“Uma ilha na cidade”

“Uma ilha na cidade”
Maria Susana Mexia, Professora de Filosofia

O Colégio de Santo António, na Ilha do Faial, iniciou a sua actividade na segunda metade do século passado, integrado no contexto de uma instituição religiosa de beneficência, revelando-se um marco na educação da juventude açoriana, não só pelo modelo e método adoptados, como também pelos excelentes resultados obtidos pelas alunas que o frequentavam.

O corpo docente deste colégio primava pela pontualidade, assiduidade, competência e cuidado no exercício da sua nobre missão de ensinar, plenos e cientes duma sabedoria prática visando pôr as alunas no caminho do conhecimento, na procura de valores, estimulando, acreditando e potenciando as suas capacidades.

Era um tempo de vida difícil, o futuro não se avizinhava de modo fácil, nomeadamente pelo contexto insular em que se inseria, em que a única esperança era fazerem-se ao mar em busca do sonho americano, desafiando a sorte num trabalho com sucesso profissional e económico, hipótese minorada para as raparigas de então.

Apostando na formação integral das alunas, também não foram descurados a moral cristã, o espírito de família, a hospitalidade, a alegria e o serviço na convivência entre as Irmãs, as educadoras e as educandas. Na visão espiritual franciscana, a educação da vontade, a assimilação das regras de conduta, a ordem, o trabalho metódico, a justiça e a solidariedade, eram a condição sine qua non para que a evolução e o sucesso se tornassem uma realidade com passaporte para o futuro.

Pioneiro no seu tempo e um modelo a seguir com provas dadas de muito empenho, trabalho, vontade e dedicação, não será chegada a altura de nos interrogarmos sobre o que ainda nos é pedido para continuar, apostando num ensino de excelência, de forma a suprir as grandes carências do presente?

Não apostar na educação é empobrecer o futuro das novas gerações, coarctando-lhes o direito de se forjarem como cidadãos livres e responsáveis, exemplo máximo de cidadania activa e participada.

A verdadeira educação não se limita só a técnicas pedagógicas e a saberes cognitivos, é muito mais do que isso. Na nossa sociedade impõe-se a primazia do ético sobre o técnico, o primado da pessoa sobre as coisas, a superioridade do espirito sobre a matéria, da transcendência do homem sobre o mundo e de Deus sobre o homem.

A verdadeira educação só pode assentar numa antropologia que valorize a verdade, que promova a inviolabilidade dos valores da vida e da dignidade do homem como fundamento de cultura. Deve abarcar o físico – o corpo, a moral, o caracter, o intelecto, o conhecimento e o religioso. Tornar a pessoa mais pessoa é o verdadeiro objectivo da educação, pelo que não há nem pode haver educações “neutras”, que se identificam com relativismos, niilismos ou subjectivismos, desagregadores da malha social e comprometedores de projectos comuns de evolução e qualidade.

Conhecedora profunda da área da educação à qual dedicou toda a sua vida profissional, Conceição Castro Ramos, ex aluna de “O Colégio de Santo António”, brinda-nos com um livro sobre os seus antecedentes, história e identidade.

Documento histórico, testemunho duma vivência enriquecedora, com um reconhecimento pelo muito que recebeu e gratidão pelo passado, esta monografia tem também o condão de nos despertar para a premência do nosso empenho e actividade em prol dum mundo melhor.

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