X Encontro das Famílias em Roma

 X Encontro das Famílias em Roma

Esta a decorrer em Roma o X Encontro das Famílias. Transcrevemos a entrevista ao casal Helena e Luís Pais que estão a participar neste encontro.

Como é que viveram ontem o Festival das Famílias?

LP

Foi bastante impactante, o Papa Francisco quis colocar em prática o que nos tem transmitido. Tocou nas periferias, mostrou o que é uma igreja em saída, ao dizer que não há famílias perfeitas, e os testemunhos que nos foram apresentados tocaram todas essas realidades de uma forma muito comovente, e acabaram por ser testemunhos amplificadores de tantas histórias que acontecem na vida de todos nós e do mundo.

Os testemunhos acabaram por ser representantivos…

HP

Creio que muitas das famílias deste mundo se reviram pelo menos num bocadinho de cada um deles. Não pela temática central, mas no que se espera do testemunho, que é uma mensagem de esperança, que mostra que é possível, com a Igreja organizada em prol daquilo que o Papa nos chama a atenção, é que nós famílias temos uma missão e não nos podemos demitir delas.

Este encontro é a conclusão de um ano muito bonito, em que a AL nos veio instruindo para qe possamos que não nos podemos demitir do que somos por natureza, sendo mãe de família: uma missão que tenho de levar e abraçar.

Luís Pais e Helena

São histórias de esperança, mas de muito trabalho e empenho na missão…

LP

Sem dúvida, e deixou-nos uma palavra de esperança e desafio para darmos mais um passo. A ligação que ele fez com a parábola do bom samaritano foi muito feliz, de querer que a Igreja seja pra as famílias como o bom samaritano foi, e faz todo o sentido que vejamos na Igreja esse bom samaritano, que nos possamos abeirar dela com as nossas dificuldades, e, com a sua ajuda, darmos um passo em frente, por mais pequeno que seja.

E como é que as famílias, e a Igreja, podem ser este bom samaritano?

HP

Creio que, primeiro, deixar cair barreiras, deixarmos de viver para dentro da própria família, porque ela pode ser aglutinadora de outras famílias. Não ter medo, não ter receio que aquele Jesus que aquela família me traz é para mim cura, é sair de mim mesmo e fazer este caminho sinodal com todos aqueles que fazem parte da comunidade onde estou inserida. Creio que este será o primeiro passo. Depois, acho que os trabalhos de hoje de manhã mostrou-nos isso, quando se falava dos rituais da Igreja doméstica achei giríssimo, porque de facto existe uma liturgia muito própria da família, que não fica em si, tem inúmeros caminhos onde pode beber das outras e dar de si. E aí sim, seremos esta Igreja samaritana.

De que forma este caminho sinodal pode impactar as famílias e a sua vida?

HP

Acho que ninguém consegue fazer nada sozinho, e se tivermos a consciência de que somos um puzzle da mesma figura, e se somos feitos à imagem de Deus, somos feitos à imagem do Amor. Portanto, o Amor não caminha sozinho, é estas mãos dadas. Um menino da catequese uma vez disse-me “Lena, eu já sei tudo disto da Profissão de Fé: é o Amor que se dá de mão em mão”. Ele referia-se a quando alguém dava Jesus ao outro. Neste gesto, é abrirmo-nos a esta transformação. O Papa dizia ontem para nos deixarmos transformar por Jesus. Se eu me deixo transformar, eu escuto o outro. Esta é outra palavra, escutar aquilo que Ele tem para me dizer e, em conjunto, eu faço este caminho sinodal, desde os mais pequeninos aos mais anciãos, passando pelos religiosos e pelos padres. Creio que o caminho se faz. Não sendo ele sinodal, creio que ele se faz com muito mais dificuldade em ultrapassar os nossos obstáculos enquanto família…

O caminho sinodal acaba por ser muito idêntica à vida em família…

LP

Sem dúvida, e temos muito a aprender nas nossas famílias, com a AL e com o que dela podemos extrair. Se enquanto família conseguirmos ser melhores famílias, vamos consguier chegar aos outros de forma melhor e ajduar a tornar o mundo, como o Papa ontem dizia, numa casa para os poder acolher e ajudar.

Em Portugal, como é que este caminho pode ser feito?

HP

Creio que as questões culturais são muito importantes na procura de uma mudança. Fazer esta pergunta num país nórdico e diferente que aqui. Em Portugal, e sendo eu portuguesa dos 4 costados, teria de ser mais genuína no amor que Deus tem para mim. Passar a escutar. Temos muita dificuldade em escutar, temos muito barulhos que nos atropelam, e às vezes tão parecidos que não sabemos por onde… e se tivermos mau ouvido, como eu, rapidamente nos enganamos. Se eu me deixar transformar neste amor, eu, tu, o outro, acho que as coisas irão realmente mudar. E o caminho sinodal faz-se, primeiro na família, onde temos uma panóplia de intergeracionalidade, tantas coisas bonitas, e se formos samaritanos neste pequeno espelho do que é a Igreja que é a família, seremos espelho na Igreja que temos. E em Portugal é esta proximidade. Vivemos muitas vezes na minha Igreja, na tua missa, no meu padre… se nos deixarmos interpelar por esta transformação, em Portugal esta mudança trará a sinodalidade que queremos.

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