O último livro que li

 O último livro que li

Não foi o Código Da Vinci que motivou a tomada de palavra do autor deste livro, Joseph-Marie Verlinde.

No entanto, aquela obra que teve “muito sucesso” foi um bom pretexto para responder ao desafio lançado no início do III milénio por todos aqueles que, no seio da espiritualidade New Age, trabalham na desconstrução do cristianismo, e dos quais Dan Brown é sem dúvida o representante mais talentoso.

«O que choca, ao ler os opositores do cristianismo saídos dos movimentos neognósticos modernos e contemporâneos é, antes de mais, a desconcertante ignorância da proposta cristã de sentido. Ao lerem a doutrina de Cristo através do prisma da gnose, eles passam – voluntariamente ou inconscientemente? – ao lado da essência própria do Evangelho.

Citemos ainda Dom Odon Casel, que denuncia claramente esta confusão subtilmente alimentada pela New Age: “ O cristianismo não é uma `religião´ nem uma `confissão´ na acepção moderna destes termos; isto quer dizer que não é um sistema de verdades especulativas e dogmáticas que se admite e professa, um conjunto de preceitos morais que se observam ou que pelo menos se reconhecem

Não há dúvida de que o cristianismo possui os seus dogmas e lei moral, mas isso não esgota de todo a sua natureza. (…) S. Paulo resume e condensa todo o cristianismo, todo o `Evangelho´, na palavra `Mysterium´. Para o apóstolo, esta palavra não significa apenas um ensinamento escondido e misterioso das coisas divinas. (…)

Este ` Mysterium´ pode ser enunciado numa só palavra, `Christus´(Cl 2,2), designando em simultâneo a pessoa do Salvador e o seu Corpo místico que é a Igreja. Jesus não veio para nos ensinar uma doutrina sobre Deus: Ele é Deus feito homem; ele não veio instaurar um culto ou ritual novo.

Ele é o único sacerdote, a única Oferenda e o único Altar do seu sacrifício perpétuo. O cristão não vê senão em Cristo e naquele que veio revelar: o Pai. E nele, esta adesão crente é fruto da acção do Espírito Santo que Jesus nos enviou a fim de nos introduzir na verdade absoluta (cf. Jo 16,13).»

Esta pequena passagem poderá dar-nos uma ideia do trabalho minucioso do autor para nos esclarecer sobre o paradigma ou modelo proposto pelas correntes do movimento New Age.

Recorda-nos ainda algumas linhas do documento redigido em conjunto pelo Pontifício Conselho para a Cultura e pelo Pontifício Conselho para o Diálogo-Inter-Religioso, Jesus Cristo, Portador de Água Viva, uma reflexão cristã sobre a New Age,2003.

Joseph-Marie Verlinde

Joseph-Marie Verlinde é doutorado em Ciências e foi investigador de Química Nuclear no CNRS. A sua busca do absoluto conduziu-o à meditação transcendental. Viveu na Índia, num ashram, e aí, inesperadamente, descobriu Jesus. Regressou à Europa para estudar Teologia e foi ordenado em 1983. Foi professor de Filosofia da Natureza na Universidade Católica de Lyon e, em 1991, entrou para a Fraternidade Monástica da Família de São José. É autor de vários livros, porém, só este se encontra traduzido em Portugal.

Prior de um mosteiro, ex-professor de Yoga treinado na Índia, adverte: “Não existe yoga cristão, mas há cristãos que fazem yoga”, como um modo de vida, todavia, questiona os argumentos que apresentam o yoga como exercícios simples e benéficos de condicionamento físico e psíquico…

*Maria Susana Mexia

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