Atividade Física: o melhor investimento na saúde da população
Atividade Física: o melhor investimento na saúde da população

Imagem IA

Vivemos numa época em que a correria do dia a dia, as exigências profissionais, o tempo passado sentado e o cansaço acumulado ao final do dia parecem ter-se tornado parte inevitável da rotina. Muitas vezes, entre o trabalho, a família e as responsabilidades domésticas, a atividade física é adiada para “quando houver tempo”. Contudo, a evidência científica é hoje muito clara: a atividade física regular é um dos fatores mais importantes para prevenir doença, preservar a autonomia e melhorar a qualidade de vida em todas as idades.
Enquanto fisioterapeuta, recebo frequentemente utentes com dor lombar, dor cervical, lesões musculares, limitações articulares, perda de força ou dificuldades na marcha. No entanto, uma parte significativa destas situações poderia ser evitada ou, pelo menos, minimizada, se a prática regular de atividade física estivesse mais presente no quotidiano da população. É fundamental promover a prevenção e incentivar hábitos saudáveis que protejam o corpo ao longo da vida.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a população adulta realize entre 150 e 300 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana, ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, complementando com exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana. Por “moderado” podemos entender um esforço físico em que sinta a respiração mais acelerada, mas que lhe permita manter uma conversa, e “vigorosa” será uma atividade física que o leve a ficar ofegante de forma a que não consegue conversar com outra pessoa.
A mensagem mais importante não está apenas nos números, mas na simplicidade da ideia: todo o movimento conta. Não é necessário começar com treinos intensos ou programas complexos, pequenos gestos repetidos diariamente podem produzir benefícios extraordinários para a saúde.
A atividade física atua em praticamente todos os sistemas do organismo, sendo frequentemente descrita pela literatura científica como um verdadeiro medicamento natural, devido à sua eficácia multissistémica e ao baixo custo associado. Ao nível cardiovascular, o exercício ajuda a reduzir a pressão arterial, melhora a circulação sanguínea, fortalece o coração e reduz significativamente o risco de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). A prática regular de caminhada, bicicleta, natação ou outras formas de exercício aeróbico melhora a capacidade cardiorrespiratória e permite que o organismo realize esforço com menor sensação de fadiga.
Em termos metabólicos, a atividade física desempenha um papel essencial na prevenção e controlo da diabetes tipo 2 . O movimento aumenta a sensibilidade à insulina, facilitando a entrada da glicose nas células e contribuindo para um melhor controlo dos níveis de açúcar no sangue. Numa altura em que as doenças metabólicas e a obesidade apresentam uma prevalência crescente, promover estilos de vida ativos torna-se uma necessidade de saúde pública.
Para além dos efeitos físicos, a ciência demonstra que o impacto na saúde mental é igualmente profundo. Durante o exercício, o organismo liberta neurotransmissores como a serotonina, a dopamina e as endorfinas, substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar, pela redução do stress e pela melhoria do humor. Esta resposta fisiológica explica porque razão pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver ansiedade, depressão e alterações do sono.
Do ponto de vista cognitivo, a atividade física também desempenha um papel protetor relevante. Estudos recentes demonstram que indivíduos fisicamente ativos apresentam menor risco de declínio cognitivo, doença de Alzheimer e outras formas de demência.
No contexto de Proença-a-Nova, esta realidade merece uma reflexão particular. O envelhecimento populacional é um desafio crescente e, por isso, incentivar a prática de atividade física é uma prioridade. O exercício regular ajuda a preservar a força muscular, o equilíbrio, a coordenação e a capacidade funcional, reduzindo significativamente o risco de quedas, fraturas e perda de autonomia. Levantar-se de uma cadeira sem apoio, subir escadas, caminhar com segurança ou transportar sacos de compras são tarefas aparentemente simples, mas que dependem diretamente da manutenção da força e da mobilidade.
Para os adultos mais velhos, as recomendações internacionais reforçam a importância de exercícios multicomponentes, que combinem treino de força, equilíbrio, coordenação e mobilidade, pelo menos três vezes por semana. Este tipo de abordagem é fundamental para prevenir a fragilidade e prolongar a independência nas atividades de vida diária.
Mesmo em pessoas com condições clínicas já instaladas, como dor lombar persistente, fibromialgia, osteoartrose ou hipertensão, o exercício continua a ser uma ferramenta terapêutica de enorme valor. Quando devidamente adaptado, melhora a funcionalidade, reduz a dor e aumenta a confiança no movimento. Nestes casos, o acompanhamento por profissionais de saúde, nomeadamente fisioterapeutas, é fundamental para garantir segurança e adesão.
Para quem sente dificuldade em iniciar, a recomendação é começar devagar e aumentar progressivamente. O mais importante é a consistência. Pequenos hábitos, quando mantidos ao longo do tempo produzem benefícios significativos e duradouros.
Uma estratégia eficaz passa por definir objetivos simples e realistas. Por exemplo: caminhar 20 minutos, três vezes por semana, durante o próximo mês. Metas específicas e alcançáveis e adaptadas à sua realidade diária aumentam a motivação e facilitam a criação de rotina.
A atividade física não deve ser encarada como uma obrigação, mas como uma forma de autocuidado, prevenção e investimento no futuro. Mover-se é preservar a autonomia, proteger a saúde mental, prevenir doença e melhorar a qualidade de vida.
Como fisioterapeuta, deixo um apelo à população de Proença-a-Nova: aproveitem os recursos que a nossa terra oferece, saiam de casa, caminhem, explorem a natureza, pratiquem movimento no vosso dia a dia. O corpo foi feito para se mover e a saúde agradece cada passo dado.
A mensagem é simples: mexer-se hoje é viver melhor amanhã.
