Lançamento da missão espacial Euclid

 Lançamento da missão espacial Euclid

A missão espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), irá penetrar nos últimos 10 mil milhões de anos de história do Universo.

É a primeira missão espacial desenhada para tentar compreender o que está a acelerar a expansão do Universo. A resposta pode implicar modificações ao que sabemos sobre a força da gravidade.

Para isso o telescópio espacial Euclid vai observar durante seis anos mais de um terço do céu – uma área quase 100 vezes superior à área observada pelo Telescópio Espacial Hubble em quase três décadas.

A maior parte do Universo é feita de ingredientes ainda desconhecidos: a matéria escura e a energia escura, duas incógnitas nas atuais cosmologia e física fundamental. O telescópio espacial Euclid irá estudar o lado escuro do Universo através de dois métodos: o desvio da trajetória da luz provocado pela matéria no Universo, e a aglomeração de galáxias. Em conjunto, estes dois métodos irão permitir medir a geometria do Universo e ajudar a esclarecer de que é que este é feito.

Com esta missão se espera mapear a distribuição espacial (a três dimensões) da matéria escura, e também lançar luz sobre o passado, presente e futuro da misteriosa energia escura.

A missão espacial Euclid permitirá construir o mais vasto e exato rastreio tridimensional do Universo alguma vez realizado. Este rastreio irá incluir imagens de milhares de milhões de galáxias, o que ajudará a conhecer, por exemplo, a que velocidade o espaço se expandia em diferentes épocas da história do Universo, ou como é que as galáxias aglomeraram.

Os dados obtidos com o telescópio espacial Euclid permitirão testar ou validar modelos que descrevem o passado e a evolução do Universo como um todo, e reforçar ou redefinir pesquisas correntes sobre uma das forças fundamentais do Universo – a força de gravidade. Permitirão também novos conhecimentos noutros domínios, como a evolução das estrelas em galáxias próximas ou a população de asteroides no Sistema Solar.

Portugal participa no Consórcio Euclid desde 2012. A comunidade científica portuguesa contribuiu com o planeamento completo de todas as cerca de 50 000 observações que serão efetuadas pelo telescópio durante os seis anos da missão.

O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa têm tido um papel central no grupo de rastreios da missão (Euclid Survey Group – ECSURV), tendo produzido o software que gera o cronograma das orientações do telescópio no espaço e os tempos de observação para o calendário da missão.

Após o lançamento do telescópio, este plano de observações passará a ser gerado e atualizado pela equipa de apoio às operações do rastreio (Survey Operations Support Team – SOST) durante toda a duração da missão.

O SOST, liderado pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, entregará regularmente à Agência Espacial Europeia estes planos de observação, que serão usados pelo centro de operações de voo para comandar o telescópio espacial.

O IA coordena também os grupos científicos que irão utilizar os dados obtidos com este telescópio para outros objetivos para além do foco da missão.

Portugal, através do IA, participa também na coordenação de projetos no domínio das lentes gravitacionais, física teórica, e aglomerados de galáxias.

Além disso, desde 2012 que mais de 40 investigadores e alunos de todo o país têm contribuído para a ciência da missão. No futuro muitos mais poderão contribuir através de artigos e teses para a exploração dos dados da missão Euclid.

*Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço

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