentar de forma nutritiva todas as pessoas. Não é saudável para ninguém alimentar-se apenas de cereais, por exemplo.

Aos dias de hoje até temos capacidade de alimentar 11 biliões de pessoas, mas não se continuarmos a estragar comida da mesma forma que o estamos a fazer. Um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são desperdiçados, ou seja, gastamos recursos e dinheiro a produzir alimentos, a colhê-los, a transformá-los, a transportá-los, a refrigerá-los e às vezes a cozinhá-los para depois deitarmos 33% para o lixo. E lembro que apesar de termos alimentos para todos, existiam ainda em 2018, 820 milhões de pessoas no mundo a passar fome, e desde 2015 que esse número tem vindo a crescer.

Então a primeira dica que vos trago hoje é combater o desperdício. Fazer um planeamento consciente dos alimentos que precisamos de comprar para que não tenhamos que deitar nada fora, e antes de comprarmos ou cozinharmos mais alimentos devemos verificar o frigorífico. Regra de ouro: não deitar alimentos para o lixo.

A nível global a alimentação constitui um sector com enormes discrepâncias entre o hemisfério norte e o hemisfério sul nomeadamente na qualidade e na produção. Para além disso é um sector que gera grandes emissões de carbono e tem um grande consumo de solo arável e de água.

O problema da insustentabilidade da alimentação está na metade da população do planeta que insiste em alimentar-se de forma exagerada e com recurso a uma quantidade excessiva de carne. Alguns leitores devem lembrar-se de como era o cozido à portuguesa há 40/50 anos atrás. Muitas pessoas me contam que o cozido consistia numa panela cheia de couves e um pedaço de chouriço ou toucinho para dar sabor às mesmas couves. Hoje, em dia de cozido vemos em cima da mesa uma travessa de carne e uma travessa de couves em igual proporção. Assim, não é de estranhar que nos últimos tempos tenha aumentado a incidência de doenças cardiovasculares (enfartes do miocárdio e AVC’s).

Então o que podemos fazer na nossa pequenez? Podemos fazer a diferença pois somos incontornavelmente consumidores de produtos alimentares. Há que mudar comportamentos, é necessário e urgente do ponto de vista ambiental e de saúde pública mudarmos a nossa dieta para dietas mais saudáveis e sustentáveis. Não acha curioso? Se nos alimentarmos de forma saudável também estamos a ser mais sustentáveis para o planeta. Equilíbrio entre sustentabilidade e nutrição. A Eat Lancet Comission (comissão de peritos internacionais) refere que é necessário duplicar o consumo de frutas, vegetais, oleaginosas e leguminosas e reduzir para mais de metade o consumo de carne vermelha e açúcar.

E com esta ultima dica me despeço até à próxima edição onde continuaremos no tema da alimentação.

Até à próxima.

Margarida Ribeiro

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscreva a nossa newsletter