Oleiros: Dia Internacional das Montanhas assinalado

 Oleiros: Dia Internacional das Montanhas assinalado

O Município de Oleiros e o Geopark Naturtejo voltaram a assinalar o Dia Internacional das Montanhas, dando destaque ao vasto património da Serra do Muradal, com mais de 300 milhões de anos.

O colóquio que teve lugar no Auditório da Junta de Freguesia de Orvalho reuniu um leque diversificado de oradores e trouxe novas considerações científicas, nas mais variadas áreas, em torno de uma temática que começa a ser percebida como vetor de diferenciação do território.

“O Grande Vale do Zêzere e o Cabeço do Mosqueiro, onde está atualmente um miradouro, são atrações que foram sendo trabalhadas ao longo destes anos, ao mesmo tempo que se estabeleciam percursos pedestres que têm vindo a acrescentar valor às freguesias”

frisou Paulo Urbano, Vereador da Câmara Municipal de Oleiros

O grupo de formações rochosas que integram a “silhueta abrupta e demolidora” como rotulou Orlando Ribeiro, geógrafo, em 1942, formou-se há 300 milhões de anos e conserva atualmente nove dos 15 geossítios e dois dos geomonumentos concelhios.

“A Serra do Muradal é um testemunho antigo destas paisagens, onde existem vestígios de vida de um oceano que já não existe”, recordou Carlos Neto Carvalho, coordenador científico do Geopark Naturtejo, que apontou ainda à importância da paleontologia existente na pedreira Penha Alta e no Portelo. Paulo Félix, da Associação de Estudos de Alto Tejo, falou da posição geoestratégica do Castro do Picoto e de toda a linha defensiva Muradal-Talhadas, onde também existem “baterias e outras construções militares que são tão ou mais importantes quanto as Linhas de Torres, legados que urge preservar”.

A Serra do Muradal e em concreto, o Vale da Cascata da Fraga de Água d´Alta, “é uma janela para uma série de espécies em vias de extinção”, realçou Silvia Ribeiro, da Universidade de Évora que a denominou como a “Floresta da Era Terciária ou Laurissilva”, sendo um “bosque relíquia”, onde azereirais e medronhais revelam elevado “interesse para conservação”.

A finalizar, Pedro Martins, fotógrafo da natureza e há muito um visitante das montanhas de Oleiros, elucidou os presentes sobre os vários tipos de imagens que se podem captar a partir de abrigos e “hides”. Também o potencial paisagístico da região, onde se incluem as paisagens sonoras, ficou demonstrado. O fotógrafo mostrou imagens captadas da flora existente no território, tais como o melro de água, a salamandra lusitânica, plantas insetívoras (como a erva pinheiral orvalhada) ou o lagarto de água de cabeça azul, entre outros.

No final, os participantes puderam ainda contemplar alguns pontos emblemáticos e reconhecer que esta é uma região montanhosa ímpar, onde não faltam variados pontos de interesse, até mesmo científico, bem como argumentos capazes de atrair vários segmentos de turistas e visitantes.

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