Opinião: Interior às escuras

 Opinião: Interior às escuras
Beatriz Alexandra Rodrigues Lopes

Há sete dias que a aldeia permanece às escuras quando a noite cai.

Não por escolha, mas por falta de resposta. O interior do país continua a existir numa espécie de intermitência: lembrado quando arde no verão e referido quando uma tempestade provoca estragos. Entre incêndios, ventos fortes e chuvas intensas, ficam comunidades inteiras privadas de condições básicas, à espera de soluções que tardam.

Longe dos grandes centros, estas realidades raramente chegam com nitidez ao litoral. Muitos não sabem e outros não imaginam o que significa viver dias sem eletricidade, sem comunicações estáveis e sem garantias mínimas de normalidade. Nestas localidades, cada falha prolongada tem consequências reais: alimentos perdidos, trabalho interrompido, equipamentos danificados, dificuldades no acesso a serviços e um sentimento crescente de insegurança. Para uma população envelhecida e dispersa, a falta de energia ou de comunicações não é apenas um incómodo, é um fator de vulnerabilidade.

Mais do que os danos imediatos, é a sensação de isolamento que mais pesa. A perceção de que os problemas do interior chegam sempre mais tarde à agenda das prioridades e de que a normalidade demora mais tempo a regressar. O interior não precisa apenas de solidariedade pontual ou de atenção em momentos de crise. Precisa de infraestruturas resilientes, de respostas rápidas e de um compromisso contínuo com a qualidade de vida das populações. Precisa de investimento. Precisa de presença.

Precisa, sobretudo, de não ser esquecido.

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