Opinião: 1961/2021 os anos do princípio do fim

Opinião: 1961/2021 os anos do princípio do fim
João Paulo Marrocano

1961 foi o ano que marcou o princípio do fim da ditadura Salazarista. Na verdade, nunca na nossa história, tantos acontecimentos decisivos para Portugal tiveram lugar. É certo que o regime só cairia em 1974 mas é a partir de 1961 que os problemas se vão avolumar irreversivelmente.

21 de Janeiro – Henrique Galvão chefia um assalto ao paquete Santa Maria com o objetivo de provocar uma crise política contra o regime de Salazar e de Franco. O grupo, constituído por 24 exilados políticos, Portugueses e Espanhóis, tenta alertar o mundo para as ditaduras na Península Ibérica.

04 de Fevereiro – Com um ataque à cadeia de Luanda e a uma esquadra de policia, onde resultam quatro policias mortos, abre-se a frente de guerra pela independência de Angola, estender-se há a Moçambique e Guiné nos anos seguintes.

04 de Abril – A Assembleia-Geral da ONU aprova uma moção a favor da autodeterminação de Angola. Segue-se uma intensa batalha diplomática entre a ONU, alguns dos seus membros e Portugal a condenar a política ultramarina Portuguesa.

13 de Abril – As chefias das Forças Armadas lideradas por Botelho Moniz tentam depor Salazar através de um Golpe de Estado mas falham. Ficará para a história como a “abrilada”.

10 de Novembro- Um avião da TAP que tinha partido de Casablanca com destino a Lisboa é desviado por um grupo de opositores da ditadura. Obrigam o comandante do aparelho a sobrevoar a baixa altitude Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, onde lançam panfletos contra Salazar, regressando depois a Casablanca, onde os pioneiros piratas do ar regressaram a salvo. Fica para história como o primeiro avião civil a ser desviado por motivos políticos.

18 de Dezembro- A União Indiana invade Goa, Damão e Diu. Desta forma, coloca um ponto final numa anexação começada em 1954 com a integração forçada de Nagar-Aveli e Dadrá.

2021 começa a meio de uma crise pandémica que coloca a nu o frágil Sistema Nacional de Saúde. O desdobrar constante em declarações de maior orçamento de sempre, não consegue mais esconder que estamos também sobre as maiores cativações de sempre. Os sinais preocupam qualquer cidadão minimamente com o estado de saúde a que chegou a saúde do SNS.

Janeiro – Embora a vacinação contra a Covid 19 tivesse tido ainda início nos últimos dias de 2020, foi em Janeiro que os problemas se tornaram evidentes, ninguém ficou indiferente aos constantes atropelos que o processo sofreu. A corrupção, compadrio e tráfico de influências ficou bem patente num simples ato como receber uma vacina.

27 de Maio – O Município de Idanha a Nova atribui aos idosos residentes no concelho um seguro de saúde privado para complementar o péssimo serviço do SNS. Estamos perante um município socialista que não acredita na ideologia politica do seu próprio partido.

06 de Outubro – 87 médicos demitem-se do Centro Hospitalar de Setúbal. Falam em “situação dramática” e “rutura iminente” das condições de trabalho.

07 de Outubro – O Hospital Egas Moniz é noticia pela situação de rotura com transferência de cirurgias para clinicas privadas por este ter entrado em situação de rotura.

25 de Outubro -10 médicos de Medicina Interna com funções de chefia na Urgência do Hospital de Braga apresentaram demissão do cargo em poucos dias. O principal motivo é o constante atropelo aos tempos de descanso. De realçar que esse hospital era gerido por uma parceria público-privada que o tinha colocado como hospital de referência em Portugal. Por pura demagogia política, passou em 2019 para a esfera exclusivamente estatal ganhando em problemas o que perdeu em excelência.

10 de Novembro – Dez chefes de equipa de cirurgia do Hospital de Santa Maria demitem-se em bloco. Cansam-se de ser ignorados durante meses a fio pela tutela perante as péssimas condições de trabalho.

24 de Novembro – A ministra da saúde insinua que os médicos do SNS são pouco resilientes. Nada de mais num país onde o próprio primeiro ministro já os tinha apelidado de “gajos cobardes”.

Será este acumular de problemas no SNS um prenuncio do seu fim? Será o que o seu fim será assinado precisamente por aqueles que tanto gritam em sua defesa? Será que de tanto tentar fazer do SNS a sua bandeira se esquecem de olhar com racionalidade e discernimento para os problemas que enfrenta?

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