Proença-a-Nova: Corgas apresentou programa de Verão com destaque para a democracia, o poder local e Camões

 Proença-a-Nova: Corgas apresentou programa de Verão com destaque para a democracia, o poder local e Camões

A Associação Desportiva, Cultural e Recreativa das Corgas (ADCRC) apresentou, no passado domingo, 26 de julho, o programa de Atividades de Verão, numa cerimónia realizada na sede da coletividade, que reuniu dezenas de participantes da aldeia e de outras localidades. A sessão contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo, e de vários convidados ligados ao jornalismo, investigação histórica e cultura.

A informação foi divulgada pela própria Associação Desportiva, Cultural e Recreativa das Corgas, através de um comunicado enviado à comunicação social.

Segundo a associação, o programa deste ano tem uma forte componente cultural, centrada numa exposição e num conjunto de iniciativas subordinadas aos temas da democracia e do poder local democrático.

Na abertura da sessão, o presidente da direção da ADCRCorgas, Paulo Martins, recordou o percurso da associação ao longo dos seus 44 anos de existência, destacando a evolução das atividades culturais e ambientais promovidas pela coletividade.

“Somente a liberdade e a democracia que vivemos desde o 25 de Abril de 1974 possibilitaram a criação e o desenvolvimento das atividades da Associação, ancoradas nos valores do associativismo”, afirmou Paulo Martins, citado pela associação. O responsável agradeceu ainda o contributo dos sócios fundadores, recordando que dois deles estiveram presentes na cerimónia.

A exposição foi apresentada por Libânio Martins, que explicou a estrutura temática e cronológica da mostra. Entre os principais núcleos encontram-se os 50 anos das primeiras eleições autárquicas livres, assinalados através de exemplares do Jornal de Proença-a-Nova de 1976 e de 2025, bem como de jornais e revistas de âmbito nacional.

A mostra inclui ainda trabalhos de Júlio Pomar e Fernando Lemos, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de ambos os artistas, bem como um conjunto de conteúdos dedicados ao V Centenário de Luís de Camões.

Segundo a associação, a aldeia das Corgas acolhe também documentação relacionada com a denominada “Geografia Camoniana”, da autoria de Mário Linhares, integrada na exposição “No rasto da vida de Luís Vaz de Camões”, patente na Biblioteca Nacional, além de materiais sobre “As plantas na obra poética de Luís Vaz de Camões”, produzidos pela Sociedade Broteriana e pelo Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, sob coordenação do professor Jorge Paiva. Estes conteúdos estiveram anteriormente expostos no Centro Ciência Viva da Floresta, que colaborou na cedência dos materiais.

O programa integra igualmente documentos disponibilizados pela Estrutura de Missão para a celebração do V Centenário de Luís de Camões.

Entre os convidados, o fotojornalista João Marques Valentim apresentou o seu mais recente livro, Portugal da Ditadura à Democracia, obra que reúne cerca de duas centenas de fotografias e contextualiza temas como a ruralidade, a emigração, a Guerra Colonial e os retornados. De acordo com a associação, o autor deu ainda a conhecer uma pequena parte do seu espólio fotográfico, composto por cerca de 150 mil imagens.

Também Luís Manuel Farinha, historiador e investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, abordou o tema do poder local democrático. Segundo o comunicado, o investigador defendeu que “a cidadania ativa é o requisito essencial e determinante da democracia e da governação do Poder Democrático Local”, apresentando uma reflexão sobre a evolução das estruturas locais de governação.

Na sessão de encerramento, o presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo, felicitou a associação pela iniciativa e deixou uma mensagem sobre o papel das autarquias.

De acordo com a informação divulgada pela ADCRCorgas, João Lobo afirmou que “as autarquias e os seus responsáveis não são ‘pedintes’ de qualquer poder central ou regional”, defendendo uma maior disponibilidade de recursos e uma representação mais equilibrada dos territórios do interior nos órgãos nacionais.

O autarca alertou ainda para “tempos críticos, instáveis e imprevisíveis”, apelando ao reforço da cidadania ativa como condição para enfrentar os desafios futuros.

A cerimónia terminou com a entrega de lembranças aos convidados, uma fotografia de grupo e um porto de honra.

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