Dois Minutos para os Direitos Humanos

Foto © EmDee
Organização apela à União Europeia e à comunidade internacional para reforçarem a proteção de civis
A Amnistia Internacional divulgou um novo conjunto de alertas sobre a deterioração da situação dos direitos humanos em várias regiões do mundo, sublinhando a urgência de respostas políticas e humanitárias eficazes.
As denúncias abrangem a União Europeia, o Médio Oriente, a República Democrática do Congo (RDC), o Irão e o Líbano, revelando um quadro global marcado por deportações perigosas, ataques ilegais e deslocações forçadas de civis.
UE pressionada a travar deportações para o Afeganistão
A organização insta as instituições da União Europeia e os Estados‑membros a abandonarem quaisquer planos de deportação de pessoas para o Afeganistão, alertando que o país “não pode, de forma alguma, ser considerado seguro”.
Segundo a Amnistia, insistir nesta política coloca vidas em risco e contraria obrigações legais internacionais, posição que tem sido reiterada por vários organismos das Nações Unidas.
Médio Oriente: acordo EUA–Irão traz esperança frágil
Face à iminente assinatura de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irão para pôr fim à guerra do Golfo, a secretária‑geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, reconhece que o anúncio “trará um vislumbre de alívio precário” às populações da região.
Contudo, sublinha que um acordo duradouro deve priorizar os direitos humanos, a responsabilização e a justiça para as vítimas de crimes ao abrigo do direito internacional, indo além dos interesses estratégicos das partes envolvidas.
RDC: civis mortos, torturados e mulheres escravizadas
No leste da República Democrática do Congo, a situação continua crítica.
Um grupo armado apoiado pelo exército congolês (FARDC), o CMC‑FDP, é acusado de matar e torturar civis, saquear bens e raptar mulheres para escravatura sexual no território de Rutshuru.
O grupo integra a coligação informal Wazalendo, utilizada pelo exército congolês na luta contra o M23, apoiado pelo Ruanda. A zona de Bukombo, onde o CMC‑FDP opera, permanece sob controlo do M23.
Irão acusado de ataques ilegais no Golfo
A Amnistia denuncia ainda que as autoridades iranianas mataram e feriram civis no Bahrein e na Arábia Saudita, em violação do direito internacional humanitário.
Estes ataques inserem‑se num padrão mais amplo de ações contra países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), desencadeado após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro de 2026.
Até ao momento, registam‑se pelo menos 28 mortos e centenas de feridos.
Líbano: ordens de evacuação em massa consideradas ilegais
No Líbano, a Amnistia acusa as forças armadas israelitas de utilizarem ordens ilegais de evacuação em massa para deslocar e aterrorizar centenas de milhares de civis no sul do país.
Estas ordens, acompanhadas da proibição de regresso, têm impedido dezenas de milhares de pessoas de voltarem às suas casas, configurando uma transferência forçada ilegal e uma grave violação da Quarta Convenção de Genebra, equivalente a crime de guerra.
