A “BAZUCA” do ilusionista

 A “BAZUCA” do ilusionista

imagem retirada de https://www.jornaltornado.pt/

O Plano de Recuperação e Resiliência, lançado para conter a grave crise económica em que a recente pandemia veio colocar a já de si muito frágil economia portuguesa foi batizado de “bazuca”.

Era bom que tal nome tivesse sido atribuído por inocência política, infelizmente suspeito que não. Talvez seja mesmo porque os 15 mil milhões de euros que Portugal irá receber sejam desperdiçados tal como uma bazuca no campo de batalha.

Ora, a bazuca é atualmente uma arma praticamente obsoleta. É uma arma de construção fácil, tecnologicamente rudimentar, de curto alcance e que tinha mais efeito psicológico pelo “estrondo” que provocava que prático pela sua pouca assertividade. Atualmente é utilizada quase em exclusivo por organizações terroristas de todo o Mundo, fruto da sua facilidade de contrabando.

Também a arte do ilusionismo, que atingiu o seu auge na II Grande Guerra, é cada vez mais raro, uma profissionalização cada vez maior das forças armadas mundiais não deixa grande margem para ficção científica. Se foi com “artes mágicas” que os Alemães foram enganados com o “socia” do general Montgomery ou com um falso oleoduto no Norte de África, de pouco serviu a Sadam Hussein a construção de aviões de papel na véspera da operação “Tempestade no Deserto”. Já enganar um povo inteiro, parece cada vez mais fácil. Numa sociedade onde a informação corre à velocidade da luz, parece cada vez difícil ao cidadão comum fazer uso da sua inteligência e procurar o contraditório da informação com que é sistematicamente bombardeado.

Os milhões da “bazuca” milionária pouco mais nos trará que a ilusão para a resolução dos problemas estruturais do país. É sabido que o tal Plano de Recuperação e Resiliência apenas foi colocado a discussão publica para satisfazer as exigências da União Europeia. Também sabemos já que para o sector privado, verdadeiro motor de desenvolvimento de qualquer sociedade moderna, apenas ficarão umas migalhas. Para os privados continuará a sobrar em burocracias, carga fiscal e custos de energia ou mobilidade o que falta em recursos e vontade política. A visão do nosso governo central para os nossos empresários e empreendedores apenas oscila entre “um predador a ser abatido” ¹ ou “uma vaca a ser ordenhada” ¹.

Para o sector publico e para todo aqueles que gravitam como sanguessugas à sua volta, ficará o grosso do “bolo”. Desta vez haverá verba suficiente para alavancar todos os sonhos governativos, sejam eles aeroportuários, rodoferroviários, travessias do Tejo, minas e refinarias de lítio, centrais de hidrogénio ou… finalmente colocar as vacas a voar. Proceder-se-á à contratação dos melhores assessores formados pela universidade do Largo do Rato com ampla experiência profissional, devidamente atestada pelo currículo. Serão criados mais uns quantos observatórios para aferir a “pontaria” da “bazuca” e pelo menos uma Task Force para comunicar ao país os bons resultados obtidos no país das maravilhas. Claro que no final, se alguma obra sair do papel, essa será sempre paga pelos mesmos do costume. Os milhões da “bazuca” estão irremediavelmente condenados a “evaporar-se” pelos corredores do poder e do compadrio que pandemicamente tomou conta deste país.

Numa guerra, os únicos verdadeiros vencedores são aqueles que vendem as armas, ou os que enchem o peito de medalhas à custa do sangue derramado pelos inocentes.

O tempo nos dirá quem é que verdadeiramente lucrou com a venda das “bazucas”. O tempo nos dirá quem quer encher o peito de medalhas, ou o bolso de notas.

Não haja ilusões. No final, Portugal continuará o seu calvário, rumo ao título de país mais pobre da União Europeia.

¹- Adaptado das declarações deWINSTON CHURCHILL sobre o empresário privado. “Alguns veem a empresa privada como um predador a ser abatido, outros como uma vaca a ser ordenhada, mas muito poucos a veem como um poderoso cavalo puxando a carroça.”

João Paulo Marrocano

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscreva a nossa newsletter