Região: CIMBB contra atual configuração da PSZAER

 Região: CIMBB contra atual configuração da PSZAER

A Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) emitiu uma pronúncia desfavorável à proposta de Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), no âmbito da respetiva consulta pública. Segundo a CIMBB, a posição foi “aprovada pelo Conselho Intermunicipal da Beira Baixa, reunido no dia 2 de julho, e remetida à Agência Portuguesa do Ambiente”.

“A CIM Beira Baixa reconhece a urgência da transição energética e apoia o reforço das fontes de energia renovável. Considera, contudo, que a delimitação proposta concentra uma parcela desproporcionada dos encargos territoriais, ambientais, paisagísticos e sociais em municípios do Interior e de baixa densidade, sem demonstrar uma distribuição nacional equilibrada nem assegurar benefícios locais obrigatórios e duradouros”.

As áreas identificadas na proposta correspondem, em alguns concelhos da região, a parcelas entre 4% e mais de 35% da respetiva superfície municipal. Esta incidência ocorre num território que já acolhe barragens, parques eólicos e solares, linhas de alta e muito alta tensão, subestações e outras infraestruturas energéticas.

Para a CIM Beira Baixa, este contributo para o sistema energético nacional “não tem sido acompanhado por benefícios permanentes e proporcionais para as populações, empresas e serviços públicos da região, nomeadamente através da redução do preço da energia, da criação de emprego duradouro, da atração de investimento ou da participação das comunidades na riqueza gerada”.

A Beira Baixa aceita ser parte da solução energética nacional. Não aceita, contudo, que a baixa densidade, a fragilidade económica e a menor capacidade de influência política sejam tratadas como disponibilidade territorial ilimitada”, lê-se na pronúncia da CIM Beira Baixa.

Entre as principais reservas apresentadas encontram-se a ausência de limites máximos para a ocupação territorial, a insuficiente articulação da cartografia com os Planos Diretores Municipais e a falta de uma avaliação adequada dos impactes acumulados das infraestruturas já existentes, licenciadas ou previstas. A CIM Beira Baixa alerta igualmente para possíveis incompatibilidades com habitações, captações de água, áreas agrícolas e florestais, corredores ecológicos, zonas de lazer, paisagens identitárias, infraestruturas e estratégias municipais de desenvolvimento.

Na pronúncia submetida a consulta pública, a CIM Beira Baixa propõe a criação de um Índice de Carga Territorial Energética de âmbito nacional, que contabilize a área ocupada, a potência instalada, a extensão das linhas elétricas e servidões, as subestações e os projetos existentes, licenciados ou previstos, bem como a capacidade ecológica, paisagística, social e infraestrutural de cada território. Com base neste indicador, deverão ser definidos limites máximos de ocupação por município, unidade de paisagem e região, bem como mecanismos que permitam suspender novos projetos quando sejam atingidos os limiares de capacidade territorial. A CIM Beira Baixa defende ainda que a instalação de novos equipamentos deve privilegiar áreas já artificializadas ou degradadas, como coberturas de edifícios, parques de estacionamento, zonas industriais, estações de tratamento de águas residuais, pedreiras e antigas minas.

A CIM Beira Baixa propõe que todos os projetos que beneficiem do regime acelerado fiquem sujeitos a um Pacto de Benefício Territorial e Energético, de natureza contratual, pública e fiscalizável, aplicável durante toda a vida útil das instalações.

Para a CIM Beira Baixa, a transição energética apenas será justa, sustentável e socialmente aceite quando os territórios que produzem e transportam energia participarem nas decisões e beneficiarem, de forma permanente e mensurável, do investimento, do emprego, da redução dos custos energéticos e da riqueza gerada.

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