8 de Março

8 de Março

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Para mim, o dia 8 de Março é uma oportunidade para fazer memória: Dia da Mulher e Dia São João de Deus.

Esta memória leva-me a pensar na evolução na relação entre homem e mulher. Na Bíblia, o livro do Génesis, apresenta o homem e a mulher como iguais em dignidade e diferenciados no papel na sociedade. A humanidade teve sempre dificuldade em viver esta visão e foi criando sempre uma distinção pejorativa em detrimento da mulher. Não sou adepto do igualitarismo funcional, mas defendo a igual dignidade que começa na pessoa em si mesma e se prolonga naquilo que cada homem/mulher realiza. A diferença entre os dois deveria ser um desafio à complementaridade evitando a tradicional descriminação. O homem nem sempre foi consciente de que não respeitar a mulher, sua semelhante, é desrespeitar-se a si mesmo. Por outro lado, a atitude submissão da esposa, vista muitas vezes com um acto de amor ao marido, constituiu uma violação à sua dignidade como pessoa. O respeito eleva o nosso semelhante e o amor desafia-nos ao compromisso, à fidelidade, ao sonhar e trabalhar juntos, ao sofrer e à alegria lado a lado.

A releitura da história no seu tempo da relação homem/mulher é uma lição de vida a aprender para não seguir cometendo os erros de sempre quanto aos salários, à maternidade, à emancipação da mulher, à instrumentalização da sua imagem, à hegemonia masculina…

Neste dia 8, gostaria de fazer memória ainda de S. João de Deus que, na Espanha do século XVI, teve o sonho de recolher, nas ruas de Granada, os pobres e doentes, levando-os para o seu “hospital” e tratá-los segundo as necessidades/doenças que apresentavam. Estava assim criado, ao tempo, um princípio estruturador do hospital moderno. Da iniciativa deste homem nasceu a Ordem Hospitaleira de São de Deus, responsável, em Portugal, pelo tratamento de doentes, principalmente, do foro mental.

Esta Ordem Religiosa coloca no centro da sua vida aqueles (as) que sociedade em geral e as famílias em particular têm dificuldade em cuidar. Ver o doente mental como uma pessoa a ser cuidada não é o caminho mais normal. Os mitos da doença mental instalados no senso comum levam-nos a desviar-nos destas pessoas. Eles não são máquinas avariadas a dormir, muitas vezes, na rua. São pessoas que é preciso cuidar. Estes Irmãos de São João de Deus aproximam-se pra dar dignidade à pessoa doente e ajudar a família se ainda a têm.

Nesta quaresma que estamos a viver, aproveitemos dias como este para apreciar e transmitir afecto e amor às “mulheres” que constituem o nosso círculo vital, apreciar o dom da saúde que cada um é detentor buscando uma atitude de compromisso com aqueles que não a têm.

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