Jó, Romance de um homem simples

Jó, Romance de um homem simples

O último livro que li…

Maria Susana Mexia, Professora

O patriarca de uma família judaica, crente, de alma casta e consciência pura, Mendel Singer era um homem fora do vulgar. Vivia na remota localidade Zuchnow, integrada no Império Russo antes da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), sendo, tal como o pai e o avô um professor zeloso, fiel aos sentimentos e cumpridor da oração, transmitindo às crianças os conhecimentos da Bíblia.

A sua mulher Deborah dera-lhe quatro filhos, Jonas, Schemarjah, Mirjam e Menuchim, este último deficiente. Com o avançar do tempo as dificuldades aumentaram, os problemas e os desgostos não cessaram de lhe atormentar a vida. Vacilando na sua fé, deixa de acreditar em Deus, um castigador violento e implacável a Quem já não quer rezar mais.

Num mundo em mudança, parte para a terra prometida de então, a América. Na Europa rebentou primeira guerra mundial, a vida fragmenta-se cada vez mais, os filhos dispersam e o Czar já não reina na Rússia.

Numa época em que Deus é parco em milagres, Mendel é inesperadamente visitado pela mão de Deus que lhe concede uma graça, um milagre, semelhante aos descritos no Velho Testamento. “Embora Deus tudo possa”, começou Menkes, de todos o mais sensato, “há que pôr a hipótese de Ele já não fazer grandes milagres por o mundo já não os merecer. E mesmo que Deus quisesse, no teu caso, fazer uma excepção, impedi-Lo-iam os pecados dos outros.”

Num profundo desespero e solidão, nos limites da resistência, dá-se um grande milagre na vida de Jó. Afinal Javé não o tinha abandonado e assim compreendeu que os golpes sofridos tinham um sentido oculto de felicidade. Num turbilhão de factos, em circunstâncias adversas, a fatalidade foi-lhe batendo à porta ao longo de muitos anos. Família e amigos, sonhos e desgostos se conjugaram na vida de um simples judeu. Uma história que reflete na perfeição um tempo, uma época em que tudo escasseia, mas a esperança não esmorece.

Publicado em 1930, “Jó – Romance de um homem simples”, é considerado a obra-prima por excelência de Joseph Roth (1894-1939), um dos últimos escritores herdeiros da tradição judaica e um dos nomes mais representativos da literatura do século XX.

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