Passado que foi julho, mês da amizade

Passado que foi julho, mês da amizade

imagem retirada de https://www.brasileiraspelomundo.com/

Rosa Ventura – Professora

Em julho, celebram-se a família e os amigos: quatro datas para assinalar a importância da amizade nas nossas vidas: dia 20, os amigos, 24, os primos, 26, os Avós e termina com o Dia da Amizade – dia 30 – em que se pretende celebrar a amizade entre os povos.  Este é um tema forte, sempre oportuno, mas corremos o risco de ficar por algo demasiado genérico: frases bonitas, propósitos audaciosos que nunca se sabe como serão postos em prática, afinal, uma celebração para chamar a atenção, nada mais. Os dias dos primos, dos avós e também o do amigo, são datas bem mais objetivas, já que celebram laços familiares onde a amizade está presente de um modo muito especial e fecundo. Basta recordar que as sociedades de todos os povos do mundo têm como base a família e os laços familiares, a amizade entre os mais próximos e a identidade cultural.

Hoje, perante a interrogação sobre o que é afinal a família, o que são laços familiares -tempos estranhos, em que vivemos! – sentimos a urgência de lembrar, repetir quanto necessário que somos seres humanos e por isso mesmo não podemos, por respeito para connosco próprios, ficar paralisados na ideia nebulosa de já não querermos aceitar algo tão básico como os conceitos claríssimos da lei natural: um ser humano é biologia e algo mais, isto é, dotado de inteligência, vontade e sentimentos. E é daqui que decorre o conceito de família, de sociedade, de cultura e, finalmente, da compreensão da amizade entre a grande família dos povos.

Não ignoramos que as possibilidades da técnica nos permitem já um imenso leque de possibilidades de manipular, modificar, gerar em novos moldes os seres humanos…(e porque não transhumanos?), e concretamente, eliminar o conceito de família ou laços familiares. Não ignoramos que a ciência anseia por novas descobertas e as empresas por dividendos, que as leis vão permitindo e a sociedade, se adormecida ou, no mínimo, pouco atenta, vai aceitando e aplaudindo, e que o homem é um ser dotado de livre-arbítrio o que lhe permite tomar as decisões que bem entender. É verdade, “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

E porque as ideias têm consequências, hoje, mais do que nunca, é necessário estar informado e pensar, pensar com o desejo de bem compreender, e é indispensável, se possível, ler atentamente, numa atitude estudiosa, os fundamentos das ideologias, os textos das leis, porque é a sua aceitação, ou não, que vai determinar a nossa forma de viver nesta sociedade global, numa verdadeira “amizade entre todos os povos”.

«Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum” – vinde atrás de Mim, e farei de vós pescadores de homens. – Não sem mistério emprega o Senhor estas palavras; os homens – como os peixes – é preciso apanhá-los pela cabeça. Que profundidade evangélica tem o “apostolado da inteligência”! (Caminho, 978)

E acrescentamos as palavras do Papa Francisco na Mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos idosos «A vossa vocação hoje é salvaguardar as raízes, transmitir  a fé aos jovens.[…]O futuro do mundo está nesta aliança entre os jovens e os idosos. Quem, senão os jovens, pode agarrar os sonhos dos idosos e levá-los por diante? […] nos nossos sonhos de justiça, de paz, de solidariedade reside a possibilidade de os nossos jovens terem novas visões e, juntos, construirmos o futuro.»  

E para concretizar as ideias de S. Josemaria e do Papa Francisco e agir em conformidade: estudar os fundamentos da tão divulgada, e tão pouco esclarecida, ideologia de género e para contraste estudar as catequeses de S. João Paulo II sobre a Teologia do Corpo, antiga como o início e que hoje nos aparece como algo surpreendente, como uma nova luz. Salvaguardando as raízes, construímos o futuro.

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