ETFs (Exchange Traded Funds): O que são, como funcionam, vantagens e outras especificidades

 ETFs (Exchange Traded Funds): O que são, como funcionam, vantagens e outras especificidades

<span class="info-article">Artigo de autoria</span><br/>Paulo Ferreira

Artigo de autoria
Paulo Ferreira

Licenciado em Matemática Aplicada e com pós-graduação em Atuariado e Gestão de Riscos Financeiros. Vem falar-nos sobre Literacia Financeira, numa parceira estabelecida com o Jornal de Proença.

Estimado Leitor,

Decorrida mais uma quinzena e aí temos mais um capítulo desta nossa série sobre Literacia Financeira.

Como certamente se recorda, nos últimos artigos abordámos vários produtos financeiros disponíveis no mercado, designadamente, o que são, como funcionam, riscos associados e outras especificidades. Começámos pelos mais simples e seguros (Depósitos Bancários e Certificados de Aforro) e de seguida apresentámos já soluções com maior risco financeiro (Ações e Obrigações).

Para quem pretende assumir algum risco financeiro, no sentido de diversificar a carteira de investimentos e potenciar a sua rentabilidade, as Ações e Obrigações poderão ser uma boa solução. Mas é necessário ter conhecimentos financeiros (ou aconselhamento de qualidade), disponibilidade, capacidade de análise, acompanhamento da performance das entidades, …, para constituir e gerir uma carteira abrangente desses títulos, e dessa forma, garantir essa diversificação e assegurar uma adequada expetativa de rentabilidade. Existindo essas competências e argumentos, poderá ser um bom “caminho” para investir e potenciar os rendimentos futuros, de uma forma direcionada, criteriosa e robusta, numa ótica de médio e longo prazo.

Mas para quem não tiver essas capacidades, constituir uma carteira significativa de Ações e Obrigações, baseada apenas num número muito reduzido de títulos, poderá ser um erro relevante, e com consequências negativas, caso a evolução e performance das entidades emitentes dos títulos não seja a mais favorável.

Nesse sentido, e para quem não possuir esses argumentos, mas pretender também assumir algum risco, para promover a necessária diversificação e assegurar uma expetativa de rentabilidade (a médio / longo prazo) superior à inflação (ou seja, que garanta ganhos reais), existe uma alternativa aceitável, que poderá favorecer essas pretensões. Estamos a referir-nos aos ETFs (Exchange Traded Funds – Fundos Transacionados em Bolsa), que de uma forma simples e natural, poderão contribuir para o cumprimento de quatro objetivos:

Diversificação “automática e natural” da carteira de investimentos;

– Gestão simplificada do património financeiro do investidor;

– Expetativa (não garantia) de rentabilidade superior à inflação (a médio / longo prazo);

– Custos de subscrição e manutenção da carteira reduzidos (comparativamente a outro tipo de títulos), o que poderá contribuir para potenciar a rentabilidade da carteira.

É sobre este “instrumento” financeiro que nos vamos debruçar na presente publicação e com metodologia interativa (pergunta – resposta) similar à utilizada nos artigos anteriores. Essas questões, a que tentaremos dar resposta, são as seguintes:

O que são ETFs? – Como se adquirem / subscrevem ETFs? – Que tipo de ativos podem contemplar os Fundos de Investimento correspondentes aos ETFs? – Exemplos de índices de referência utilizados nos ETFs? – Exemplos de ETFs mais comercializados a nível global? – Quais as principais vantagens a destacar no âmbito dos ETFs?

Vamos então prestar a devida resposta a estas questões.

  1. O que são ETFs?

ETFs são Fundos de Investimentos (FI) compostos por ativos financeiros relacionados com um determinado índice de referência.

  1. Como se adquirem / subscrevem ETFs?

Os ETFs são transacionados de uma forma normal em Bolsa como quaisquer outros títulos (Ações, Obrigações, …), subscrevendo-se Y Unidades de Participação (UP`s) do respetivo Fundo de Investimento (FI). Enquanto subscrevemos X Ações de uma determinada empresa, relativamente aos ETFs, adquirimos Y UP´s do Fundo de Investimento associado.

As UP´s adquiridas correspondem a um mix (combinação) de títulos de acordo com a composição do índice de referência em causa (tipos de ativos, entidades associadas, respetivas geografias, peso relativo de cada entidade no FI, … ).

  1. Que tipos de ativos podem contemplar os Fundos de Investimento (FI) correspondentes aos ETFs?

Os títulos que constituem os Fundos de Investimento (FI) associados aos ETFs podem ser os mais variados, no que diz respeito, aos ativos abrangidos, geografia das entidades e respetivos setores de atividade. Assim, poderemos estar a falar de:

– ETFs de Ações, Obrigações ou Commodities (matérias primas, ou seja, ouro, prata, petróleo, …);

– Títulos de entidades associadas a diversos setores de atividade (tecnologia, energia, financeiro, indústria, … );

– Ativos relativos a variados mercados geográficos (All World, USA, Ásia, Europa, mercados emergentes, …).

