Obrigada, meu caro amigo

Obrigada, meu caro amigo
Rita Gonçalves, Gestora do lar e Mãe em full-time

Há pouco tempo, estava num desses almoços de verão entre amigos e numa conversa alguém me chamou “moderna” relativamente aos assuntos de fé. Na altura, não percebi muito bem e continuo a não entender, mas parece-me que não era lá grande elogio. Seja como for, quando estas coisas sucedem, acabam por nos obrigar a uma reflexão sobre determinados assuntos. Como já disse anteriormente, sou uma católica meio trapalhona, mas com a ajuda de muitas almas, lá vou andando.

Sou uma católica do meu tempo porque Deus é o Senhor do Tempo desde sempre. Espero e luto para que a minha trapalhice nunca me leve a negar as verdades de fé que são as mesmas, de acordo com a Revelação de Deus, sendo a mais importante a Vida, Morte e Ressurreição de Jesus. As verdades de Fé chegam até nós pela Tradição Apostólica e pela Sagrada Escritura. Elas estão confiadas à Igreja e a Igreja está confiada ao Papa e a todos nós que nos chamamos Filhos de Deus.

Deus conhece-nos bem. O Criador conhece a criatura até ao último fio do seu cabelo. Certamente que Deus quando me confia uma missão não esquece as minhas limitações, os meus defeitos, as minhas inclinações e até os maus conselhos que podem vir a deturpar a minha visão. E mesmo assim, confia, não desiste de me puxar para altos voos. Tal como sucedeu com os apóstolos, até se costuma dizer que Jesus não era grande especialista em recursos humanos, pois escolheu gente bem estranha. São Pedro negou-O três vezes, Confiou-lhe a Igreja. São Paulo perseguiu os primeiros cristãos, Confiou-lhe a pregação por tantos povos, entre outros exemplos. Para já não falar dos Santos. Lembro-me sempre do Patrono dos Sacerdotes, São João Maria Vianney, analfabeto até aos 17 anos, o pior aluno do seminário.

Tudo isto para dizer que a grandeza da Igreja não depende da grandeza dos seus membros. Depende só na medida em que cada um de nós faz Igreja na sua família, na sua rua, no seu trabalho. A maneira como eu vivo a Eucaristia irradia para os que estão comigo na celebração. Se eu me confesso, sou melhor mãe, melhor amiga, melhor esposa, do que seria se não me confessasse. Mas a Igreja é muito mais do que eu, do que o meu pároco, do que o bispo da minha diocese.

Deus é Amor. A Igreja é amor. Quanto melhor amarmos, quanto mais amarmos, mais amor há na Igreja, mais amor irradia da Igreja para o Mundo.

O Cristão vai à missa para contemplar o Filho de Deus, oculto no Sacrário, para participar no seu Sacrifício, receber o sacramento da Comunhão e crescer em amor a Deus e aos outros.

Percebo agora que aquele meu amigo me chamava moderna também porque não me manifesto contra a comunhão na mão, porque também aprecio cânticos menos solenes e talvez porque manifeste outras ignorâncias piores. Seja como for, esta questão da Comunhão já me inquieta há uns tempos e até pensei pedir ao meu pároco que falasse um pouco sobre o tema, mas antes de o fazer, ponho-me a jeito, arregaço as mangas e escrevo sobre o assunto.

Para um cristão, desde sempre, após a Consagração, o pão e o vinho deixam de ser o que parecem e convertem-se no corpo e sangue de Jesus. É o sacramento da Presença real de Jesus entre nós. Posto isto, tento confessar-me com bastante frequência para ter a minha alma o mais limpa possível para receber Jesus. Não sou adepta de comunhão na mão, prefiro que sejam só as mãos do sacerdote a tocar no Santíssimo, gostaria de me ajoelhar para receber a comunhão, perturba-me ver os membros do coro cantarem a alta voz logo a seguir a terem recebido o Corpo de Jesus e fazer-se da Igreja sala de estar mal sai o Sacerdote ou até antes.

Se calhar, na minha modernice e trapalhice, tinha – me deixado levar pela maioria e tinha ficado sossegada na minha preguiça. Tentarei lutar para contribuir mais para o bem de toda a Igreja, porque não posso esquecer que também eu sou chamada ao “Fazei isto em Memória de Mim” e, por isso, tenho de amar, servir e participar na Sagrada Eucaristia.

Há um verso de Fernando Pessoa que nos abeira de uma verdade ao mesmo tempo óbvia e escondida: nós não medimos apenas a nossa altura, mas sim a altura do que vemos. Assim o que confere dimensão à nossa vida não são os centímetros a mais ou a menos, mas aquilo que colocamos diante do nosso olhar, aquilo com que dialogamos em presença exterior ou internamente.” José Tolentino Mendonça em “O pequeno caminho das grandes perguntas”.

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