Pessoa & Pessoa

Pessoa & Pessoa

imagem retirada de https://diariodoalentejo.pt

A Doutrina Social da Igreja tem como primeiro princípio a dignidade da pessoa humana e logo a seguir o bem comum.

Alegro-me pela Igreja, que é mãe, e nos ajuda a pensar estas notícias dos “imigrantes de Odemira” e de tudo o que se tem calado ao longo dos tempos e agora tenha vindo à luz das consciências.

De facto, tratam-se de pessoas. Pessoas que chegaram ao nosso país (ainda bem, porque precisamos de pessoas neste Portugal envelhecido e que não quer fazer trabalhos que outros portugueses fazem lá fora); Pessoas que intermediaram a chegada destes imigrantes; Pessoas que lhes deram trabalho, com melhores ou piores condições; Pessoas que os alojaram aproveitando a oportunidade do arrendamento; Pessoas que fiscalizaram; Pessoas que passaram licenças de exploração agrícola e de arrendamento; Pessoas que garantem a saúde pública; Pessoas que, à distância, usufruem do trabalho destas; Pessoas.

À partida, todas estas pessoas querem resolver a sua vida pessoal e profissional da melhor forma possível. Porém, a ideia do bem comum, o bem maior possível, como ideal, é o que garante que não vale tudo no mundo civilizado do trabalho e da organização social e política. As instituições do Estado servem para regular estas relações desiguais entre pessoas, neste caso, entre trabalhadores e patrões, arrendatários… Todavia, também estas instituições são feitas de Pessoas: umas, excelentes profissionais, outras, simples recebedores de ordenados no final do mês.

Assim, com as categorias, Pessoas e Bem Comum, pergunto-me: o trabalho que faço, traz-me dignidade como pessoa e contribui para o bem maior? todos os trabalhos valem a pena? será que as tutelas não vêem que é desumano pagar salários de miséria, só para que as grandes cadeias de supermercados querem ter preços baixos e ficarem com grande parte das mais valias dos produtos agrícolas? Onde andaram os tipos da ASAE? A passar multas aos cafés e restaurantes que não mantinham a distâncias de segurança e esqueceram que alguns imigrantes vivem amontoados! Onde andou o ACT? A GNR? A Saúde Pública e as Instâncias Autárquicas? O Estado central? O problema não são as instituições que foram nomeadas. O problema é que algumas pessoas destas instituições não se querem chatear, comprometer com a situação. Talvez até seja a oportunidade de beneficiar com ela!

Não reconhecer a dignidade da outra pessoa, migrante ou autóctone, e considerar o bem comum do tamanho da nossa barriga é tornar a sociedade numa selva.

A tarefa é grande. Porém, a esperança reside naqueles que são capazes de pensar as situações, comprometer-se, actuar e, se tens fé, rezar.

*P. Virgílio

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