Viver É Lutar. Lutar Cada Dia Para Sobreviver

Viver É Lutar. Lutar Cada Dia Para Sobreviver
Maria Helena Paes

E as férias estão a concluir. O novo ano letivo recomeça. Mais uma luta nova que se avizinha. Permita Deus que o novo ano seja repleto de acontecimentos positivos. O Verão apresentou-se com alguns momentos excelentes de repouso, seguidos de ocasiões de profunda tristeza e de incerteza ao nível da saúde de um jovem familiar muito próximo, repleto de saúde e que, nada fazendo prever, foi vítima de um grave derrame cerebral. Envidaram-se esforços, pedidos de oração, no sentido de se tentar ultrapassar este episódio, rogando a Deus pela sua cura. Passámos a viver um dia de cada vez sem perder a esperança, mesmo quando foi alvo de uma recidiva, tendo de ser operado de urgência. E é neste momento que nos encontramos sendo que a operação correu muito bem. Agora começa todo o processo de recuperação, que acreditamos irá decorrer de um modo favorável sob a proteção da Virgem Maria e o apoio da família e amigos. Deus é Pai!

Comentava com alguns familiares esta situação tão inesperada para todos, que nada fazia prever. Um dos familiares referiu: “Viver é lutar. Lutar cada dia para sobreviver”! Fiquei pensativa. A situação conjuntural que vivenciamos já de si é negativa. Tudo exige um cuidado e atenção redobrados, dando azo a que nos sintamos algo inseguros relativamente ao futuro, parecendo algumas vezes que nos falta o chão. E o chão viria mesmo a faltar-me. Ao atravessar um passadiço de madeira as tábuas levantaram-se e dei uma enorme queda. Meu Deus já basta o que basta! Graças a Deus não houve nada partido, unicamente escoriações e nódoas negras que com o tempo iriam sarar. E nestes momentos de angústia sentimos todo o carinho e oração dos amigos que nos ajudam a recriar a esperança num futuro mais promissor. E outras notícias menos boas foram surgindo. A uma amiga foi diagnosticada um tumor. Era necessário conceder-lhe força para enfrentar o que viesse a suceder. E o equilíbrio mais uma vez viria através da oração.

Mas outras amigas também chegaram. Que alegria depois da ausência provocada pela pandemia. Que abraços carinhosos e saudosos. Que convívio excelente com sorrisos pelo meio. Como foi bom revê-las, sendo que neste momento já se encontram de regresso ao seu país de origem. Fiquei admirada com a sua alegria, vivacidade e espírito desportivo. Atravessaram toda uma série de dificuldades que souberam superar. Uma delas, referiu que tinha perdido o marido há pouco mais de um ano com a doença SARS-Cov-2. Perguntei se não lhe tinha sido ministrada a vacina. Infelizmente o seu país tardou em decidir vacinar os seus cidadãos. A minha outra amiga também tinha tido Covid-19. Esteve muito mal, entubada, e não havia oxigénio. Graças a Deus, um amigo foi buscá-lo de helicóptero e assim conseguiu salvar-se.

A minha amiga Jurilza, excelente pessoa, com uns olhos imensos em que se vislumbra tanta bondade. Uma mulher lutadora cheia de força. Fez o seu doutoramento na área dos idosos depois de ter ficado viúva e de ter sofrido uma doença oncológica. Recordo as palavras sempre presentes na sua boca: “Gratidão e amizade”. Só pode ter sido Deus que as trouxe neste momento para me animarem e fazerem-me sentir pequenina face à sua enorme força. E também partilhou uma história divertida que referiu ser boa para um artigo. Na última viagem que uma amiga sua fez antes de a pandemia ter tomado as proporções que teve, veio a Portugal, mais precisamente à cidade de Lisboa, onde deixou uma mala por uns dias com a minha amiga, para não andar tão carregada. Já não foi possível regressar para a recolher. Pediu à minha amiga para lha enviar o que ela fez com o maior gosto. Só que a Jurilza se enganou e enviou uma mala do seu filho. A amiga ao aperceber-se do engano quando abriu a mala devolveu-a à Jurilza, enviando-a para a cidade do Porto, onde ela se encontrava então na companhia de amigos. Infelizmente a mala demorou a chegar tendo a minha amiga já partido de regresso ao seu país. Assim sendo a presente viagem tinha como objetivo não só gozar um período de férias, mas também ir à cidade do Porto recuperar a mala do seu filho, que a queria de volta. Posso adiantar que, ao partir de Lisboa, com mais alguns percalços ocorridos na cidade do Porto, tinha finalmente na sua posse a mala do filho para a entregar depois de tantas atribulações.

Partiram hoje. Senti algum vazio, muita saudade e a falta da sua companhia tão positiva. Se Deus quiser voltarão para o próximo ano. Ao meditar em todos estes acontecimentos pensei na importância da oração que tanto me tinha ajudado nestes tempos mais conturbados em que houve de tudo: Bom e menos bom.

Recordei o ponto 479 do livro Sulco de S. Josemaria Escrivá: “Reza por mim”, pedi-lhe, como faço sempre. E respondeu-me, assombrado: “Mas acontece-lhe alguma coisa?” Tive de esclarecer-lhe que a todos acontece alguma coisa em qualquer instante; e acrescentei-lhe que, quando falta a oração, “acontecem e pesam mais as coisas”.

Concluo este artigo denominado: “Viver é Lutar. Lutar Cada Dia Para Sobreviver” com uma frase do Papa Francisco: “A oração é o oxigénio da vida”.

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