ACANAC – 18 mil na cidade da Lona

ACANAC – 18 mil na cidade da Lona
Dom Antonino Dias

De um a sete de agosto vai decorrer, nesta nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco, mais propriamente no Campo Nacional de Atividades Escutistas – CNAE -, na Quinta do Monte Trigo, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, o 24º Acampamento que a Junta Central do Corpo Nacional de Escutas – CNE – promove. Embora tenha capacidade para 25 mil pessoas, este ano, o Acampamento Nacional – ACANAC – vai acolher, nesta urbe altamente ecológica, cerca de 18.500 Escutas. Não só portugueses, também gente de 24 países, incluindo 50 ucranianos, lê-se nas notícias de divulgação. Para além de promover a terra, a população do concelho aumenta cerca de 117% ao longo da semana. O evento será, como sempre, uma feliz aventura em sã convivência. Há propostas educativas, atividades diversas, reveem-se amigos, conhecem-se pessoas, geram-se mais amizades. Todos se envolvem, crescem, aprendem, ensinam, fazem coisas, nem sempre fáceis mas sempre úteis. Os Dirigentes, sem serem pai ou mãe galinha, são “a mão que apoia, o ouvido que escuta, a voz que aconselha”. Importante é que todos façam o favor de serem felizes. O viver e governar-se dentro deste formigueiro atarefado, criativo e traquina, mas exigente e disciplinado como convém a jovens que amam a vida e se treinam na sabedoria e arte do bem viver, implica também a boa gestão dos parcos orçamentos pessoais. Há muita coisa nos bares e mercados que, embora boa e apetecível, dela não se precisa nem se pode precisar. Bem gerir as economias é um dever pessoal e de solidariedade social….

Para quem não sabe, este Campo Nacional de Atividades Escutistas, em Idanha-a-Nova, tem 78 hectares. Fica perto da vila de Idanha-a-Nova, do santuário da Senhora do Almurtão, da Barragem do Marechal Carmona, não longe da Barragem de Toulica e circundada de terras turísticas com interesse histórico, cultural e paisagístico. A propriedade foi adquirida pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e cedida em regime de direito de superfície ao Corpo Nacional de Escutas por 50 anos. Álvaro Rocha era o Presidente da Câmara Municipal, Joaquim Soares o Vereador sempre presente nos trabalhos seguintes. Afetado pelos incêndios de 2001 e 2003, o terreno foi reflorestado com o apoio da empresa “Bayer Cropscience” em parceria com os serviços da Câmara Municipal e os próprios escuteiros, assim era noticiado. Foram abertas, pela Engenharia Militar, estradas e plataformas indispensáveis. Com o apoio da Câmara Municipal e também dos serviços regionais do Ministério do Ambiente, criaram-se, e vão-se aperfeiçoando, infraestruturas de sombreamento, de água, de eletricidade, de combate a incêndios, algumas destas estruturas a título definitivo. Antes, os acampamentos nacionais, que eram sempre realizados em matas nacionais ou quintas particulares, exigiam montagem e desmontagem das infraestruturas em cada acampamento: uma trabalheira de suar a camisa e escoar os bolsos!

Este Campo foi inaugurado, com pompa e circunstância, em 1 de agosto de 2007. Para além das atividades que ciclicamente aqui se vão promovendo, já se realizou neste Campo o ACANAC de 2007, o de 2012, o de 2017, seguindo-se agora o de 2022 sob o imaginário “Construtores do Amanhã”, naquela consciência de que, conhecendo o passado, o “Hoje será sempre o dia para construir um novo amanhã”! Este acampamento também é vivido dentro do contexto dos 100 anos do Corpo Nacional de Escutas, que celebraremos em 2023. O movimento escutista continua a ser “uma brincadeira muito séria”, um “jogo sedutor, divertido e interessante”, que, no respeito pelos treinadores, jogadores e regras do jogo, favorece a educação integral. É uma proposta de desenvolvimento sustentável com impacto na cidadania da polis e na cidadania do Reino para onde todos convergimos. O ACANAC, que se vem realizando desde 1926, tem variado a sua periodicidade, já foi de quatro em quatro anos, tem sido agora de cinco em cinco.

Nestes dias estão a ser montadas cerca de 3.500 tendas, dois supermercados de mil metros quadrados cada um, dois refeitórios para 60 mil refeições num total de cerca de 333 mil durante a semana, seis bares, um campo náutico, um campo aventura, um hospital de campo com quatro enfermarias, uma arena para 22 mil pessoas, uma zona central para exposições das Regiões e não só. Enfim, todas as infraestruturas julgadas necessárias para bem estar e agir. Os cidadãos da polis dividem-se em pequenos grupos, por faixas etárias: os Lobitos, dos 6 aos10 anos; os Exploradores, dos10 aos 14 anos; os Pioneiros, dos15 aos 18, e os Caminheiros, dos 18 aos 23 anos. Todos vivem integrados nas suas equipas dentro das suas seções, tendo atividades organizadas e coordenadas de acordo com as suas idades.

Também existe uma Capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima, inaugurada em 2017, no 23.º acampamento nacional, com mais de 22 mil escuteiros. O casal de arquitetos, Pedro Ferreira e Helena Vieira, antigos escuteiros, inspirados na sua própria experiência escutista, com “a vida ao ar livre, o acampamento, a tenda, a sobriedade e simplicidade das construções e estilo de vida”, sonharam e concretizaram o edifício, onde não falta a alusão ao lenço escutista, símbolo da promessa e do compromisso neste movimento, bem como não falta o panorâmico enquadramento, a luz, a água, o silêncio e a junção de outros elementos que favorecem o recolhimento para escutar Deus, a Natureza e os Outros com os olhos e os ouvidos de coração agradecido. A Capela tem sido tema de publicações e distinguida com prémios nacionais e mundiais de design e arquitetura.

As atividades podem ser acompanhadas nas redes sociais do CNE – “escutismo” em qualquer plataforma – onde serão partilhados vídeos diários, este ano com a novidade de terem “uma espécie de telejornal, feito pelos voluntários, com notícias do campo”.

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