Direito a um berço

Direito a um berço

No contexto da celebração do nascimento de Jesus, Deus-Menino, colocamos o foco no direito de toda a criança a ter um berço. Por ter um berço deve entender-se, lato sensu, o direito a ter o essencial para o seu desenvolvimento integral e harmonioso, isto é, a crescer em estatura, sabedoria e graça. Assim, de forma simples, ter um berço é o mesmo que dizer: ter colo de mãe, sentir a segurança dos braços do pai, ter um sítio onde repousar fora do calor do corpo dos pais; ter um berço é também ter uma família e um lar com as condições básicas de conforto, salubridade, uma casa onde há pão e educação.

O psicólogo clínico Dr. Eduardo Sá escreve no seu livro «Uma família é o Lugar Onde estamos em Casa»: “É verdade que sem uma família morreríamos ao nascer, Mas é também verdade que ao vivermos sem uma família sem nos sentirmos em casa, morremos de não viver. Todos os dias”.

Ciente da sua missão na promoção dos direitos e protecção das crianças e dos jovens, a CPCJ de Proença-a-Nova projecta a sua acção na mira do bem-estar e superior interesse das crianças e jovens, na promoção da parentalidade positiva para que o pai e a mãe juntos assegurem o direito da sua cria a ter um berço, ou seja, “a satisfação das principais necessidades das crianças e jovens e a sua capacitação sem violência, proporcionando-lhe o reconhecimento e a orientação necessários, o que implica a fixação de limites ao seu comportamento, para possibilitar o seu desenvolvimento” (in Recomendação 2006/19 do Comité de Ministros para os Estados-Membros sobre a política de apoio à parentalidade positiva”. Isto é dar um berço à criança pela vigência duma parentalidade “suficientemente boa” (Winnicot) que se caracteriza pela “conexão, aceitação, compaixão e perdão, mas também pela consistência e firmeza. Um lugar seguro onde a criança se sente aceite e amada. Um contexto positivo que promove o seu desenvolvimento, a sua saúde e o seu be-estar social e emocional, assim como o da sociedade como um todo” (Filomena Gaspar, Terapeuta familiar e Professora da FPCE Universidade de Coimbra).

O direito a ter um berço é presença no nascimento do Menino que foi deitado em palhas de manjedoura e aquecido pelo bafo dos animais numa estrebaria de Belém. Mas lá estava José, o Pai (adoptivo), ao lado da Mãe, a Virgem Maria, que sentiram a solidariedade do Pai do Céu com a presença zeladora dos anjos em hinos de louvor.

A festividade do Natal é expressão maior do Amor e da Paz, nela se retrata verdadeiramente a instituição Família, desde logo na Sagrada Família de Nazaré, socialmente replicada nos muitos encontros-ceia de natal que habitualmente são realizados no mês de Dezembro por todo o tipo de grupos de amigos, profissionais, empresas e outras instituições, mas é na reunião da família comum em Consoada na noite de Natal que mais ressuma a saudade do calor do berço.

Pelo direito da criança a ter um berço, na saudade e conforto do Amor e da Paz em Família, Santo Natal e Feliz Ano Novo de 2021!

Alfredo Bernardo Serra (Representante do Ministério da Educação na CPCJ de Proença-a-Nova)

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