  1. Exemplos de índices de referência utilizados nos ETFs?

Como exemplos de índices de referência, que dão suporte a vários Fundos de Investimento representativos de ETFs, podemos destacar:

. FTSE All-World:

Contempla alguns milhares (cerca de 4.000) de empresas mundiais (europeias, norte-americanas, mercados emergentes, …) de diversos setores de atividade (tecnologia, financeiro, industrial, …). É um índice com carácter global, bastante representativo da Bolsa e economia a nível mundial.

. S&P 500:

Representa cerca de 500 das maiores empresas norte-americanas cotadas em Bolsa (representam cerca de 80% do mercado acionista dos EUA), de diversos setores económicos de atividade, com algum destaque para o setor tecnológico. Grandes empresas, de que ouvimos falar todos os dias (NVIDIA, Microsoft, Apple, Amazon. Meta,…) estão representadas neste índice.

  1. Exemplos de ETFs mais comercializados a nível global?

No seguimento dos índices anteriores, podemos agora, ao nível dos ETFs, destacar os seguintes:

. Vanguard FTSE All-World UCITS ETF (USD) Acc:

ETF associado ao índice FTSE All-World e composto exclusivamente por Ações de empresas a nível mundial de diversos setores de atividade (tecnologia, financeiro, saúde, indústria, …).

Muito subscrito na atualidade pelo carácter global que representa e pela natural diversificação que tal provoca. De uma forma simplificada é designado por VWCE.

A sigla Acc significa que se trata de um fundo cumulativo, ou seja, os dividendos regularmente gerados pelas Ações são reinvestidos no Fundo, o que numa lógica de juro composto, potencia um maior rendimento numa ótica de médio e longo prazo.

. i Shares Core S&P 500 UCITS ETF (USD) Acc:

ETF associado ao índice S&P500 e composto exclusivamente por Ações das 500 maiores empresas norte-americanas cotadas em Bolsa de diferentes setores de atividade (com maior destaque para o setor tecnológico).

Também muito subscrito na atualidade pela abrangência e por quem aposta de forma mais efetiva no mercado norte-americano. De uma forma simplificada é designado por SXR8.

  1. Quais as principais vantagens a destacar no âmbito dos ETFs?

De alguma forma já referenciado nos tópicos anteriores desta publicação, entendemos importante resumir ou destacar as principais vantagens e/ou características constatadas no contexto dos ETFs.

. Diversificação do investimento:

Combinação automática de títulos de acordo com a estrutura do índice de referência (tipo de ativos, geografia das entidades, setores de atividade, pesos relativos de cada entidade, …). Sendo o índice composto por um número significativo de entidades (com pesos relativos reduzidos), a eventual menor performance (ou mesmo falência) de uma entidade é equilibrada pelas restantes componentes, ao contrário de uma carteira composta por ações de uma ou poucas empresas (onde a performance inadequada pode originar a perda substancial ou mesmo total do património financeiro).

. Facilidade de gestão:

Mix (combinação) de entidades realizado à partida quando da subscrição e gerido apenas num título.

. Custos / comissões (subscrição / manutenção):

Custos podem ser consideravelmente Inferiores (comparativamente à transação individualizada dos títulos que compõem o Fundo de Investimento), o que pode potenciar a rentabilidade global do património financeiro.

Relativamente aos riscos financeiros abordados em artigos anteriores, designadamente, riscos de mercado, capital, liquidez e inflação, o “panorama” aplicável no âmbito dos ETFs é o seguinte:

Risco de mercado: Este risco existe. Depende da oscilação das cotações dos títulos.

Risco de capital: Este risco também existe nos ETFs. A probabilidade do investidor obter uma rentabilidade mais elevada neste tipo de ativos, face a outro tipo de aplicações financeiras, implica a não existência de garantia de capital.

Risco de liquidez: Este risco também existe, mas não costuma ser muito elevado nos ETFs, podemos considerá-lo reduzido ou médio. O risco de liquidez é medido pela facilidade com que os títulos podem ser transacionados no mercado e geralmente a liquidez é elevada no Mercado Acionista, onde estes ativos são transacionados.

Risco de inflação: Este risco está sempre presente. Se a taxa de juro líquida obtida for inferior à inflação, em termos reais, o investidor perde valor. Isto apesar de sabermos, que numa ótica de médio e longo prazo, este tipo de ativos costuma garantir rentabilidade líquida superior à inflação.

Para terminar, e sobre este instrumento de investimento (ETFs), apenas um simples resumo dos tópicos principais:

– Investimento com algum risco financeiro, mas mais diversificado que Ações (um título é um míx de várias entidades);

– Títulos devem ser subscritos numa ótica de médio / longo prazo;

– Pode existir alguma volatilidade com oscilações no rendimento;

Liquidez significativa em grande parte dos ETFs;

Gestão simplificada (mais simples que Ações) e com custos reduzidos;

– Numa ótica de médio e longo prazo, estes ativos têm apresentado rentabilidade líquida superior à inflação. Isto tendo consciência que “Rentabilidades passadas não garantem rentabilidades futuras”.


Esta publicação já vai extensa e hoje ficaremos por aqui. Na próxima continuaremos nesta “onda” dos produtos financeiros, abordando, de forma mais detalhada, um tópico importantíssimo já referenciado ao longo dos últimos artigos (estratégias de diversificação numa carteira de investimentos – “não colocar os ovos todos no mesmo cesto”). Mas sobre isso falaremos então na próxima publicação.

Boa análise e até breve

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