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O Padre Missionário Zé da Zoina

Como aconteceu o chamamento do menino que queria ser Padre
No Jornal de Proença de 27/09/2023 vinha um artigo, de autoria de Margarida Alves, com o seguinte título: «Padre Zé da Zoina concelebrou em Proença».
Felicito os dois: “protagonista” e escritora. É verdade! Todos os participantes naquela Celebração foram tocados!
Por estarmos ainda a viver a semana das Missões é oportuno contar como é que o SENHOR chamou o Padre Zé a ser Missionário.

Padre Zé da Zoina
Conheci-o quando no meu 2º ano de trabalho 1961/62 fui colocada na escola das Cimadas, frequentava ele a quarta classe. Era um excelente aluno e de uma doçura, maturidade e caridade que encantavam. Era um menino/homem, porque com o pai já doente era ele que ajudava a mãe em todos os trabalhos desses tempos.
Acontece que, a certa altura, comecei a notar que se distraia a fixar um postar que existia na parede do lado esquerdo da sala, onde a imagem de JESUS era comtemplada por um menino e cuja legenda dizia: «Não quero ser médico, nem engenheiro, quero ser Padre». Chamava-lhe a atenção e voltava ao seu interesse normal.
Certo dia, como era normal nesse tempo, a escola foi visitada por dois Missionários, que depois de falarem às crianças entregaram-me vários livrinhos que contavam a história de um rapazinho que foi missionário. Distribuí-os pelas crianças, começando pelos da 4ª classe.
Passados poucos dias o Zé deixou de ser o bom aluno que sempre fora, não estudava as lições, não fazia os trabalhos, andava ausente. Chamei a mãe para saber o que se passava.
«A culpa é sua», respondeu prontamente e sem exitar quando lhe pus a questão.
«A culpa é minha, porquê? O que é que eu fiz?
«Deu-lhe aquele livrinho com a história do rapazito que queria ser missionário e ele agora anda sempre com ele, até quando guarda as cabras o leva. De noite, julga que nós já estamos a dormir, levanta-se, deita-se de bruços no chão, acende a candeia e fica a ler, do princípio ao fim. Até já escreveu, em todas as gravuras onde está o rapazito: Zé… Zé… Zé… Está aqui para a senhora professora ver.
Compreendida a situação, conversando, orientando e estando atenta às atitude dele em certas áreas do programa escolar, sempre com a colaboração da mãe e, progressivamente, de muitas outras pessoas, o Padre Zé fez um excelente exame da 4ª classe e entrou no Seminário dos Missionários da Consolata, em outubro do ano seguinte.
A família não tinha meios materiais, mas eram ricos de coração e DEUS providenciou.
Temos muito a aprender e não desprezar o que a história do passado nos ensina.
A professora que “teve a culpa”.
*Maria Albertina
