Visita do Papa a França

Padre Aires Gameiro, Ordem Hospitaleira de S. João de Deus
Critérios pastorais
Nas visitas pastorais do Papa os protocolos e objetivos políticos e pastorais não coincidem nem têm que coincidir.
Na que o Papa vai realizar a França, de 25 a 28, os simbolismos de um lado e outro exigiram bastante sensibilidade e cedências.
Parece que desta vez está em foco um sinal bastante positivo em relação às fortes tendências de prática cristã que se têm manifestado nos adultos e nos jovens (cf. ZENIT).
É um conforto que os batismos destes tenham aumentado na Páscoa e denotem um reavivar da fé cristã na procura dos sacramentos de iniciação. E de vida com sentido de vida.
Os pedidos de batismo de 21 mil, subiu mais 20%, em relação à Páscoa do ano passado. É um sinal encorajador e só é de esperar que continue.
Os abusos sexuais na Igreja, apesar dos sofrimentos que espalham, serão enfrentados na visita com gestos significativos. E do mesmo modo, também, o drama dos migrantes e exilados exacerbados por guerras contínuas e tráfico de pessoas.
Os gestos políticos terão o seu lugar, mas sem o triunfalismo que agradaria mais aos governantes de topo, com a presença do Papa a entrar triunfante em Notre Dame acompanhado pelo Presidente a explicar as brilhantes maravilhas da arte da restauração do ex-libris de Paris.
O Papa inclina-se mais para a oração na Catedral com sacerdotes e religiosos, e outros grupos, a rezar e cantar as Vésperas.
E os políticos não são excluídos de poderem acompanhar estes gestos de fé cristã para os quais as Catedrais foram construídas há séculos para o povo cristão de todos os países.
Haverá , sim, um encontro entre o Presidente Macron, o Corpo Diplomático e o Papa no Palácio do Eliseu.
E usa-se o estádio de Saint Dinis cheio de jovens e adultos a afirmar e celebrar a sua fé depois de um longo período de secularização e abandono da prática cristã há decénios.
Em Lurdes, o Santuário da Imaculada, por excelência, também, dos doentes e dos que sofrem, acompanhados por todos os samaritanos da Hospitalidade evangélica, a visita marcará um momento alto da fé cristã ao lado da “Bendita porque acreditou no que lhe foi dito da parte do Senhor”.
Foi certamente um gesto de dor e vergonha o que levou os responsáveis do Santuário a cobrir a produção artística em que se misturaram os abusos que a negam como arte de louvor e fé cristã.
No Santuário, o Papa acolhe o desabafo sanador de um grupo de abusados. Tanto neste Santuário como em Metz o tema da visita papal: “para que o mundo tenha vida”, será reafirmado no sentido da defesa e afirmação da dignidade da pessoa, e de Deus Pai dos seus filhos, no respeito pela vida e cuidados de nascituros e de moribundos. S. Pio de Pietralcina, em cuja festa escrevo, não hesitou em chamar ao aborto “assassínio e suicídio da humanidade”. E a guerra o que é? Como não associar a guerra e a eutanásia?
As guerras e o seu desarmamento e com caminhos para a paz terão os seus simbolismos celebrados na visita a Metz.
O facto de ser uma cidade na encruzilhada de fronteiras, de línguas, crenças, guerras e políticas, além de ser a terra de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, ficará marcada com um encontro inter-religioso e apelos à paz.
A visita do Papa, à França, terminará com a Missa na catedral de Santo Estevão de Metz.
Em Paris, será dada importância à cultura internacional, representada no Organismo das Nações Unidas, a UNESCO, e será valorizada com um discurso de grande expetativa, pronunciado por Leão XIV.
Do ponto de vista de efeitos de multidões esgotou-se rapidamente a capacidade dos 80.000 do Estádio Nacional, os 150.000 do espaço de Lurdes e a celebração na Praça da Concórdia e avenidas à volta , a ultrapassar os 500.000.
Espera-se, numa palavra, que concorra para que todos os povos tenham vida em abundância e que se continue na eternidade como Jesus prometeu durante a sua vida na terra.
*Aires Gameiro, Funchal, Visita do Papa a França, 25-28 de setembro de 2026
