Autárquicas 2021: João Lobo quer “continuar a construir o futuro de Proença”

Autárquicas 2021: João Lobo quer “continuar a construir o futuro de Proença”

João Lobo é o recandidato do PS à Câmara Municipal de Proença-a-Nova. O presidente, agora candidato, responde hoje às questões do Jornal de Proença.

Jornal de Proença (JP): Sendo o atual presidente, porque decidiu candidatar-se a um novo mandato?

João Lobo (JL): O que me leva a recandidatar, e sem falsas modéstias, é o sentir antes de mais um apoio muito expressivo dos Proencenses, assente naquele que tem vindo a ser o trabalho desenvolvido ao longos dos últimos anos e que se tem mostrado assertivo na condição de traduzir para o concelho desenvolvimento económico, socialmente equilibrado, atento na educação e formação das nossas crianças e jovens, no apoio aos nossos mais velhos e desprotegidos em articulação com as nossas instituições, sejam entidades públicas, ipss, seja no apoio ao nosso tecido empresarial.

Este mandato foi dos mais exigentes, quer pelos incêndios, quer por esta pandemia que nos fez parar e focar atenção prioritária para a combater. Foi possível, a cada momento, dar resposta sem perder a visão que delineámos e foi na capacidade de congregar esforços de todos que ultrapassámos barreira após barreira. Posso afirmar com toda a convicção que temos, de facto, responsáveis nas instituições que orgulham todos os dias este presidente de Câmara e esta foi também motivação importante para continuar.

JP: Em linhas gerais, quais são os principais pilares do seu programa eleitoral?

JL: A nossa proposta para os próximos quatro anos é de continuidade do trabalho que temos vindo a realizar, enquadrado em cinco eixos principais e assente no pilar mais importante e que nos norteia em cada dia de trabalho que damos de nós.

Esse pilar são as pessoas: essa é a única razão para o desenvolvimento que traduzimos nas propostas, as pessoas, para que tenham no concelho de Proença-a-Nova sempre um espaço de vivência saudável, digna, inclusiva, de atração, de realização e inovada com futuro.

Em termos práticos, desde logo e sempre prioridade é a +Educação, +Ação Social e +Saúde, em que vamos continuar o programa de apoio ao insucesso escolar e alargar o esforço das bolsas de estudo para o ensino superior. Através do Centro Qualifica, apostaremos na formação profissional como ferramenta indispensável para a formação contínua, em ligação estreita com as nossas empresas e agrupamento de escolas. É compromisso já assumido com três instituições de ensino superior a criação de projeto para alavancar a formação a este nível, como já realizámos com o programa de «reskill» em articulação com as empresas tecnológicas sediadas no concelho. Promovemos o alargamento de benefícios através do cartão social municipal, do novo cartão sénior ativo e, em articulação com a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco e com a Unidade Móvel de Saúde do Município, ampliaremos os cuidados de saúde nas localidades, em equipa multidisciplinar na visão de prestar serviço individualizado aos utentes. Fator importante, são as nossas associações que nos motivam e orgulham com a sua proatividade que são essenciais para dinamizarem as nossas, mais de cem localidades, que temos apoiado sempre de forma próxima e que queremos potenciar.

O segundo eixo diz respeito às +Empresas e +Emprego, fator de fixação de pessoas e geração de riqueza, apoio à inovação e à contratação de emprego qualificado, com disponibilização de novos lotes para a indústria na expansão do PEPA – Parque Empresarial de Proença-a-Nova e na criação – em curso – da Área Empresarial do Vale Porco, a que se junta a requalificação da Zona Industrial de Proença-a-Nova e ainda disponibilizaremos pavilhões no Polígono Industrial da Sobreira Formosa. Pretendemos atrair novas empresas, mas também contamos com o tecido empresarial local que, com o seu dinamismo, tem sabido lidar com as dificuldades criadas pela pandemia. Reforçando as medidas que já existem, nomeadamente no Regulamento de Incentivo à Criação de Emprego, prevemos apoio direto para a contratualização de ativos, de modo a serem um contributo para gerar riqueza com maior eficiência e inovação.

O terceiro eixo principal prende-se com o +Património, +Cultura e +Turismo, que se refere ao nosso património natural e edificado, dando continuidade a projetos icónicos como o Campo Arqueológico de Proença-a-Nova que se encontra a revelar importantes aspetos da história do território, ainda desconhecidos; com o sector turístico e todo o potencial que a zona Interior do país mostrou ter em época de pandemia, como destino a descobrir. Temos realizado importante investimento na qualificação das nossas valências, por exemplo com obras como a requalificação da Praia Fluvial da Aldeia Ruiva ou a valorização da Serra das Talhadas, com Torre de Vigia do Arquiteto Siza Vieira e outros projetos a que daremos continuidade, complementados com uma aposta diferenciada na vertente dos eventos, à medida que a evolução da crise de saúde pública nos for permitindo realizar mais. O Roteiro das Artes e o programa Experimenta Paisagem criará um museu vivo natural com escala ao nível dos Municípios do Pinhal Interior, tendo o nosso Município sido grande impulsionador desta parceria intermunicipal.

Outro eixo prioritário está relacionado com +Ordenamento e +Floresta. Estamos a iniciar um processo que, tenho para mim a firme convicção, irá permitir nos próximos 30 anos configurar uma nova mudança do ponto de vista do ordenamento florestal e que realizará, como tenho referido, a floresta que queremos. E ela baseia-se em traduzir em ações muito do conhecimento que está consolidado na academia, em constituir mosaicos florestais, em ter investimento na agropecuária ou em haver eficiência na utilização do recurso hídrico, com ações na mitigação das alterações climáticas.

