Ações: O que são, como funcionam, riscos associados e outras especificidades
Ações: O que são, como funcionam, riscos associados e outras especificidades

Estimado Leitor,
Nos últimos artigos iniciámos a abordagem aos vários produtos financeiros disponíveis no mercado, dando destaque aos mais conhecidos, tradicionais e seguros, embora com rentabilidade líquida algo limitada e geralmente inferior à inflação. Estamos a referir-nos aos Depósitos Bancários e Certificados de Aforro.
Agora, na presente publicação, vamos entrar nas soluções com maior risco financeiro, mas que poderão potenciar a rentabilidade global do nosso património financeiro. Isto tendo também em conta que é conveniente a diversificação da nossa carteira de investimentos, o que significa que não “devemos colocar todos os ovos no mesmo cesto “.
Assim sendo, hoje apresentaremos as Ações, analisando uma série de tópicos sobre a sua essência, funcionamento, riscos associados, … Essas questões, a que tentaremos dar resposta, são essencialmente as seguintes: O que são Ações? – Como se designam os detentores dos títulos? – Quem são as entidades emitentes? – Que fatores influenciam o retorno financeiro dos acionistas? – Quais os cuidados a observar quando se adquire Ações? – Exemplos de Ações nacionais e internacionais mais comercializadas?
Vamos então prestar a devida resposta a estas questões.
O que são Ações?
Ações são títulos que representam uma fração (quota-parte) do capital social da empresa.
Como se designam os detentores dos títulos? E as entidades emitentes?
Os detentores das Ações designam-se acionistas e as entidades que as emitem são Empresas.
Que fatores influenciam o retorno financeiro dos acionistas?
Entre outros fatores, que poderemos inventariar, gostaríamos de destacar os seguintes:
a. Evolução da cotação da Ação: A forma, positiva ou negativa, como evolui a cotação da Ação fornece-nos uma perspetiva da dimensão atualizada da carteira e da sua rentabilidade (valorização) até ao momento da análise.
b. Distribuição de dividendos: Existem Ações que preveem distribuição regular de dividendos (parte dos lucros) aos acionistas e outras que não contemplam essa possibilidade (neste caso as empresas optam por incorporar / reinvestir os lucros do negócio no seu desenvolvimento futuro).
São duas opções válidas e com perspetivas distintas. Para quem tem uma carteira de grande dimensão e pretende, por exemplo, “viver dos rendimentos”, a opção (com distribuição de dividendos) pode fazer sentido, já que permite o recebimento de um rendimento regular significativo. Relativamente aos acionistas, que têm mais o foco na valorização da carteira a médio / longo prazo, a ausência de dividendos (e reinvestimento dos lucros das empresas no desenvolvimento do negócio) poderá potenciar a evolução mais favorável da cotação, com maior perspetiva de rentabilidade no futuro.
c. Performance da empresa: O crescimento do volume de negócio e a evolução dos resultados operacionais (lucro ou prejuízo) nos últimos anos são bons indicadores sobre a solidez das empresas e perspetivas futuras do negócio. Isto sem garantias absolutas sobre os anos seguintes já que a evolução do contexto global externo e a qualidade da liderança e gestão reservam-nos, por vezes, algumas surpresas.
d. Custos transação e manutenção dos títulos: Embora possa parecer um pormenor menos relevante, a realidade é outra. Por vezes, estes encargos “absorvem” uma parte significativa da rentabilidade dos títulos, e por isso, deverão ser alvo da nossa atenção regular.
Quais os cuidados a observar quando se adquire Ações?
Devemos estar preparados para uma série de atitudes e comportamentos quando avançamos para a aquisição deste tipo de títulos.
a. Conhecer com algum detalhe as empresas em que se pretende investir
Devemos analisar com alguma profundidade as empresas em que pretendemos investir. Para além do crescimento do negócio e do resultado operacional dos últimos anos, é necessário verificar a sua atividade, mercados em que atua (e que pretende explorar), clientes principais, parcerias com outras entidades, projetos recentes, …, entre muitas outras vertentes e perspetivas.
b. Disponibilidade para acompanhar com regularidade o investimento
É importante ter uma postura pró-ativa para acompanhar a evolução do investimento e tomar eventuais medidas corretivas. Todavia, não nos devemos “assustar” com a sua volatilidade, que é normal neste âmbito, mas sim tentar entender, em cada momento, as razões das variações, mais ou menos positivas, que vão ocorrendo.
c. Conhecer e/ou acompanhar eventos ocorridos nas empresas
De alguma forma relacionado com os tópicos anteriores, é fundamental ter conhecimento de possíveis aumentos de capital, investimentos estratégicos, resultados operacionais, fusões, aquisições, …, entre outros acontecimentos igualmente relevantes.
d. Aprender a constituir e gerir uma carteira diversificada
É um dos aspetos mais importantes para a segurança e rentabilidade de uma carteira de Ações. Centralizar uma parte significativa das Ações numa ou duas empresas, por muito robusto e sólido que seja o seu passado e as perspetivas teóricas futuras, é um grande erro.
