Literacia Financeira

 Literacia Financeira

Moda ou absoluta necessidade? A resposta é muito clara.

<span class="info-article">Artigo de autoria</span><br/>Paulo Ferreira

Artigo de autoria
Paulo Ferreira

Licenciado em Matemática Aplicada e com pós-graduação em Atuariado e Gestão de Riscos Financeiros. Vem falar-nos sobre Literacia Financeira, numa parceira estabelecida com o Jornal de Proença.

Atualmente em Portugal discute-se muito sobre Literacia Financeira e questiona-se frequentemente se será apenas uma simples moda ou uma absoluta necessidade.

A resposta parece óbvia e clara, já que se trata de uma carência gritante e preocupante, que afeta grande parte da população portuguesa.

Portugal é um dos países da Europa (e do Mundo) com menor índice de Literacia Financeira.

Quando falamos simplesmente de Literacia, recuamos algumas décadas atrás, ao tempo dos nossos pais e avós. Nesses tempos, o nível de analfabetismo era enorme e Literacia significava essencialmente saber ler e escrever (“ básico “ essencial).

Quem dominasse minimamente essas competências conseguia ter uma vida “mais normal“, e com vantagens significativas, em relação aos restantes cidadãos.

O mundo mudou de forma significativa nas últimas décadas, colocam-se agora novos desafios, o tema da Literacia Financeira (ou falta dela) está naturalmente na ordem do dia (podemos considerá-la o novo analfabetismo do século XXI), e constatamos com tristeza e preocupação, que Portugal se encontra na cauda da Europa nesta matéria, o que é altamente preocupante, pelas decisões menos corretas e impacto negativo (por vezes “dramático”) que tal provoca na vida de muitos portugueses, afetando o seu património, nível de endividamento e qualidade de vida.

Isto apesar de uma grande parte dos políticos não pensar desta forma, o que não é assim tão surpreendente, já que sabemos que uma população mais qualificada é naturalmente mais livre e intelectualmente mais independente, o que pode não ser muito conveniente.

Quando falamos de Literacia Financeira, estamos obviamente a referir-nos a princípios e conceitos financeiros, mais concretamente, ao seu conhecimento, análise, interpretação e aplicação prática na tomada de decisões adequadas, que possam contribuir para um impacto positivo na vida e bem-estar das pessoas e famílias.

Inclui competências como gerir orçamentos, aplicar poupanças, controlar investimentos, utilizar o crédito como recurso estratégico, compreender questões fiscais, conhecer os diferentes produtos financeiros e suas especificidades, entre muitas outras questões.

Costuma dizer-se que o dinheiro não provoca saúde nem felicidade, e num certo sentido, entende-se esta afirmação, já que por vezes, muito dinheiro e uma gestão inadequada do mesmo até provoca um efeito contrário. Mas por outro prisma, parece também óbvio que uma gestão equilibrada, saudável e consciente das finanças acaba por ter um papel significativo na tranquilidade, bem-estar e harmonia das famílias.

Para isso, é fundamental um crescimento qualitativo na área da Literacia Financeira, onde Portugal deverá obrigatoriamente subir “alguns patamares“.

Todos os contributos serão insuficientes neste domínio, mas tudo o que possamos fazer, mesmo que tenha a expressão de uma “gota no oceano“, será importante para transmitir conhecimento, despertar consciências, permitir melhores análises, incrementar a prudência e conduzir a melhores decisões.


Este artigo no Jornal de Proença é apenas o “pontapé de saída“ (introdução) de um projeto, que se traduzirá numa série de vários artigos, que serão publicados com periodicidade quinzenal, e onde serão abordados diversos tópicos do interesse geral.

Iniciativa assegurada por Paulo Ferreira
Literacia Financeira | Paulo Ferreira no Jornal de Proença
Paulo Jorge Moreira Ferreira, licenciado em Matemática

Licenciado em Matemática Aplicada e com pós-graduação em Atuariado e Gestão de Riscos Financeiros. Em termos profissionais, depois de uma passagem pelo ensino da Matemática virou-se para a área empresarial, onde trabalhou cerca de 33 anos na multinacional americana Liberty Seguros, e atingiu a posição de Diretor Técnico dos Seguros de Vida e Saúde.

Atualmente, numa fase mais tranquila da sua vida pessoal e profissional, reside na Sertã e tem acompanhado e promovido com atenção e preocupação esta temática da Literacia Financeira, onde tem publicado variados artigos e dinamizado alguns Workshops.

Este projeto insere-se também dentro desse espírito de serviço público. Esperemos que o mesmo seja do agrado dos nossos estimados Leitores e possa ter um impacto positivo nas suas vidas.


Projeto Literacia Financeira

Literacia Financeira é um conceito com uma enorme abrangência e não é viável tratar todos os tópicos inerentes a esta problemática de forma rápida e consistente. Ainda assim, e entre outros, tentaremos abordar de uma forma simples e prática, temas como:

  • 7 mandamentos e 7 pecados mortais da Literacia Financeira
  • Perfis dos investidores financeiros e riscos inerentes aos produtos financeiros
  • Forma de repartição de Poupanças / Investimentos:
    1.  Constituição de Fundo de Emergência a curto prazo para resposta a imprevistos;
    2. Investimentos de médio / longo prazo para “preparação do futuro“;
    3.  Poupanças a longo prazo para uma reforma mais digna e segura.
  • Gestão de orçamento pessoal / familiar:   Regras, conceitos, nosso perfil financeiro (consumidor e bem-estar financeiro), cuidados a ter neste âmbito, …
  • Conceitos úteis no nosso dia a dia:  Taxa juro simples vs taxa de juro composto, taxa de juro bruta vs taxa de juro líquida, taxa de inflação, PIB, deduções fiscais, …
  • Crédito à Habitação e outros:  Euribor, tipos de taxa de juros, vantagens e desvantagens, conceitos relevantes, recomendações, medidas para mitigar cenários de subida de taxas de juro, seguros associados, …
  • PPR (Planos Poupança Reforma):   Vários tipos, objetivos, condições levantamento, exceções à regra, benefícios fiscais, tributação mais valias, …
  • Depósitos Bancários:   Juros, prazos, tributação juros, riscos financeiros associados, fundo garantia para proteção dos consumidores, …
  • Certificados de Aforro:  Prazos, juros, periodicidade, liquidez, tributação mais valias, riscos associados, …

E para os leitores que se considerem investidores com um perfil de risco mais “arrojado” e/ou não pretendam colocar os “ovos todos no mesmo cesto“ (diversificando o risco financeiro), apresentaremos também alguns tópicos adicionais, tais como:

  • Obrigações:   O que são? Entidades emitentes? Como funcionam? Especificidades? Riscos associados?
  • Ações:   O que são?  Como funcionam?  Cuidados a ter na análise e aquisição?  Riscos associados?
  • ETF (Exchange Traded Funds):   O que são?  Como se adquirem?  Ativos envolvidos? Exemplos de ETF`s?  Vantagens/diferenças face a outros títulos?  Riscos associados?
  • Critérios de diversificação do risco e formas práticas de o efetuar.

E para já, ficamos por aqui, sem entrar em mais pormenores.

Como referido, sugerimos que o estimado Leitor aguarde pelos próximos artigos no Jornal de Proença, onde iremos abordando de forma simples, mas com algum detalhe, os tópicos atrás referidos (e outros), que serão certamente do seu interesse, e que terão um papel positivo no seu dia a dia e nas decisões regulares que tenha de tomar neste âmbito mais prático e financeiro.

Até breve…

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