Opinião: Nunca tantos deveram tanto a tão poucos

Opinião: Nunca tantos deveram tanto a tão poucos
João Paulo Marrocano

O título não é original, foi proferido em primeira mão por Churchill no final da II Guerra Mundial. Com a frase “Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos”. Prestava uma justa homenagem aos pilotos da RAF pelo seu esforço de guerra contra o poderio militar Alemão.

Podia, todavia, muito bem ser o reconhecimento de todos nós aos Homens que há 46 anos colocaram um ponto final na balburdia que o Portugal pós 25 de Abril se tornou. É a esses poucos militares, audazes e corajosos, cujo compromisso de honra com a Pátria não foi infectado com ideologias políticas que devemos a liberdade.

A revolução dos cravos de 1974 rapidamente se transformou num paraíso revolucionário. O PCP, de longe a mais bem organizada estrutura anti salazarismo à data, moveu toda a sua influência para transformar Portugal num satélite da ex. URSS. Em pouco tempo, os quarteis estavam polvilhados de oficiais comunistas quais braços de um tenebroso polvo. A 11 de Março de 75 dá-se o golpe que em definitivo afasta os mais moderados obreiros de Abri de 74. Segue-se o caus, Otelo Saraiva de Carvalho assina ordens de prisão em branco, a maioria das empresas são nacionalizadas, as propriedades agrícolas de maior dimensão são ocupadas. Em toda a sociedade, no geral, reina o medo e o país caminha para se transformar numa Cuba europeia.

O cúmulo é ainda hoje visível num vídeo onde tentam nacionalizar a enxada de um pobre trabalhador. A Portugal regressam milhares de “retornados” cuja visão rasgada rivaliza com o rumo que o país segue e ajuda a equilibrar a balança politica. Se no sul e cintura industrial de Lisboa o comunismo e a anarquia levam `destruição acelerada tudo o que é produtivo, a Norte, com uma população mais conservadora, as sedes comunistas que vão aparecendo são destruídas à bomba.

Chegamos a Novembro de 75 com o país à beira de uma sangrenta guerra civil. A principal indústria acaba praticamente destruída ás mãos dos comités de trabalhadores e a agricultura corporativista acaba assim que nada mais resta para colher nas herdades ocupadas. Álvaro Cunhal, é apesar de tudo um comunista moderado e rapidamente percebe que perdeu o controlo do seu próprio partido. O radicalismo que tomou conta de uma boa parte da sociedade de esquerda coloca o próprio PCP em perigo. Em muito, devemos-lhe também, o evitar de um banho de sangue pois acaba por “ordenar” aos militares que lhe são fiéis para não intervir militarmente. Ainda assim, o dia 25 de Novembro termina com 3 mortos num confronto entre o Regimento de Comandos, que repõe a ordem e a democracia, e o Regimento de Lanceiros, que está afecto à esquerda radical e ditatorial.

Muito devemos também a dois generais beirões, Ramalho Eanes e Pires Veloso. Ambos são determinantes na gestão de posições que se vão extremando entre unidades militares. Ramalho Eanes é um militar muito respeitado na zona de Lisboa. Pies Veloso é determinante no evitar de confronto armado entre forças militares aquarteladas em Vila Nova de Gaia e Porto, terá também um papel fulcral na colocação de unidades de engenharia ao serviço das populações. Ficará por isso conhecido como o “Vice-Rei do Norte”.

Infelizmente, ainda hoje encontramos quem preferiria continuar a viver na ditadura saída do 11 de Março e não na liberdade restituída pelo 25 de Novembro. Infelizmente a maioria do parlamento recusa-se ainda hoje a evocar a data, numa prova inequívoca que a liberdade tanta vez apregoada continua a ser apenas a liberdade que só a eles interessa.

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1 Comentário

  • Bem verdade, a memória anda muita falha para algumas pessoas.
    Excelente artigo que neste momento faz muita falta.

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