Dia do Padre

Dia do Padre
Padre Virgílio

No dia 4 de Agosto, a Igreja celebra São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, e, neste dia, recebi várias mensagens com este título “Dia do Padre”.

As mensagens traduziam agradecimento, louvor, acção de graças, bênção pela missão que aceitei das mãos de Jesus. Uma dela, citando S. João Maria Vianey, dizia «O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus». E de facto, senti-me agradecido. Agradeço a Deus esta oportunidade de vida. Agradeço a todas as pessoas que apreciam o dom sacerdócio que acontece na minha vida em particular. Agradeço ainda a todas as pessoas que estimam e amam os seus párocos ou padres.

Estas mensagens apanharam-me num momento sensível: tinha terminado o campo de férias “Mundo J” que teve como tema “Faz play nesta aventura”. A 16ª edição do Mundo J foi afecto, compromisso na realização de tarefas, dedicação, gosto por trabalhar em grupo e para o grupo, oração inspirada na pessoa de São José, novidade de pessoas e, por fim, a necessidade de marcar novos encontros para que tudo isto não seja uma recordação bonita, mas vida, a nossa vida cheia de sonhos, projectos e afectos partilhados.

Porém, estas mensagens que a vida nos traz conduzem-nos às palavras de Jesus «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». (Mc 6,31) É isso que me preparo para fazer: descansar um pouco. Ouço algumas vezes: «os padres também têm férias?» Se nós padres vivêssemos este convite de Jesus a «descansar um pouco», talvez o “burnout” e outras doenças características do activismo da vida contemporânea não se manifestassem também nos padres. Com escreveu o P. Miguel Neto num artigo publicado na Ecclesia «os padres são seres humanos e não atletas olímpicos! Reparem: tantas vezes o pároco enfrenta a crítica e a contestação sem o mínimo fundamento e veracidade, ou sem o esforço do diálogo e da compreensão por parte dos paroquianos; tantas vezes, nos lugares mais pobres e afastados dos grandes centros urbanos, o sacerdote lida com uma ampla gama de problemas, não só espirituais, mas também sociais, o que eleva a expectativa da comunidade que dele espera receber a resposta para tais problemas. Os padres lidam, ainda, com uma enorme falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes; porque são sacerdotes têm de estar à disposição dos fiéis 24 horas por dia, sete dias por semana». O «descansar um pouco» de Jesus é repouso físico; é oração dos conteúdos da vida pessoal do padre; é agradecimento a Deus pelo que corre bem, mas também é o sarar das feridas das desilusões, cansaços, incertezas, pecados…; é o recentrarmo-nos na vocação e na missão; é cuidarmos da pessoa que dá forma ao padre.

As mensagens de Jesus, do nosso corpo, tantas vezes pesado, da comunidade, às vezes saturada das nossas atitudes e outras vezes alegre com a nossa presença, são sempre sinais e desafios a que o «descanso de Jesus» seja sempre um momento de rejuvenescimento espiritual, uma reparação física e a busca de assertividade pastoral. Bom Descanso!

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