Memória do tempo comunitário e o Futuro

O painel de apresentação foi constituído pelo autor do livro, Luís Farinha, pelo presidente da Câmara da Sertã, Carlos Miranda, pela apresentadora do Livro, Raquel Henriques e pelo editor, Fernando Mão de Ferro.
Apresentação do Livro
O livro “Sipote, uma Aldeia do Pinhal” de Luís Farinha foi apresentado na Casa da Cultura da Sertã, às 16h00 do dia 25 de março de 2023.
A apresentação foi um desafio a que o leitor faça Memória da segunda metade do século XX, onde se alimentam as raízes vitais das atuais gerações e em que o tempo (vida) tinha um caráter iminentemente comunitário, para olhar o futuro.
Inquilino do Futuro
Depois dos cumprimentos protocolares que revelam a heterogeneidade da assembleia presente, Carlos Miranda, presidente da Câmara da Sertã, começa por definir a Sertã como a terra verde e azul e dos heróis, Celina e Nuno Álvares Pereira. Afirma que a “a escrita e a leitura são áreas estratégicas, estruturantes e diferenciadoras” para a Câmara da Sertã e que se concretizam em projetos como a Maratona da Leitura, a Biblioandante, o Leitores de Património, o concurso nacional de Leitores em Voz Alta e o trabalho das escolas e associações que a Câmara apoia.
Abordando o livro concretamente, Carlos Miranda afirma que o presidente da Câmara deve ser um inquilino do futuro, mas para isso, cita Natália Correia, e diz que a memória é fundamental para ter imaginação, pensamento, ideias e futuro. “Esta é a força transformadora da memória. Ser revolucionário hoje é trazer a memória”. E é o amor, como energia e força transformadora, a razão que nos faz voltar às raízes, com gratidão.
Um Trabalho de Memória
Fernando Mão de Ferro sublinhou o papel das bibliotecas itinerantes na sua formação pessoal e no trabalho que fazem em levar os livros as aldeias do interior. Sublinhou o trabalho de Luís Farinha como fundador e diretor da Revista História, como coordenador da coleção dos Grandes Vultos da nossa História em colaboração com a Assembleia da República e como colaborador na instalação do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.
Acerca do livro caracteriza-o como um trabalho de memória real e ficcionada… A sua descrição acerca da obra é realista e gera curiosidade para visualizar as cenas cruas e duras vividas pelo Lucas e pela população do Sipote.
Linhas de Leitura
Raquel Henriques foi a primeira pessoa a ler o livro e é uma grande conhecedora do interior do país. É a autora do livro “Castanheira. Gente que resiste.“
Convidada para fazer a apresentação, Raquel Henriques traçou várias linhas de leitura do livro e aguçou a vontade de o devorar. Do olhar e vivências do Lucas, personagem principal, até a releitura social, política e económica do historiador/autor.
As memórias de Luís Farinha
Luís Farinha recordou as danças e o bailes nas eiras e na cabanas do seu tempo de menino. O autor partilhou as suas dificuldades de acompanhar o par quando era convidado para a dança. Assim, convidou o Rancho Folclórico de Cernache do Bonjardim para reproduzir dois fados desse tempo: fado batido e o fado mandado.
Um livro de homenagem
A intervenção do autor dividiu-se em duas partes: a dos agradecimentos e a do livro em si.
Afirma que é um livro de homenagem que retrata o esvaziamento de uma aldeia. A memória é fundamental para haver futuro. Escreve o livro para olhar para o futuro, afirma. Quis mostrar a vida comunitária da década de 60/70 e suscitar esperança, força e acreditar no futuro com aldeias como a do Sipote. “Pelo Futuro”, termina.
Durante a apresentação, Luís Farinha homenageou o pároco da Paróquia de Ermida, à qual pertence a aldeia do Sipote, o Cónego Lúcio Alves Nunes, que se encontrava presente na assembleia, pelo 86º aniversário natalício.
