Opinião: Entre a Espada e o Machado

Opinião: Entre a Espada e o Machado

Foto: Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande

João Paulo Marrocano

Quase 5 anos depois dos trágicos incêndios de Pedrogão, os arguidos, inocentes ou culpados, ardem ainda na fogueira da lenta máquina judicial, impedindo que não só eles próprios, mas principalmente as vítimas e suas famílias possam encontrar a paz que só o apagar das chamas não permite.

Se é verdade que a justiça deve ter o seu próprio tempo, essencial para que não seja ditada pelo calor do momento, mas sim pela reflexão e busca da verdade, deve ser suficientemente rápida para que o esquecimento ou Alzaimer não tome conta dos seus principais actores, sejam eles acusadores ou acusados. A sua demora prolongada e injustificada pode contribuir irremediavelmente para a desacreditação, aos olhos da sociedade, daquele que deve ser um dos principais pilares da humanidade. A justiça, não deve, nem pode, viver fechada em conclave. Deve ser independente, sim, mas tem a obrigação permanente de prestar contas da sua actuação à sociedade civil.

No passado dia 31, assistimos a uma grande, silenciosa e profunda lição de centenas de comandantes de corpos de bombeiros voluntários de todo o país. Num acto de revolta e coragem, e de forma ordeira e silenciosa mostraram de forma clara a sua revolta porque o que escapou à fúria das chamas está a ser destruído pela lama dos tribunais.

Homens destes precisam-se, não para apagar fogos ou prestar socorro pois essas são tarefas da responsabilidade da administração publica, mas para nos demonstrar que o altruísmo, a solidariedade e a dedicação à causa publica ainda existem entre nós, mesmo quando abandonados pelos que mais deles precisam.

Da justiça, já que não encontrou culpados naqueles que fazem da Protecção Civil um próspero campo de negócios, como o SIRESP, ou uma coutada para dar emprego aos inúteis do regime, espera-se, que pelo menos não arraste na lama quem vive já diariamente com o peso de não ter prestado todo o socorro desejável.

Se no tempo das trevas a justiça tinha como principal missão aplicar castigos, nos tempos modernos que todos queremos viver, à justiça, mais do que o decretar de sentenças, devemos exigir pedagogia e prevenção.

É nessa lógica da prevenção que à justiça, cabe também hoje, a missão de perguntar aos responsáveis políticos porque é que nada foi feito para que as tragédias não se repitam. Se esta pergunta não for feita e se novas tragédias se repetirem, talvez aos agentes judicias esteja apenas reservado o papel de réus sentados numa praça publica com a sociedade regride e os julgamentos voltem a ser sumários.

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