Opinião: A mulher e a sua posição na sociedade

 Opinião: A mulher e a sua posição na sociedade
Beatriz Lopes

Antigamente, a mulher exercia funções um pouco diferentes daquelas que exerce atualmente. Não deixou de desempenhar muitas dessas tarefas, mas fá-las hoje de forma distinta, na medida em que passou a ter mais apoio e oportunidades na sociedade. Mas a que passado nos referimos e a que tarefas me refiro? Voltemos ao século XIX. O movimento feminista começou a ganhar força por volta de 1850 e as suas reivindicações centraram-se essencialmente na conquista de direitos fundamentais. Entre esses direitos encontravam-se a possibilidade de as mulheres gerirem o seu próprio salário e o direito à tutela dos filhos em caso de viuvez.

No início do século XX começaram também a surgir inúmeras associações de sufragistas: mulheres que lutavam pelo direito ao voto. Foi neste contexto que Carolina Beatriz Ângelo, médica, sufragista e republicana, desafiou o sistema jurídico português e decidiu votar nas eleições para a Assembleia Constituinte, em 1911.

Entre 1914 e 1918 teve lugar a Primeira Guerra Mundial. Durante este período, muitas mulheres foram chamadas a desempenhar funções fora do espaço doméstico. Com os homens mobilizados para o combate, nas trincheiras, as mulheres ocuparam diversos cargos que até então eram considerados exclusivamente masculinos. Conduziam elétricos, realizavam reparações elétricas e desempenhavam tarefas fisicamente exigentes. Este esforço contribuiu para uma maior valorização do papel da mulher na sociedade. Após o fim da guerra, em muitos países, as mulheres passaram a intervir de forma mais ativa na vida política e viram abrir-se novas oportunidades profissionais.

Avançando um pouco mais no tempo, centremo-nos agora em Portugal. Entre 1933 e 1974, período que terminou com a Revolução dos Cravos, o país viveu sob um regime de ditadura liderado por António de Oliveira Salazar. Tratava-se de um país predominantemente rural, marcado pela censura e pela falta de liberdade de expressão. Quem se atrevesse a criticar o regime corria o risco de ser vigiado ou perseguido pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado).

Também em 1961 teve início a guerra colonial em África. Neste contexto, as mulheres continuavam a enfrentar diversas limitações sociais e legais. Muitas decisões dependiam da autorização do chamado “chefe de família”, que podia ser o pai, o marido ou outro familiar masculino. A mulher ideal era frequentemente representada como aquela que permanecia em casa, dedicada às tarefas domésticas e à família. Foi apenas após a Revolução de 1974 que o direito de voto foi alargado a todas as mulheres em Portugal. Antes disso, o voto feminino era bastante limitado, sendo permitido apenas a mulheres com determinadas qualificações.

Apesar das conquistas alcançadas ao longo do tempo, ainda hoje existem situações de desigualdade e de machismo na sociedade, onde a mulher é por vezes vista como submissa ou inferior ao homem. Contudo, é inegável que a posição da mulher evoluiu significativamente ao longo das últimas décadas. Ainda assim, permanece um longo caminho a percorrer para alcançar uma verdadeira igualdade

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