Mulher e Mãe do Natal, a plena de graça, Mãe de Deus

Mulher e Mãe do Natal, a plena de graça, Mãe de Deus
Padre Aires Gameiro

Maria foi a Imaculada Conceição para ser a Mulher-Mãe de Deus feito carne, Mãe do Natal, Mãe da Igreja. A Igreja sempre invocou Maria a cheia de graça como o anjo a saudou no primeiro Natal. Foi a Imaculada Conceição desde a primeiro instante do seu ser, já Predestinada a ser Mãe de Deus. Na Anunciação realiza-se pelo Espírito Santo a Encarnação do Filho de Deus, o Menino do Natal, Jesus Cristo da Eucaristia e Redentor da cruz a dar a vida pela redenção de todos e também de Maria, redimida e isenta preventivamente do pecado original.

  S. João de Deus, no século XVI, repetia nas suas cartas: “ Em nome de Nossa Senhora, a Virgem Maria sempre intacta”, como tantos cristãos a saudavam: a não tocada pelo pecado original. O povo cristão sempre acreditou na sempre Virgem Mãe de Jesus, a Theotocos, Mãe de Deus (Conc. de Éfeso, 431),a Assunta ao Céu em corpo e alma na sua dormitio, morte por amor e não como a paga do pecado (Rm 6, 23) como Pio XII assim proclamou (1 nov.1950). E Já no século III os cristãos pediam a “proteção da Santa Mãe de Deus” nos perigos (Sub tuum praesidium).

   Na disputa com os dominicanos Beato João Duns Escoto na Universidade de Paris, em 1305, chamou a este privilégio “redenção preventiva”. Jesus incarnou para salvar a todos do pecado original; e Maria não ficou de fora, mas foi isenta por “redenção preventiva”. Deus é omnipotente, argumentou João Duns Escoto, podia isentar Nossa Senhora; logo, se podia, isentou porque convinha. Seria uma desonra se Jesus fosse gerado por mulher já morada do pecado. Duns Escoto ganhou a disputa. Faleceu em 1308 em Colónia e foi beatificado por S. João Paulo em 1993.

Em Portugal, o povo professou a crença na Imaculada Conceição ao longo da sua história. E as disputas entre Franciscanos e Dominicanos continuaram acesas no século XVII, no reinado de Filipe III em Espanha e entre os estudantes da Universidade de Coimbra em cuja universidade, desde 1646, começarem a jurar defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus antes de tomarem graus académicos. D. João IV entregou-lhe a coroa, como Padroeira e Rainha de Portugal, no dia 25 de março de 1646.

Em 1830, em Paris, Nossa Senhora mostrou o desenho da medalha milagrosa a Catarina Labouré com a oração: “oh Maria concebida sem pecado…” e pediu a sua cunhagem, confirmando assim a crença da Igreja. E Pio IX depois de consultar os bispos do mundo proclamou solenemente a Imaculada Conceição a 8 de Dezembro de 1854 com a bula Inefabilis Deus. A Igreja, o seu povo e os seus mestres tinham vivido esta fé durante tantos séculos agora ela fazia parte da sua identidade doutrinal. Foi uma surpresa que em Lurdes em 1858 Nossa Senhora revelasse o seu nome dizendo: “eu sou a Imaculada Conceição”, expressão que Bernardete não entendeu, mas foi logo, não se esquecesse, comunicar ao pároco que ficou atónito da revelação sublime a uma analfabeta. Nas aparições de Fátima Lúcia ouviu de Nossa Senhora que não temesse pois “o meu Coração Imaculado será o teu refúgio”. E sobre os erros que a Rússia espalharia e os sofrimentos de guerras e perseguições que iria causar, Nossa Senhora pediu oração, conversão e a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, e deixou uma promessa condicionada da conversão da Rússia e que “por fim o meu Coração Imaculado triunfará e haverá paz». Os seus erros e perseguições mantem-se, do Oriente ao Ocidente, misturados de ateísmo, blasfêmias. Os atropelos da guerra, Rússia-Ucrânia, continuam a espalhar males e sofrimento por todo o mundo. Neste Advento, a esperança, a paz e a conversão da Rússia esperam a oração do terço a Maria, a “Cheia de graça, morada do Senhor”, a Virgem do Parto, como canta o Povo Madeirense.

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