Fim de ano 2025 com contas de gratidão a dobrar

 Fim de ano 2025 com contas de gratidão a dobrar

Padre Aires Gameiro

Uma história de gratidão a Deus e aos homens.

Junto do meu espólio e da máquina de escrever, perguntam se era com ela que escrevia os meus textos. Respondi, quase envergonhado, que não usava.

Em Roma tínhamos uma para três estudantes com que escrevi trabalhos em latim e italiano. De resto, era sempre à mão até 2001 no Funchal.

Quem os escrevia? História bonita que merece acréscimo da minha gratidão. Para os trabalhos de Psicologia do ISPA, recorri à colaboração de pessoa altamente preparada e talentosa, (MA) facilitando-lhe máquina, gabinete, motivação e gratificações progressivas. Foi um sucesso na sua autoestima e um crescendo da minha gratidão.

Era pessoa de competências e talentos pouco reconhecidos: traduzia de e para francês, italiano, espanhol e latim. Dactilografou artigos e livros para publicação, doutros autores, meus e dele. Era um revisor de provas tipo “coca-bichinhos”. Foi, depois, responsável de um boletim e secretário.

Em 1968, em missão de formação de escola secundária para o noviciado e docente de escola de Enfermagem, fiquei sem dactilógrafo. Encontrei outra pessoa (RR) altamente preparada e subaproveitada e sem autoestima, apesar da sua formação superior, pouco reconhecida, do curso completo de seminário de teologia.

Começou pelo treino de máquina. Ocupava parte do seu tempo a escrever os meus textos e livros didáticos para a Escola de Enfermagem e a traduzir do latim. Aceitava gratificações com resistência. A minha saudosa gratidão ainda dura. Desejava muito e conseguiu, mais tarde, ir para a terra dele onde o visitei, anos depois.

Em outubro de 1970, em Luanda com funções de capelão de clínica psiquiátrica e a lecionar Psicologia no Instituto Superior de Serviço Social Pio XII, na Escola Técnica de Serviços de Saúde de Angola e no Seminário Maior fiquei sem dactilógrafo e com muito trabalho.

Surgiu uma oportunidade com um utente escriturário desocupado (XM), já treinado. Aceitou de bom grado a gratificação que ele sugeriu e dactilografou a minha primeira versão de dois livros para os cursos que lecionei no Instituto Social: Psicopatologia e Pedagogia para Assistentes Sociais e Pedagogia para Educadoras de Infância, além de outros artigos e palestras para a Rádio católica.

Os leitores já terão intuído que eram dactilógrafos em Reabilitação Psicossocial, avant la lettre, a qual só iriam aparecer em meados dos anos 1980. Treinavam capacidades novas e despertavam para as adormecidas e a autoestima mediante motivação e gratificações de reforço.

Nas funções de 1972-1998: já capelão e psicólogo da Casa de Saúde do Telhal, diretor da Hospitalidade e outras funções, recorri ao apoio institucional de dactilógrafo e secretário com computador.

E de novo a colaboração preciosa e única do mesmo datilógrafo (MA) dos anos 1960, e dos secretários do Boletim (BFIH) e da revista “Hospitalidade”, e também dos meus manuscritos de artigos para jornais, revistas, livros e opúsculos relativos a aulas no ISET, UCP, ISCTE; e para uso de utentes em reabilitação alcoólica que comecei a publicar. E, anos mais tarde, também um informático e, ainda, outro dactilógrafo em Reabilitação (JL) e treino de digitalização a quem ofereci um portátil para usar em tele-trabalho durante longos anos.

Nomeado para diretor da Casa de Saúde S. Miguel, em 1998, dispunha de um secretário institucional. E o mesmo sucedeu como diretor da CSSJD, Funchal, em 2001. E aqui comecei a treinar-me no computador e nunca mais o dispensei nas funções de Conselheiro Provincial e de Diretor do Centro de Acolhimento Temporário S. João de Deus (CATSJD), Colares, para migrantes indocumentados (2004-2007). Tinha, porém, a colaboração de secretário para trabalhos institucionais; com exceção de quando superior em Fátima (2007-2010).

Ao regressar ao Funchal continuei a ser secretário de mim mesmo, mas de 2012 a 2025 para cerca de 20 livros que publiquei tive algum apoio gráfico. E a partir de 2016, (CR) em ocupação e gratificação acordada, digitalizou muitas centenas de páginas de artigos e livros inéditos dactilografados.

 Fecho o ano e esta história de gratidão, e de saudade, para alguns dos meus dactilógrafos pela grande colaboração destes amigos. Alegra-me a muita satisfação e autoestima que viveram por serem reconhecidas as suas capacidades, e agradeço-lhes nas celebrações de fim de anos. Vivam na paz de Deus no antes ou no depois da passagem da vida para a vida.

Funchal, Fim de 2025.

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