100 anos de escutismo a desafiar outros 100

100 anos de escutismo a desafiar outros 100
Dom Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco

Há quem dificilmente envelheça ou não envelheça mesmo! A sua capacidade de renovação apoiada na alegria de viver e na maturidade de servir com amor e esperança são o seu ponto de apoio e a sua alavanca para mover este mundo e ir ao encontro do outro, deixando este um pouco melhor do que o encontraram.

O Escutismo Católico Português (CNE), apesar do seus 100 anos, é o mais jovem e o maior de entre os maiores movimentos de jovens em Portugal. Não sei se será possível contabilizar quantos jovens passaram por ele ao longo deste século de existência. Sei que, atualmente, conta mais de 68 mil associados, verdadeiros espiões do futuro espalhados por todo o país. São mais de mil agrupamentos servidos por mais de 14 mil voluntários. Embora a estruturação fosse evoluindo, o CNE tem, como unidade básica, o agrupamento sob a direção de um chefe de agrupamento, com as suas quatro secções: Lobitos, Exploradores, Pioneiros e Caminheiros.

Surgiu em Braga, em 1923, por iniciativa do Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Mons. Avelino Gonçalves, natural da freguesia de Pias, concelho de Monção. Em 1922, ambos tinham assistido a um desfile de 20.000 Escutas, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional na cidade de Roma. Conhecendo melhor o movimento e o método, logo coordenaram outras vontades e esforços para o colocar em marcha na Arquidiocese. A 24 de Maio de 1923, teve lugar a primeira reunião, no n.º 20 da Praça do Município, para estudarem a possibilidade, a oportunidade e a estratégia de ação. Os primeiros estatutos foram aprovados a 27 de Maio desse mesmo ano, pelo governador civil de Braga, e confirmados em 26 de Novembro pela portaria n.º 3824 do Ministério do Interior e Direção Geral de Segurança, começando a partir desse dia a existir oficialmente, com personalidade jurídica. A 26 de Maio de 1924, o Decreto-lei n.º 9729, confirma a aprovação dos estatutos, alargando o seu âmbito a todo o território português. Em Janeiro de 1925, reuniu em Braga, pela primeira vez, a Junta Nacional. De Norte a Sul de Portugal, o movimento apressava a sua difusão, tendo como elo de união e de informação, desde Fevereiro de 1925, o jornal “Flor de Lis” que, mais tarde, em Janeiro de 1945, se apresenta em forma de Revista. Durante o ano de 1926 foram criadas e aprovadas as Juntas Regionais de Portalegre, Açores, Coimbra, Lisboa e Núcleo do Porto, que vieram juntar-se à de Leiria. Em Agosto desse ano realizou-se, em Aljubarrota, o primeiro acampamento nacional, a partir do qual o entusiasmo se reforçou e logo foram constituídas as Juntas Regionais da Guarda, Viseu e Madeira e os Núcleos da Régua, Coimbra e Aveiro”. Mas a história do CNE, se já é rica e bela, continua a construir-se.

Como afirma o atual Chefe Nacional, Ivo Faria, “O CNE destina-se à formação integral de jovens, com base no método criado por Baden-Powell e no voluntariado dos seus membros. Procura desenvolver, nas crianças e nos jovens, o sentido de cidadania ativa, baseado na sua participação no desenvolvimento das suas comunidades locais e no sentido de co-construção de um mundo melhor, a partir da sua ação local”. É um método que se exerce “através da autoeducação progressiva, baseado na educação não-formal, na qual as crianças e os jovens são chamados a tomar o papel principal do seu próprio desenvolvimento. Através do seu empoderamento, os jovens são chamados a tomar parte nas decisões que afetam o dia-a-dia dos seus grupos no nível local, regional e nacional, definindo a vida da associação”. O papel evangelizador, enquanto membros da Igreja, e a multiplicidade das atividades locais ao longo do ano, atividades “escolhidas, definidas, planeadas, preparadas, realizadas e avaliadas pelas crianças e pelos jovens, são a base do seu crescimento, no aprender fazendo”.

As atividades mais significativas das celebrações deste centenário, não serão as “nacionais, como o já realizado Acampamento Nacional, que em agosto reuniu mais de 18 mil escuteiros em Idanha-a-Nova, nem a Luz da Paz de Belém, que, pela altura do Advento e Natal, mobiliza milhares de escuteiros por todo o país, ou a Festa do Centenário, que irá levar a Braga, berço do CNE, dezenas de milhar de escuteiros, atuais e antigos, em 28 de maio”. As ações celebrativas mais marcantes serão as “sonhadas, preparadas e realizadas pelos nossos escuteiros, espelhados por todo o país, envolvendo as suas comunidades locais”. Celebrar, projetar e afirmar, são os desafios sempre em vista.

CELEBRAR – O CNE quer fazer sentir às comunidades e à sociedade em geral “que o Escutismo católico em Portugal celebra 100 anos e que continua com energia, com dinâmica e com vontade de continuar a ajudar crianças e jovens a desenvolverem-se de forma integral para terem um papel de intervenção na construção da nossa sociedade”. E serão os escuteiros, “eles mesmos, com proatividade, criatividade e alegria, a projetarem uma atividade, uma dinâmica, uma celebração que envolva as comunidades”.

PROJETAR – “É chegado o tempo de definir o caminho que queremos seguir para o nosso segundo centenário que se inicia, de discutir como vamos combater os muitos desafios que se aproximam”. Além do ‘Fórum 100’ como espaço para a discussão, “devemos promover isso nos nossos agrupamentos, núcleos e regiões, em ambiente informal, envolvendo os nossos escuteiros e adultos sem colocar limitações e dando espaço para que cada um possa fazer um processo, gerador de pensamento, sobre a nossa associação e sobre o Escutismo, e quais os novos desafios. Sendo capazes de gerar uma visão para o futuro”.

AFIRMAR – O CNE tem uma marca que é preciso afirmar. Cada escuteiro é desafiado a “marcar presença onde for possível falar sobre o Escutismo, onde se fale de juventude, ambiente, comunidade, voluntariado, sustentabilidade, liderança, trabalho em equipa, igualdade de género” (cf. Paulo Pinto, ‘Flor de Lis’, janeiro de 2023).

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