75 anos do Opus Dei em Portugal

75 anos do Opus Dei em Portugal

imagem retirada de https://diocese-setubal.pt

Fátima Fonseca – Professora

Conheci a Obra em setembro de 1978, através de uma minha colega de estágio, professora como eu, de inglês e alemão, no liceu Rainha D. Leonor, em Lisboa. Éramos cinco jovens, quatro raparigas e um rapaz, que não se conheciam, que então iniciavam um ano de intenso trabalho profissional sob permanente avaliação. Desde as primeiras  semanas, a minha colega chamou-me a atenção pela sua forma de estar e atuar: pela forma como se preocupou comigo ao ter de faltar alguns dias para fazer uma pequena cirurgia; era a única que me telefonava para saber do meu estado de saúde (meu marido, oficial de Marinha de Guerra, tinha sido enviado para os EUA para fazer um curso de seis meses  e eu estava sozinha com três filhos pequenos); guardou -me todos os apontamentos  e explicou – me tudo o que as orientadoras de estágio tinham feito na minha ausência; estava sempre alegre e  disponível para ajudar os colegas nos nossos trabalhos de grupo; tinha uma atitude discreta, serena, amável e atenta na sua relação com alunos, colegas e professores; era cumpridora, organizada e pontual…e assim, pouco a pouco, nasceu uma  grande amizade entre nós.

Um dia, convidou-me para ir com ela à Missa à Igreja de S. João de Brito, às oito da manhã, antes do início das nossas aulas. Fui e gostei. Saímos um pouco antes de acabar e corremos para o liceu. Doutra vez, no regresso a casa, ao dar-lhe boleia, ensinou -me  a rezar o Angelus às 12h.

Aos poucos, fui dando conta que aquele ano de estágio (tão receado por tantos professores) estava a ser para mim, não só um tempo de enriquecimento e prazer intelectual, como uma privilegiada caminhada de descoberta espiritual!

O pequeno gosto de irmos às vezes a correr tomar um café e comer um bolo na pastelaria da esquina, no intervalo das aulas, era motivo para ela me ensinar a dar graças a Deus! Assim como irmos receber o nosso vencimento, levantando um cheque na Caixa Geral de Depósitos (ali junto ao Santo António), como às vezes fazíamos, esperando a nossa vez numa longa fila, também se convertia em matéria de oração …para meu grande espanto, perguntou-me um dia, se já me tinha lembrado de oferecer a Deus o trabalho daqueles empregados de balcão que nos atendiam …

Noutra ocasião, convidou – me para  fazermos um trabalho de grupo em sua casa; conheci então o centro onde vivia, as pessoas com diferentes profissões que também ali moravam, ‘numerárias’ do Opus Dei, como a minha amiga, fiquei a saber quem era S. Josemaria (nessa altura, ainda não canonizado, mas apenas o ‘Nosso Padre’, como carinhosamente chamavam ao seu Fundador),  e fiquei encantada com a capela – um pequeno Oratório, tão bonito- onde algum tempo depois gostei muito de ouvir uma primeira meditação dada por um sacerdote goês que eu não conhecia. E, no mês seguinte, uma recoleção, dada por outro sacerdote mais novo, ambos engenheiros antes de ordenados padres.

E foi assim, que fui conhecendo e aprendendo a essência do Opus Dei e recordo hoje, com carinho, sete grandes descobertas dessa minha caminhada espiritual:

1. Aprendi que o meu Pai Deus me amava e cuidava, e nunca me abandonaria, e esse Amor me dava garantia de alegria e confiança – era uma verdadeira relação de carinhosa e confiante filiação divina!

2. Compreendi que era possível viver a unidade de vida, isto é, manter-me na presença de Deus ao longo de todo o dia, trabalhando, brincando com os meus filhos, ou tratando deles e da minha casa, descansando, rezando, procurando fazer o que devia com todo o empenho, o melhor possível, por amor a Deus e amor aos outros;

3. Dei conta que o que Deus me pedia, como mulher casada, mãe, e professora, era que me tornasse melhor pessoa e santificasse essas minhas circunstâncias, assim como ajudasse outros à minha volta – família, colegas e amigos- a se santificarem também, fazendo o que devia com empenho e competência para Glória e louvor de Deus; 

4. Percebi que o entusiasmo dessas descobertas era para contagiar e passar a outros de um modo natural, e não para guardar só para mim! Era uma chamada a ser Sal e Luz, ser brasa acesa, transbordar o que levava dentro na vida interior, num simples apostolado de amizade e confidência;

5. Aprendi que se conseguisse reorganizar a minha vida, marcando um tempo para rezar e outro para ir à Missa, aí carregava baterias de oxigénio espiritual, e a Missa tornar-se-ia o grande motor da minha vida, o centro e raiz da minha vida interior, onde poderia agradecer, louvar, pedir perdão e confiar alegrias, dores, angústias e problemas pessoais, ou dos outros, bem pertinho do Sacrário;

6.  Compreendi também, que era possível ser contemplativo no meio do mundo, nas ruas da cidade, na praia, no campo, apreciando a beleza da Natureza, de tudo o que Deus criou e olhando com olhos novos…as pessoas, as próprias coisas… e com Deus a meu lado, sempre estaria muito mais atenta aos outros e às suas necessidades, bem como ao mundo onde nos é dado viver com alegria e gratidão cada dia da nossa vida!

7. Percebi que crescer no amor e intimidade com Nossa Senhora e nossa Mãe do Céu e com São José e os Anjos e Santos, me levava a sentir-me cada vez mais próxima de todos os cristãos e mártires que nos precederam e mais unida ao Papa e à Igreja, a quem queria servir mais e melhor, partilhando um mesmo Credo, uma mesma Fé e alimentando-me nos mesmos Sacramentos.

Enfim, na verdade, aquele ano letivo de 78/79 foi algo de inesquecível para mim…

Ao longo destes 75 anos do Opus Dei em Portugal muita gente, como eu, pôde aproximar-se e beneficiar desta mesma espiritualidade laical. Uns gostaram, compreenderam a sua vocação e ficaram nesta grande família. Outros partiram em busca de outros caminhos. 

Que bom haver tantos carismas variados na Igreja, capazes de nos levar por vias diferentes, ainda que unidos no fundamental, até à meta final da Santidade, da Comunhão com Cristo! 

E que cada um e cada uma descubra o seu caminho, a sua vocação, e persevere!

Assim nos aconselhava, S Josemaria, no seu livro ‘Caminho’, no ponto 965- “Alegra-te quando vires que outros trabalham em bons campos de apostolado.  – E pede, para eles, graça de Deus abundante e correspondência a essa graça. Depois, segue o teu caminho; persuade-te de que não tens outro”.  

Demos Graças a Deus!

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