Igreja: Acolher a JMJ em cada casa, como quem acolhe o menino

Não será, por certo, segredo para ninguém que, o verão de 2023 será inesquecível em Portugal: seremos anfitriões da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que terá lugar em Lisboa. “Do que se trata?”, talvez ainda ouçamos em alguns lugares da nossa Diocese. Pois bem, esclareçamo-nos todos: as JMJ são o maior encontro juvenil do Mundo em que cada jovem, em cada continente, em cada país, em cada casa, é chamado pessoalmente pelo Papa, ao encontro com Cristo Vivo que habita em cada um e em todos os lugares.
De certo modo, cada JMJ é uma oportunidade de mostrar, viver e pôr em diálogo, não só a beleza da liturgia e tudo o que encerra, mas também a beleza da Fé, da Fraternidade, da Paz e da Harmonia, da Tolerância, da Compreensão e de outros muitos valores que, sendo um dom de Deus, são comuns a tantas culturas e países diferentes.
Também de 26 a 31 de Julho, na nossa Diocese – a par com outras 16 – viveremos os Dias nas Dioceses, que são como que uma preparação mais intensa para os dias em Lisboa. Acolher os jovens que virão nestes dias é, em primeiro lugar, uma oportunidade de estabelecer laços de amizade com o outro que, mesmo diferente, partilha do que vivo e sou; é ampliar os horizontes das nossas vidas; é transformar a nossa hospitalidade no berço de uma renovada alegria e esperança, que chegará a todo o Mundo.
Calcula-se que, no Panamá, em 2019, cerca de 700 mil pessoas tenham participado na JMJ; em 2016, em Cracóvia, cerca de um milhão; em 2013, no Rio de Janeiro, mais de milhão e meio. O que move tantos jovens a deixar o próprio país para ter, como meta, este encontro, ainda para mais, promovido pela Igreja? Não parece real, mas a verdade é que, da Fé, brota uma alegria, um sonho renovado e uma esperança renascida que atrai, mesmo aqueles que nunca ouviram falar de Fé, ou de religião, ou da Igreja. Na realidade, nunca ninguém nos tinha falado disto, mas agora temos a JMJ já perto e, um pouco por todo o lado, há pessoas a bater-nos à porta para colaborarmos: ou para ajudar como voluntário ou para receber jovens de outros países nas nossas casas.
Neste tempo que é ainda de Natal, lembremos como não houve lugar em nenhuma casa ou hospedaria para Maria e José quando nasceu Jesus. Aqueles que lhes recusaram a entrada, provavelmente, nunca se deram conta da oportunidade que perderam: foram calculistas, não querendo ter trabalho ou até egoístas, por não estarem dispostos a partilhar.
E tu, porque não fazeres parte desta grande aventura e acolher jovens de todo o Mundo na tua casa, para lhes poderes falar da beleza do que vives, do que és e até mesmo daquilo em que acreditas? Vais ficar à margem desta oportunidade de transformar o Mundo partilhando do que tens com quem vem ao nosso encontro? Acolhamos a JMJ em cada casa, como quem acolhe o Menino! Que bom que seria que nenhum jovem dissesse algum dia que não tinha vivido a experiência de uma JMJ porque nunca disso ouviu falar.