Deverá existir capacidade de análise (ou aconselhamento financeiro) e disponibilidade para constituir carteira diversificada, com variados títulos, e que de alguma forma se complementem. E neste âmbito da complementaridade / diversificação, devemos prestar atenção a aspetos como a geografia das empresas, mercados em que atuam, as suas atividades, …, entre outros.
Caso não exista essa capacidade e disponibilidade, para praticar essa diversificação no âmbito acionista, mas se pretenda investir em ativos com algum risco financeiro (e perspetiva de rentabilidade líquida superior à inflação), será preferível optar por outro tipo de títulos (ex. ETF), onde essa diversificação é assegurada de forma mais natural e “quase automática”. Mas sobre esses “instrumentos”, falaremos de forma detalhada em artigo posterior.
e. Analisar comissões de subscrição, manutenção, …, dos títulos
Como já referido, é igualmente um tópico muito importante, que deve merecer a nossa análise, para sabermos que parte da rentabilidade “absorve”. E caso entendamos que é muito significativa, devemos procurar alternativas sobre a entidade gestora dos títulos, passando por exemplo, de um banco comercial para um corretor (ex. Degiro, …), onde esses encargos poderão ser muito mais competitivos e acessíveis.
Exemplos de Ações (nacionais / internacionais) disponíveis no Mercado Bolsista
Existem milhares de empresas cotadas em Bolsa e com Ações transacionadas nos mercados bolsistas nacional e internacional.
Somente a título de mero exemplo, indicamos as seguintes:
– Nacionais (integradas no índice bolsista português PSI 20): EDP, Galp, CTT. Mota-Engil, …
– Internacionais: Coca-Cola, Apple, Microsoft, Amazon, …
Relativamente aos riscos financeiros abordados em artigos anteriores, designadamente, riscos de crédito, mercado, capital, liquidez, cambial e inflação, o “panorama” aplicável no âmbito das Ações é o seguinte:
Risco de crédito: Este risco existe nas Ações, e pode ser mais ou menos significativo, dependente da probabilidade de falência da empresa.
Risco de mercado: Também se aplica este risco. Depende da “lei da oferta e procura”, e por isso, o preço (cotação) das Ações está sujeito a constantes oscilações (pode subir e descer).
Risco de capital: Existe também. A probabilidade do investidor obter uma rentabilidade mais elevada, face a outro tipo de aplicações financeiras, implica a não existência de garantia de capital.
Risco de liquidez: No contexto acionista este risco não é muito elevado, pode considerar-se reduzido / médio. O risco de liquidez é medido pela facilidade com que os títulos podem ser transacionados no mercado, e geralmente a liquidez é elevada no mercado acionista, embora possa variar consoante os títulos em negociação. Isto apesar da subscrição de Ações dever ser realizada com um horizonte de médio / longo prazo.
Risco cambial: Este risco deve ser considerado. Caso os títulos sejam subscritos em divida estrangeira, quando da sua venda e conversão para a nossa moeda (€), parte da rentabilidade pode ser perdida. Isto se a evolução da cotação da divisa original (em relação à final) não for favorável.
Risco de inflação: Este risco está sempre presente. Se a taxa de juro líquida obtida for inferior à inflação, em termos reais, o investidor perde valor. Contudo, no mercado acionista, numa ótica de médio / longo prazo, é normal a rentabilidade líquida atingir “patamares” superiores (ou mesmo muito superiores) à inflação, embora tal possa depender dos títulos em negociação.
Para terminar, e sobre este instrumento de investimento (Ações), apenas um simples resumo dos tópicos principais e algumas recomendações finais:
– Trata-se de um investimento com risco financeiro, como referido anteriormente;
– Produto que apresenta alguma volatilidade, com oscilações no rendimento, que devemos considerar naturais;
– Este tipo de ativos deve ser subscrito na ótica de médio / longo prazo;
– Apesar desta perspetiva de médio / longo prazo, a maioria das Ações possui uma liquidez significativa no mercado bolsista;
– Numa ótica de médio / longo prazo, o mercado acionista tem apresentado rentabilidade líquida superior à inflação, embora a situação possa variar consoante os títulos em negociação. Mas é importante destacar também que rentabilidades passadas não garantem rentabilidades futuras.
Relativamente à subscrição de Ações, entendemos ser útil destacar que será conveniente:
Algum conhecimento financeiro e capacidade de análise;
Aconselhamento financeiro adicional;
Análise prévia das empresas em que se pretende investir;
Diversificação da carteira para mitigar os riscos a assumir.
O artigo já vai extenso, e hoje ficaremos por aqui. Na próxima publicação continuaremos nesta “onda” de produtos com risco financeiro, abordando as Obrigações, que apresentarão uma série de diferenças em relação às Ações.
Boa análise e até breve