Precisamos de voltar a ter presença humana na área florestal que também encontra hoje como outrora na resina renovadamente uma aposta que este Município, enquanto líder de consórcio da Rede Europeia dos Territórios Resineiros, já está a criar. Aproveito para novamente sensibilizar para a georreferenciação, em que fomos pioneiros e o concelho que mais evoluiu no conhecimento do território. Temos também o desafio, além de um ordenamento urbano caracterizado no Plano Diretor Municipal, de definirmos para o todo um Plano Diretor Florestal. E contamos sempre com o Centro Ciência Viva da Floresta, equipamento charneira para este domínio.

No eixo das +Infraestruturas, +Habitação e +Potencial Energético, as redes de drenagem de águas residuais domésticas estarão nas prioridades de intervenção, em localidades que se observam e reconhece-se essa necessidade, bem como os equipamentos de promoção de envelhecimento ativo e a continuidade no investimento de melhoria da mobilidade nas povoações. Na Estratégia Local de Habitação definimos como linhas principais a dignidade da habitação, opções para jovens casais e para nómadas digitais, além de residências ativas, tirando partido do património edificado público e parcerias a estabelecer com entidades privadas. O protocolo assinado com operadora de telecomunicações já se traduz no investimento hoje, mas que até ao final do ano que vem realizará a cobertura por fibra ótica no concelho e o alargamento da rede móvel, suprimindo as áreas sem cobertura de rede. A energia é sempre um fator decisivo e, dessa forma, nas áreas industriais procedemos a candidatura no sentido de tirar partido das áreas de cobertura para a instalação de painéis fotovoltaicos e assim descer a fatura energética como variável de competitividade.

JP: Quais são os principais desafios que o concelho de Proença-a-Nova irá enfrentar nos próximos anos?

JL: São muitos e variados os desafios que serão colocados ao concelho nos próximos anos, uns fruto da conjuntura nacional, outros que se prendem com a pandemia e os seus efeitos no curto e médio prazo, outros ainda que derivam da questão demográfica e da necessidade de aumentarmos o número de residentes; e outros relacionados com a nossa envolvente natural em que é fulcral um novo ordenamento florestal com impacto no território nos próximos 30 anos.

Mas aquelas que podem ser vistas como as nossas fragilidades, podem tornar-se as nossas forças.

Com uma densidade populacional de 24,2 pessoas por quilómetro quadrado, contra 7771,7 do concelho da Amadora (que lidera a nível nacional), temos uma qualidade de vida que tem de ser encarada como um privilégio e um excelente argumento para atrair população, com consciência de que serão precisas décadas para conseguirmos reverter os atuais números, num esforço concertado entre todos os intervenientes: não podem ser só as autarquias locais, precisamos de medidas musculadas a nível Central que acima de tudo valorizem o trabalho invisível que estes territórios fazem, por exemplo ao nível da biodiversidade e resgate de carbono. Se as externalidades positivas da floresta forem valorizadas pelo bem coletivo, certamente que começaremos a ver mudanças na forma como o interior é encarado. Sou confiadamente convicto que estes territórios são de facto territórios de oportunidade para este século e traduzirão uma pequena revolução silenciosa na criação de riqueza para o todo nacional.

JP: O que o distingue dos demais candidatos?

JL: Gere melhor quem tem um conhecimento mais profundo sobre a realidade a ser gerida; sem dúvida que tenho orgulho no trabalho que desenvolvemos nos últimos anos. É minha convicção que o empenho que coloco sempre nos projetos que abraço, e na vasta equipa que congrego – desde a Assembleia Municipal, Câmara Municipal, Juntas e Uniões de Freguesia – trará renovada dinâmica. Sinto toda a confiança para continuar a trilhar este caminho convosco, porque é sempre com as pessoas que se constroem caminhos de desenvolvimento que se querem sustentáveis, que mantenham a nossa identidade e que sejam assentes na verdadeira democracia de proximidade.

JP: Que mensagem quer deixar à população do concelho?

JL: Neste momento, o importante é que cada um faça a avaliação do trabalho que a minha equipa tem realizado – naturalmente que em conjunto com os colaboradores do Município que são uma peça fundamental – e do impacto existente a todos os níveis.

Recupero apenas algumas estatísticas, que qualquer um poderá consultar: apesar da redução do número de habitantes, de 8.145 em 2010 para 7.147 em 2021, e da redução do número de jovens com menos de 15 anos, os idosos com mais de 65 anos mantiveram o peso relativo de 32% na população total, mas muito positivo é o facto de ter aumentado a população em idade ativa (entre 15 e 65 anos) de 57,9% para 59,7% da população total.

Nos últimos dois anos, inverteu-se a queda do número de alunos no ensino básico e a população estrangeira residente no concelho duplicou, representando agora 2,4% do total da população residente. São pequenos indicadores que nos dizem que estamos no bom caminho e que assim possamos continuar.

No dia 26 de setembro todos devemos fazer uso do nosso direito maior em democracia: votar. O uso do poder do voto é a forma que temos de contribuir para escolher também o rumo que queremos para a nossa terra. Não fiquemos resignados e expectantes que outros escolham por nós: cada voto conta, todos valemos por igual e ninguém é dono do voto de ninguém. É com essa consciência cívica de que temos verdadeiramente o poder de, com o nosso voto, escolher que eu peço a confiança na equipa, no projeto e no programa do Partido Socialista para mais unidos construirmos o futuro do nosso concelho de Proença-a-Nova.

Para si... Sugerimos também...

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscreva a nossa newsletter