Igreja Missionária

 Igreja Missionária

Jornada Missionária em Guiné Bissau

A Igreja, por natureza, é missionária.

O caráter missionário da Igreja tem sua origem em Jesus que chamou os discípulos e os enviou a anunciar a Boa-Nova com gestos significativos, milagres. Assim, todo batizado é um potencial missionário porque enxertado neste dinamismo que Cristo quis imprimir na sua comunidade.

O mês de outubro é denominado o mês das missões. Desta feita, estamos a celebrar uma dimensão central do ser cristão e, por consequência, da Igreja.

Há, porém, um grupo alargado de pessoas que se dedicam exclusivamente a missão da Igreja universal a partir de um carisma próprio. A estes denominamos de Missionários. Em Proença-a-Nova, há duas comunidades missionárias: no ramo feminino, as Franciscanas Missionárias da Mãe do Divino Pastor, e no ramo masculino, os Missionários do Preciosíssimo Sangue que servem as paróquias de Proença, Peral e são Pedro do Esteval.

Os Missionários do Preciosíssimo de Sangue em Portugal e Espanha estão associados àquilo que é denominado tradicionalmente por “Missões”. As Missões são trabalhos pastorais e sociais desenvolvidos em países mais pobres, nomeadamente, de África, América do Sul e Ásia. No nosso caso, participamos nas missões em Guiné-Bissau (África).

No dia 10 de outubro, o padre guineense Lima da Silva, Missionário do Preciosíssimo de Sangue, partilhou connosco os novos desafios da missão da Guiné-Bissau no pós-covid e neste período de guerra. Em Portugal, sentimos de sobremaneira os efeitos económicos destas guerras sanitárias e bélicas nomeadamente no aumento dos bens essenciais de consumo. Sendo a Guiné um país mais pobre e com muita instabilidade política, poderemos imaginar as dificuldades acrescidas deste povo: os 50€ já não chegam para as tradicionais bolsas de estudo; as escolas estão fechadas neste início de ano letivo por causa do covid; o desejo de aprender de muitos alunos fica assim comprometido pelo início tardio das atividades letivas e pela dificuldade de liquidar as propinas pedidas pelos estabelecimentos de ensino; o preço dos medicamentos também subiu significativamente; o nosso posto de atendimento sanitário agora apetrechado com material complementar diagnóstico, isto é, já conseguimos fazer algumas análises, confronta-se com a dificuldade de financiamento para comprar os produtos essenciais à laboração… Nesta sociedade mais frágil, são esmagadores os efeitos desta crise mundial.

Em tempos, quando estive pela Guiné-Bissau, senti que não é possível anunciar Evangelho se não promovermos as condições essenciais às populações, a saber: ajuda na alimentação, na saúde e na educação. Se nos países desenvolvidos são os governos que garantem as condições básicas das populações, nestes países mais frágeis são a Igreja e outras organizações filantrópicas que procuram paliar estas dificuldades básicas.

Ser missionário é assim ser promotor, à maneira de Cristo, de condições que a dignidade da vida humana de forma multifacetada. Como ninguém é missionário sozinho, contamos sempre com ajuda inspiração de Cristo e com a caridade dos irmãos na fé. A retaguarda do Missionário leva a que a promoção a nível da alimentação, da saúde e da educação seja feita em tempo record devido à partilha generosa de bens.

Como Missionário do Preciosíssimo de Sangue gostaria de agradecer a todas as pessoas que pela partilha de bens espirituais e materiais nos ajudam a construir a missão da Guiné-Bissau.

*P. Virgílio Martins

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