ORÇAMENTO 2022

ORÇAMENTO 2022

imagem retirada de https://www.occ.pt/pt

António Manuel Silva

Em bom rigor, ainda está no segredo dos deuses o desfecho final da peça. Pelo menos, o cidadão comum não o conhece. Talvez exista quem, nos bastidores, manobre as marionetes e cumpra o seu plano que vai além do Orçamento para 2022… Talvez. A populaça assiste.

Pelo meu lado, sempre que me deparo com cenas deste calibre, recordo um texto que já partilhei em 2019 na minha página pessoal do Facebook.

É de Agostinho de Campos (1870-1944) que foi escritor, jornalista, professor universitário e chegou a director geral da educação entre 1906 e 1910. Foi um espírito inquieto e um cidadão atento que viveu activamente um período muito rico da História portuguesa desde a monarquia e o seu fim, passando pela I República, assistindo ainda à formação e consolidação do salazarismo.

Agostinho de Campos

Nos últimos tempos tenho folheado alguma imprensa escrita publicada durante a I República e estremeço de inquietação quando cotejo algumas cenas da actividade politico-partidária de então com as que vou observando no dias que vão correndo.

100 anos depois! Não foi por acaso que AGOSTINHO DE CAMPOS escreveu nos “Ensaios sobre a Educação”, vol. IV, “A Mãe de Todos os Vícios”:

1 – “ Portugal, pai pródigo, continua a ser devorado pelos seus piores filhos, e a devorar os melhores”;

2 – “Há hoje em Portugal uma grande porção de gente que vive da política, pela política ou para a política, e é orgânica e visceralmente incapaz de exercer uma política moderada, e até de permitir que outros a façam.”

3 – “ Podem os políticos mudar trinta mil vezes o nome à nossa forma de desgoverno; pode a turba daninha de semi-analfabetos enciclopédicos, que são tantos os portugueses que discursam, escrevem e governam, carpir e clamar sobre o analfabetismo do povo, como causa máxima das desgraças pátrias: a verdadeira razão de tais desgraças está no conjunto e na aliança desses pseudo-sábios, desses políticos e desses semi-analfabetos; e na falta de uma classe de criadores de riqueza e ciência, de patrões de trabalho material e intelectual, que se defronte com aqueles e os contenha e detenha no seu muito afã de parasitas, de visionários e de corruptores. O Povo é são e apto; os dirigentes é que não sabem dirigir. Eduquemos a família burguesa para o trabalho; eduquemos as localidades para a descentralização; eduquemo-las sem o Estado, ou apesar do Estado, se preciso for. E deste exigimos apenas, mas com energia e persistência, que distribua menos lugares ao parasitismo e dê, legiferando e regulamentando o menos possível, a verdadeira liberdade aos que trabalham. Que seja, em suma, menos paternal com os vadios, que não merecem ter pai, e com os trabalhadores, que passam bem sem papá.”

4 – “ (Os políticos) tratam do que irrita e desune, do que empobrece e mata. Tratam de fórmulas e não de realidades; dos partidos e não do Todo. Tratam de paixões, de ódios, de doutrinas, de fanatismos, de rivalidades, de ambições. Tratam de “princípios” que nunca “principiam”. Tratam de fins que são só deles – e hão-de por acabar connosco.”

Ai Portugal, Portugal! Uns vão bem … Outros mal!

Se os PARTIDOS políticos não fossem TRIBOS, divididos em CLÃS e subdivididos em FAMÍLIAS, em guerras internas e externas para fazer vencer interesses diversos… Se… O PS e o PSD negociariam uma plataforma em nome da “res publica”.

Esta coisa do bem comum, do interesse público, enfim, do patriotismo, está fora de moda, não é?

Siga a banda! Ao longe já se vão ouvindo acordes da marcha… fúnebre.

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